O primeiro-ministro, Luís Montenegro, respondeu este domingo às críticas do líder do PS, José Luís Carneiro, sobre a imigração e a economia, acusando os socialistas de não conhecerem a “realidade” do país e de não estarem à altura de governar Portugal.

Na pele de líder do PSD, durante um discurso na festa social-democrata do Chão da Lagoa, na Madeira, Montenegro garantiu que o Governo é de “inspiração social-democrata” e “não deixa ninguém para trás”. Nesse contexto, assegurou Montenegro, “precisamos de atrair e integrar bem os nossos imigrantes”.

“Quando os outros olham para nós e veem que uma política de regulação e dignificação da imigração, para eles, significa ódio, eles não sabem a realidade que têm pela frente”, afirmou o primeiro-ministro.

A frase era uma referência ao artigo publicado este domingo pelo líder do PS no Público, no qual José Luís Carneiro escreveu: “A primeira marca deste Governo foi dar à extrema-direita uma inimaginável vitória política e cultural, que terá graves consequências no país e nas nossas relações com os países de expressão portuguesa.”

Líder do PS diz que Governo deu “inimaginável vitória política e cultural” à extrema-direita com lei da imigração

Nesse artigo, Carneiro foi mais longe e considerou mesmo que, “com essa atitude (…) o senhor primeiro-ministro tornou-se corresponsável pelo ambiente inamistoso que os imigrantes começam a encontrar por toda a parte e pelos incidentes de ódio que possam vir a acontecer”.

Para Montenegro, “aqueles que não sabem a realidade que têm pela frente mostram que não estão ao nível de ter responsabilidades de Governo em Portugal”.

“As eleições servem para que o povo decida as opções fundamentais que quer para o futuro do país. E as eleições servem para que os políticos ouçam a vontade do povo”, disse ainda. “O povo quis que as opções fundamentais do Governo fossem aquelas que estavam no programa da AD. E aqueles que estão hoje no Governo, que somos nós, vimos aquilo que o povo disse quando votou em nós e quando votou nos outros partidos.”

“Vamos estar à altura da confiança que recebemos do povo”, disse Montenegro, no final de um discurso em que também sublinhou o compromisso do Governo com os jovens e os pensionistas.

“O nosso Governo é um Governo de inspiração social-democrata. É um Governo que não deixa ninguém para trás. É um Governo que quer que aqueles que estão na vida ativa sintam que vale a pena trabalhar, que vale a pena chegar ao fim do mês e ter um rendimento maior, porque as pessoas no final do mês podem ter melhores salários e podem pagar menos impostos”, afirmou o primeiro-ministro, sublinhando que o executivo está “a diminuir os impostos sobre o rendimento do trabalho”.

Montenegro acrescentou que o Governo “olha para os jovens e está ainda a diminuir mais os impostos sobre o rendimento dos jovens nos 10 primeiros anos de vida ativa”.

“O nosso Governo é um Governo que não se esquece dos reformados, dos pensionistas, daqueles que tiveram uma vida inteira de trabalho, em especial daqueles que têm as pensões mais baixas”, acrescentou, dizendo-se “admirado” por, numa semana em que o executivo anunciou “um suplemento extraordinário para os pensionistas que têm as reformas mais baixas”, a oposição ter vindo acusar o Governo de ter “uma intenção eleitoralista” em vez de “saudar o Governo” por ter “um equilíbrio nas nossas contas públicas e utilizarmos o resultado desse equilíbrio para ajudarmos aqueles que têm maior dificuldade”.

Novamente, tratava-se de uma resposta a José Luís Carneiro (nunca mencionado pelo nome no discurso), que no artigo de opinião acusou o Governo de tomar “medidas avulsas com objetivos meramente eleitoralistas”, sem ter uma visão, rumo ou estratégia para o país.

“Não, a intenção não é eleitoralista. A intenção é de justiça social. Ajudar aqueles que têm mais dificuldade. A intenção é de aproveitarmos o facto de termos hoje um país que está a criar mais riqueza e aproveitarmos a criação de riqueza para a redistribuirmos de forma mais justa”, respondeu Montenegro. “Continuem a confiar neste projeto. Vamos continuar a criar mais riqueza. A melhor maneira de combater a pobreza é criar riqueza.”

O “orgulho” no PSD Madeira e em Miguel Albuquerque

Numa primeira parte do discurso, Montenegro dirigiu-se concretamente aos madeirenses e abordou as dificuldades nas viagens entre regiões autónomas e continente. “Hoje já é mais barato porque o Governo que nós lideramos diminuiu as tarifas. Temos hoje uma tarifa social de mobilidade que é mais amiga do transporte, mais amiga da possibilidade de as pessoas viajarem entre a Região Autónoma e o Continente”, afirmou.

“Sabemos que é preciso fazer mais. Vamos mesmo criar condições para termos uma plataforma, uma aplicação, para as pessoas não passarem as horas que passam nas filas dos correios à espera de verem retribuído o seu esforço de antecipar o dinheiro para as viagens”, sublinhou, acrescentando que está no Governo para “resolver problemas” das pessoas.

“Sabemos as dificuldades que as pessoas sentem, mas estamos no Governo para resolver problemas. Não estamos no Governo para nos distrairmos com aquilo que os outros andam a dizer, com aquilo que os outros andam permanentemente a tentar descobrir como perturbações, como fantasmas nas vidas de todos nós”, explicou. “Não temos fantasmas no nosso Governo. Temos pessoas, temos problemas que queremos resolver.”

Luís Montenegro disse ainda que o PSD nacional tem “muito orgulho do PSD Madeira” e dos seus responsáveis, a começar por Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional. “Temos muito orgulho naquilo que já fizemos nos últimos 50 anos. Temos muito orgulho naqueles que estão no Governo Regional, naqueles que estão na Assembleia Legislativa Regional, mas também naqueles que estão e vão estar nas câmaras municipais”, afirmou, prometendo vitória nas eleições autárquicas de 12 de outubro.

“Nós na Madeira vamos a todas as eleições para ganhar”, assinalou, prometendo a “colaboração do Governo”. Dirigindo-se diretamente a Miguel Albuquerque, afirmou: “O Governo da República está empenhado em poder, com as regiões autónomas, trabalhar para termos uma lei de finanças regionais que dê previsibilidade, sustentabilidade às fianças regionais, ara que haja condições para servir o povo das regiões autónomas dando-lhes as mesma oportunidades que todos os portugueses devem ter em todo o território do país.”

Montenegro prometeu ainda continuar a “a salvaguardar o financiamento e o compromisso de levar até ao fim a construção do Hospital Universitário do Funchal, que vai servir a Madeira, vai servir o Porto Santo e vai servir Portugal, porque é também um equipamento ao serviço de todo o país”.