Primeiro golo, primeiro empate, uma regra que se volta a confirmar. Pela terceira vez consecutiva, Portugal entra na última jornada com possibilidades de pela primeira ocasião chegar aos quartos de um Campeonato da Europa, naquele que foi o culminar do primeiro empate de sempre com a Itália entre 14 derrotas e duas vitórias (a última a remontar ao longínquo ano de 2000). As contas não são fáceis, com a Seleção a ter de ganhar à Bélgica, de esperar que a Espanha bata as transalpinas e ainda que a desvantagem entre os golos marcados e sofridos seja também anulada. Sendo difícil, não é impossível – e isso foi o que sobrou do 1-1 em Genebra, num ambiente fantástico com muitos adeptos nacionais presentes a darem cor às bancadas.

As Navegadoras recuperaram um rumo que só não conheceu o destino final (a crónica do Portugal-Itália)

Diana Gomes tornou-se a primeira jogadora portuguesa a marcar em duas fases finais de Europeus, Ana Borges tornou-se a primeira jogadora portuguesa a ser expulsa numa fase final do Europeu. Do individual para o coletivo, Portugal quebrou uma série de quatro encontros consecutivos sem marcar, não conseguindo ainda assim quebrar a atual sequência de sete jogos oficiais sem triunfos. Ainda assim, e até pela forma como o empate foi resgatado ao minuto 89, o balanço foi positivo, com as Navegadoras não só a exultarem a capacidade de reação para chegarem ao 1-1 mas também a esperança de chegarem a algo mais.

”Estou muito orgulhoso, independentemente do resultado, daquilo que as jogadoras fizeram. Voltámos a ser Portugal, a mostrar o que queremos, a ganhar bolas e pressionar alto, a criar oportunidades, a sofrer quando tínhamos de sofrer com uma mentalidade incrível. Sofrer um golo, depois dos últimos resultados, mas manter a mentalidade do querer, do acreditar… Isto é só para quem tem vontade e crença. Os adeptos portugueses também nos apoiaram. Foi um jogo à Diogo Jota, sempre a acreditar. Esta exibição é para ele e para a família”, começou por destacar Francisco Neto, selecionador que foi um dos que mais festejou no banco de suplentes quando Diana Gomes fez o empate depois de assistência da recém entrada Dolores Silva.

“Sucesso do 4x4x2 losango? Sabemos onde as jogadoras se sentem muito confortáveis e estrategicamente era importante. Acreditamos muito que não é só por aí mas é também é. Temos trabalhado há oito anos e nas dúvidas e instabilidade que tínhamos voltámos às raízes. Felizmente acertámos na decisão, estas jogadoras querem muito e a haver um vencedor só podia ser Portugal. Entrada da Telma? O jogo estava partido. A Telma dá muita coisa na área mas retira muito no processo defensivo. Tem de crescer e sabe, mas é importante e dá o que outras não dão. Sabemos os timings e os momentos. As avançadas faziam o que queríamos, faltou um bocadinho as diagonais. Na entrada da área as avançadas estavam travadas, sem movimento. Tivemos essa dificuldade mas agora é rever o jogo e recuperar, há muita gente cansada mas muito disponível para o que vem aí. Ainda estamos vivos”, acrescentou em declarações à SportTV.

A Bélgica vai estar super descontraída. Não sei se com o mesmo onze, se vai dar oportunidade a outras… É sempre algo que não conseguimos controlar. O objetivo era depender só de nós, precisamos que a Espanha faça aquilo que achamos que vai fazer, porque quer ser primeiro do grupo. Depois temos de fazer o nosso trabalho, primeiro ganhar e fazer golos”, salientou.

“O mérito é da equipa. Estamos vivos, isto é ser Portugal. Vamos para o último jogo a fazer o que fizemos hoje. Os portugueses que acreditem em nós, tudo é possível. Desde o início ao fim é acreditar, lutar, nunca desistir e dar tudo. É isso que temos de fazer contra a Bélgica, entrar com este espírito e ir à morte, ser Portugal”, destacou também Diana Gomes, autora do único golo da Seleção frente à equipa italiana.

“Sofri muito durante estes últimos meses, não sei se sempre soube que ia conseguir estar aqui ou se ainda estou a processar esse facto. São muitas emoções, estou muito feliz por poder voltar a fazer aquilo que mais prazer me dá na vida. Merecíamos mais, muito mais, mas estamos vivas para o próximo jogo. Foi um jogo à Portugal. Esta equipa acredita até ao fim e estou muito contente por estar de volta neste jogo e com estas pessoas ao meu lado. O que faltou? Clareza, eficácia, espontaneidade… Falta sempre alguma coisa mas estamos vivos e isso é o mais importante. Com a Bélgica, se fizermos aquilo que conseguimos fazer hoje, a história vai ser bonita. Se estou a 100%? A 200%!”, assegurou também a regressada Kika Nazareth.