Primeiro em singulares, depois em pares. Nuno Borges experimentou o sabor da vitória em Wimbledon no quadro principal, recuperou o sorriso que andou escondido nos últimos anos na relva londrina e começou a aproximar-se do final da primeira semana com hipóteses em aberto de chegar mais longe nas duas variantes. Seria isso um “peso” extra em termos físicos, até pelo calor que se tem vindo a sentir em Inglaterra? Nem por isso. E o triunfo ao lado do norte-americano Marcos Giron mais não foi do que uma rampa de lançamento para o embate que teria pela frente diante do russo Karen Khachanov, mais um top 20 do ranking.
“Senti que foi muito bom jogar um par hoje [quinta-feira]. Felizmente, a temperatura não estava muito agressiva. Acima de tudo é bom jogar ao lado de um amigo, ainda nos divertimos bastante e fomos muito felizes com uma boa vitória. Estamos muito mais entrosados e fizemos um encontro muito melhor do que em Eastbourne. Acho que aquele jogo de Eastbourne também foi preciso para nos conhecermos melhor um ao outro e aprendermos um bocadinho a jogar juntos. Estamos muito contentes”, comentou o português à agência Lusa após o triunfo diante dos neerlandeses Jan-Julien Rojer e Robin Haase por 7-6 (6) e 6-1.
Segue-se a partida com o indiano Yuki Bhambri e o norte-americano Robert Galloway, 16.º cabeças de série da variante de pares. Antes disso, havia mais história por escrever. Se o triunfo frente a Francisco Cerundolo foi o primeiro de sempre em Wimbledon e se a vitória com Billy Harris permitiu que se tornasse o primeiro jogador português de sempre a chegar à terceira ronda dos quatro Grand Slams, agora surgira a hipótese de atingir uma quarta ronda da Meca da relva no ténis com um quadro muito favorável até aos quartos. Com um problema: Karen Khachanov. E se o nível de jogo do português foi altíssimo para bater o wild card britânico, a forma como o russo deu a volta diante do japonês Shintaro Monchizuki ficava como um aviso.
“Foi um alívio gigante. Achei que o meu adversário entrou um bocadinho mal. Eu próprio achei que o campo estava muito diferente de segunda-feira e não tinha só a ver com a temperatura. O court tinha a relva um bocadinho mais comprida, parecia mais fofo nos pés, a bola travava um bocadinho mais. Consegui aproveitar bem aqueles momentos em que ele me deu uma brecha ou outra. Por vezes os encontros parecem controlados e podem escapar. Há jogadores que jogam muito melhor em encontros de cinco sets do que à melhor de três e sinto isso. Inicialmente não gostava mas tenho vindo a gostar cada vez mais e sinto que isso também me ajuda em relva”, apontara após a vitória sobre Billy Murray, que terminou com o seu técnico, Rui Machado, a destacar sobretudo a consistência que soube manter ao longo de quase todo o jogo.
Portuguese players Nuno Borges and Francisco Cabral were given permission to alter the Wimbledon all-white dress code to pay tribute to Diogo Jota and his brother André Silva. pic.twitter.com/yDKs0gpDWL
— ESPN FC (@ESPNFC) July 4, 2025
Foi essa que voltou a ser a imagem de marca de Nuno Borges no arranque da partida frente a Khachanov, mais uma vez a demonstrar um enorme sangue frio para contrariar todas as adversidades que enfrentou no seu serviço. Entrando a salvar mais uma vez um ponto de break no terceiro jogo e mais três no sétimo, o jogador português nunca conseguiu colocar o russo em apuros no seu serviço mas conseguiu levar a decisão em aberto até ao tie break, onde até começou melhor (4-1) mas acabou por ceder por 8-6. A resposta, essa, não demorou. Não demorou e não poderia também ter sido mais forte: num parcial onde conseguiu fazer o break logo no 2-1 com um jogo em branco, Borges fechou com 6-4 perdendo apenas sete pontos nos cinco encontros de serviço que fez no segundo set. Voltava tudo a estar em aberto, com a clara ideia de que esta poderia ser uma partida a demorar bem mais do que os triunfos de Amanda Anisimova frente a Dalma Galfi e de Andrey Rublev diante de Adrian Mannarino que tinham antecedido a entrada no court 3.
Que qualidade de Nuno Borges ????#sporttvportugal #TENISnaSPORTTV #Wimbledon #NunoBorges #KarenKachanov pic.twitter.com/5IjmmpPNAs
— sport tv (@sporttvportugal) July 4, 2025
O português tinha conseguido encontrar a fórmula para colocar Khachanov em dúvida no seu serviço. Não sempre, as vezes suficientes. Foi assim que fez o break logo a abrir o terceiro set, foi assim que chegou mesmo ao 4-1 com serviço mais tarde. O russo ainda conseguiu também quebrar o serviço ao português contra a corrente do encontro mas Borges não voltou a tremer, fechando com 6-4 e ficando apenas a mais um triunfo dos oitavos. Ainda assim, havia muito por onde escalar. Tanto que foi aí que se viu aquilo que ainda não se tinha visto: por um lado, o maiato tremeu no seu serviço, sofrendo um break logo a abrir para 3-1; por outro, não aproveitou três pontos para fazer o contra break logo de seguida e deixou que o russo ganhasse o ascendente no parcial, com Khachanov a fechar o triunfo por 6-3 com dois jogos de serviço em branco.
Nuno Borges fez assim o primeiro break do terceiro set ????#sporttvportugal #TENISnaSPORTTV #Wimbledon #NunoBorges #KarenKachanov pic.twitter.com/bB11ZohLST
— sport tv (@sporttvportugal) July 4, 2025
Ficava tudo adiado para o quinto e decisivo set, “apimentado” pelo anúncio da vitória do polaco Kamil Majchrzak frente ao francês Arthur Rinderknech que colocaria o vencedor do court 3 a defrontar o 109.º do mundo nos oitavos de Wimbledon. Ou seja, e apesar do nível demonstrado por Majchrzak, que começou o torneio a “despachar” Matteo Berrettini, era uma oportunidade de ouro para sonhar com os quartos na relva londrina que estava à distância de um triunfo na “negra”. Com o laço negro que tinha no chapéu por forma a homenagear Diogo Jota e André Silva sempre bem visível, Borges começou bem, perdeu o serviço de seguida no 2-1 mas respondeu com o contra break, salvando depois três pontos de break para fazer o 3-2. O público puxava pelo português, Khachanov ia dando sinais de algum desgaste físico, o jogo poderia cair para cada um dos lados mas foi Borges que se conseguiu impor, voltando a quebrar o serviço. O jogo estava perto do fim mas teria ainda mais um capítulo, com a mão do português a tremer no nono encontro e a dar vida ao russo, que quebrou o serviço e levou tudo para o super tie break a dez pontos, que terminou com 10-8.
What. A. Match. ????
No.17 seed Karen Khachanov comes through a five set thriller against Nuno Borges to win 7-6(6), 4-6, 4-6, 6-3, 7-6(8) and take the spot in the fourth round ????#Wimbledon pic.twitter.com/988dRYVSq9
— Wimbledon (@Wimbledon) July 4, 2025
Karen Khachanov survives Nuno Borges in an epic battle.
7-6(6), 4-6, 4-6, 6-3, 7-6(10-8) to reach the last 16 at #Wimbledon.
Borges was 5-2 up in the 5th set and served for the match at 5-3. Tough ending to a great tournament for him. pic.twitter.com/t9T2h4GXvd
— José Morgado (@josemorgado) July 4, 2025