A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco) inscreveu este domingo o Parque Nacional de Maputo na lista do Património Mundial da Humanidade. As ilhas dos Bijagós, na Guiné-Bissau, foram elevadas a Património Mundial Natural, tornando-se no primeiro sítio do país africano a integrar a lista da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
As decisões foram anunciadas esta manhã, em Paris, França, durante a 47.ª reunião do Comité do Património Mundial da Unesco, que decorre até dia 16, na sede da organização na capital francesa.
No caso de Moçambique, a Unesco destaca que o Parque Nacional de Maputo “inclui ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos, e abriga quase 5.000 espécies. O local complementa os valores de conservação de iSimangaliso [parque contíguo da África do Sul], aprimorando a proteção da biodiversidade em todo ecossistema da região de Maputo”.
Acrescenta-se que o local apresenta “habitats diversos, incluindo lagos, lagoas, mangais e recifes de corais”, incluindo longas praias, dunas, pântanos, extensas zonas húmidas, diversas ervas, fornecendo um habitat para uma gama de espécies marinhas da África do Sul, destacando-se igualmente a sua conservação de longa data.
O Parque de Maputo está ligado ao parque das Zonas Húmidas iSimangaliso, na África do Sul, que já tem estatuto de património mundial, sendo um dos locais indicados antes como “excecional potencial” para o estatuto de Património Mundial pela IUCN, órgão consultivo oficial sobre natureza do comité do Património Mundial.
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Just inscribed on the @UNESCO #WorldHeritage List: iSimangaliso Wetland Park – Maputo National Park [site extension], #Mozambique ????????, #SouthAfrica ????????.
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Ilhas Bijagós elevadas a Património Mundial Natural
A candidatura, agora aprovada, do “Ecossistema Marinho e Costeiro do Arquipélago dos Bijagós – OMATÍ MINHÕ” concentra-se nos três parques naturais, concretamente o Parque Natural das Ilhas de Orango, o Parque Nacional Marinho João Vieira e Poilão e a Área Marinha Protegida Comunitária das Ilhas Urok e a ligação entre esses três parques.
Trata-se da zona mais relevante do ponto de vista da biodiversidade nas ilhas e ilhéus onde desovam tartarugas, habitam hipopótamos e se alimentam aves migratórias. Os três parques naturais abrangidos são apontados como “a parte central da biodiversidade”, como “zonas que permitem uma grande produtividade, que têm impactos além-fronteira”.
Servem de “zona de alimentação para as aves que vêm de longe, às comunidades, às pescas”, e permitem “a reprodução de um ciclo importante da biodiversidade ameaçada, como as tartarugas marinhas, tubarões e raias”. Estão, também, na rota migratória de aves do Atlântico Leste.
Do total de 88 ilhas Bijagós que compõem o arquipélago da costa ocidental de África, 23 são habitadas. O modo de vida e a cultura do povo Bijagós distinguem também estas ilhas da costa ocidental africana.
As Bijagós são também procuradas pelas praias e pesca, com um turismo ainda reduzido aos expatriados das várias organizações a trabalhar no país e a pescadores desportivos, sobretudo de países francófonos.
As ilhas Bijagós já conquistaram várias distinções, também da UNESCO, concretamente Reserva da Biosfera, em 1996, Don a Terra, em 2001, e Sítio RAMSAR, em 2014, pela importância desta zona húmida a nível internacional.
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New inscription on the @UNESCO #WorldHeritage List: Coastal and Marine Ecosystems of the Bijagós Archipelago – Omatí Minhô, #GuineaBissau ????????.
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Marcelo Rebelo de Sousa saúda Guiné-Bissau e Moçambique pelo património
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, saudou neste domingo a elevação das Ilhas dos Bijagós, na Guiné-Bissau, Património Mundial Natural, e a do Parque Nacional de Maputo, em Moçambique, a Património Mundial da Humanidade, felicitando ambos os países.
“As ilhas dos Bijagós, local de rara beleza e imenso valor natural, oferecem santuário a inúmeras espécies raras. A sua conservação tem sido um foco da cooperação portuguesa no país”, pode ler-se na nota dedicada a estas ilhas.
O chefe de Estado felicitou assim a Guiné-Bissau “por esta inscrição na lista Património Mundial Natural, que constitui um momento de grande relevância para este país irmão”.
Quanto ao Parque Nacional de Maputo ser agora Património Mundial da Humanidade, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que se trata “de um justo reconhecimento pelo trabalho de proteção e conservação — que conta com a participação da cooperação portuguesa — de uma área de excecional valor natural”.
“O Presidente da República felicita o esforço muito meritório de conservação da natureza e diminuição de pressão sobre os recursos naturais que tem sido desenvolvido por Moçambique, que tem também envolvido as comunidades locais”, acrescentou.
Parque Nacional das Cavernas do Perauçu elevadas a Património Mundial
O Parque Nacional das Cavernas do Perauçu, em Minas Gerais, Brasil, foi este domingo incluído na lista do Património Mundial da Unesco, elevando para 25 o número de locais do Brasil nesta seleção.
Área protegida desde 1999, o parque integra uma superfície de 564 quilómetros quadrados de floresta baixa atravessada pelo rio Peruaçu, na zona norte do estado de Minas Gerais.
A Unesco apontou que o parque está “situado na intersecção dos biomas Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica e abriga mais de 2.000 espécies de plantas e animais, incluindo muitas ameaçadas”. “Desenvolvida no cratão estável de São Francisco, a paisagem reflete as principais mudanças climáticas e geológicas do Plioceno-Pleistoceno”, destacou a Unesco sobre o património recém-inscrito.
A Unesco considerou que o desfiladeiro formado pelo rio Peruaçu originou “paisagens espetaculares de calcário, cavernas vastas e uma biodiversidade rica”, tendo ainda destacado os sistemas de cavernas horizontais do parque, “formados em rocha carbonatada”, refere a Efe.
Entre as centenas de cavidades do parque natural, destaca-se a Caverna do Janelão, assim chamada por ter alturas superiores a 100 metros e por ser acessível através de uma grande abertura na parede de um desfiladeiro. O parque nacional inclui ainda paredes cobertas de pinturas pré-históricas de diferentes pigmentos, que vão do amarelo ao preto.
Não obstante a sua importância geológica e histórica, as cavernas do Peruaçu são o segundo parque natural menos visitado no Brasil, tendo recebido apenas 14.600 turistas em 2024, de acordo com dados oficiais citados pela agência noticiosa Efe.
Esta é a 25.ª vez que a Unesco atribui a classificação de Património Mundial no Brasil e junta-se a locais como as Cataratas do Iguaçu ou o centro histórico da cidade colonial de Ouro Preto.
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