Luís Montenegro foi esta terça-feira até Évora para encerrar as jornadas parlamentares do PSD e falar, numa altura em que tanto se discute sobre imigração e sobre se o Governo cedeu ou não ao Chega nestas matérias, do posicionamento do Governo. Por isso, mantendo a ideia de que a AD é agora a força “do meio” do Parlamento, Montenegro declarou: “Somos, hoje mais do que nunca, a força política central da nossa democracia”, registou.
Nesta linha, Montenegro quis colocar-se, além de na posição central, na posição mais pragmática: a AD está focada em resolver problemas, e não “marcada por dogmas e ideologias que comprimem a ação”; por isso está mais “habilitada a construir pontes do lado esquerdo e do lado direito”. E será uma “força política de diálogo”, mas com avisos: não quer dialogar tanto que acabe por “empatar” a concretização das medidas.
“Não vemos o diálogo como o fim da nossa ação política. É um meio, mas não um meio para empatar decisões”, avisou. “Estamos aqui para dialogar mas estamos aqui para decidir, não para empatar — somos uma força enérgica. Não somos precipitados para fazer as coisas de forma irrefletida mas também não somos os que gostam de protelar”.
Montenegro coloca AD “de ação” ao centro, “com menos dogmas”
Seria assim, argumentando a favor da sua vontade de “agir”, que passaria a falar de vários dossiês em que o Governo tem estado empenhado. Desde logo, da imigração, para frisar que o Executivo adotou novas medidas num período curto mas que ainda assim este não é o “alfa e o ómega” da sua governação — e criticando partidos que dizem interpretar melhor a vontade da população neste tema, nomeadamente os mais pequenos da esquerda. “Se as maiorias devem respeitar as minorias, também é uma regra de ouro da democracia que as minorias respeitem as maiorias”, atirou. “É preciso ter cuidado quando alguns se arrogam em falar em nome dos portugueses quando estes já se pronunciaram”.
O que é, então, a ação principal do Governo? Montenegro quis dar vários exemplos, desde logo olhando para a descida de IRS “para todos os portugueses” e para a privatização da TAP. “Estamos a falar da viabilização de uma companhia aérea, salvaguardando rotas estratégicas”, e sem isto “dificilmente se aguenta” a companhia aérea. Mas a privatização não será feita “a qualquer preço”, assegurou.
A integração da TAP numa gestão mais ampla mostra que terá um “elevado potencial”, argumentou Montenegro, garantindo estar convicto que não vão aparecer só as três empresas já conhecidas com interesse em comprar a TAP — tem expectativa de que noutras geografias outras empresas “tenham pelo menos interesse”, mesmo que não cheguem a apresentar uma proposta.
“A TAP, tal como está, não está numa rota de competitividade à escala global”, justificou. “Mas num processo alicerçado num grupo mais amplo, com maior capacidade de sinergias, tem um potencial por explorar positivo, atrativo e valioso”.
Sobre as recentes notícias sobre falhas no SNS, Montenegro pediu ainda que se preste atenção e se “reconheça” que o SNS “na maior parte dos casos responde bem”. E quis dar destaque à reforma do Estado, assegurando que insta os seus ministros a, como dizia Pedro Duarte num painel anterior, “mudarem o chip”, a simplificar procedimentos e vistos prévios que é possível erradicar. O Governo quer ter intervenção direta em todos os organismos públicos para “poder acabar de uma vez por todas este suplício que é muitas vezes o diálogo entre o cidadão ou a empresa e a administração”.
“Os portugueses não estão muito interessados em saber quem vai atrás de quem e quem fala com quem”, resumiu. “Querem ver os seus problemas resolvidos”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Avisos sobre reforma do Estado e Defesa: “Não cortem na ferrovia”, pediu Santana
A reforma do Estado tinha, de resto, sido discutida no painel anterior, com Pedro Santana Lopes — que para deleite da assistência voltou a confessar que o seu coração é do PSD, apesar do “devaneio perigoso” que teve quando fundou o Aliança — a falar como autarca da Figueira da Foz e a dar nota da dificuldade e da “ousadia” que é assumir a reforma do Estado como prioridade.
Para o antigo primeiro-ministro, não há “espaço para cometer mais erros” na organização do Estado — e, enquanto autarca, confessa que ficou com “mais medo das entidades regionais do que da dependência do poder central”, constatando que há organismos que praticam sistemas “praticamente ditatoriais“, com circuitos de decisão duplos ou triplos, e impedem o país de tomar decisões. Também no encerramento Hugo Soares pegaria nas suas palavras para defender “sem tibiezas” que é preciso combater os poderes intermédios que “bloqueiam o desenvolvimento do país”, falando do “desafio gigante” que é reorganizar a administração pública.
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Santana Lopes quis ainda deixar um recado sobre outro dos temas atualmente centrais: “Há um zunzum de que se mexe no Estado Social para reforçar a Defesa. Nalgum lado tem de haver corte, mas se for na ferrovia é um erro crasso. Ferrovia não”, alertou.
Paulo Núncio, líder parlamentar do CDS, quis precisamente falar sobre esta área: por um lado, para deixar elogios à execução orçamental do ministério da Defesa, liderado pelo presidente do CDS, Nuno Melo; por outro, para elogiar o Governo como um todo por ter “devolvido a Defesa a uma prioridade política, depois de ter sido ignorada olimpicamente pelo PS durante oito anos”.
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