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Descoberta assinatura de Josefa d'Óbidos em pintura do Palácio Nacional de Mafra

Este artigo tem mais de 1 ano

A assinatura da pintora portuguesa do século XVII era "quase invisível a olho nu" e coloca a peça "num rol muito limitado de peças assinadas", dizem restauradora e diretor do Palácio do Mafra.

Os sinos e os carrilhões do Palácio de Mafra vão tocar a partir de 01 de fevereiro, após obras de restauro, depois de os primeiros sinais de deterioração surgirem a 11 de setembro de 2001, remetendo-os ao silêncio. Os 119 sinos e os dois carrilhões ficaram sujeitos a um “silêncio forçado” durante 20 anos, à espera de obras de requalificação e “presos” por andaimes desde 2004, 23 de janeiro de 2020. (ACOMPANHA TEXTO DA LUSA DE 28 DE JANEIRO DE 2020) TIAGO PETINGA/LUSA
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▲"Menino Jesus em descanso" trata-se da única pintura de Josefa d'Óbidos existente no Palácio Nacional de Mafra

Tiago Petinga/LUSA

▲"Menino Jesus em descanso" trata-se da única pintura de Josefa d'Óbidos existente no Palácio Nacional de Mafra

Tiago Petinga/LUSA

Os trabalhos de conservação de uma pintura em mau estado do Palácio Nacional de Mafra permitiram descobrir a assinatura de Josefa d’Óbidos, a pintora do século XVII português, revelou esta sexta-feira a conservadora-restauradora responsável.

“Pedi ao Palácio Nacional de Mafra a pintura para a tratar dado o estado de degradação avançado e para confirmar” a atribuição da autoria de Josefa d’Obidos já antes feita pelo investigador Vítor Serrão à pintura Menino Jesus em descanso, contou à agência Lusa Vanessa Henriques Antunes, conservadora-restauradora de pintura antiga do Laboratório José de Figueiredo, pertencente à Museus e Monumentos de Portugal.

A assinatura era “quase invisível a olho nu” e só uma “limpeza química muito profunda” permitiu à especialista em pintura antiga aperceber-se da assinatura “Josepha” e confirmá-la depois através do recurso a fotografia e reflectografia de infravermelhos.

“É extraordinário quando não existe 70% da camada pictórica da pintura e nos restantes 30% estava a assinatura”, afirmou.

“Josefa de Óbidos é uma referência no panorama da historiografia de arte nacional e a sua pintura (composição, paleta, tipologia de suportes, estilo pictórico) é das mais reconhecíveis. Não seria necessário a assinatura de ‘Josepha’ para atender a que estamos em presença de uma peça desta autora. Contudo, a descoberta da assinatura num frágil fragmento cromático, transforma esta peça num importante testemunho documental e coloca-a num rol muito limitado de peças assinadas”, disse o diretor do Palácio Nacional de Mafra, Sérgio Gorjão, citado numa nota do Laboratório José de Figueiredo, publicada na sua página do Facebook.

“Menino Jesus em descanso” trata-se da única pintura de Josefa d’Óbidos existente no Palácio Nacional de Mafra.

Segundo a conservadora-restauradora, a pintura pertence a uma “fase mais amadurecida da vida e da pintura” da artista do século XVII.

“O que ela quis representar vai muito além do sagrado e mostra as vivências dela e a sua personalidade”, explicou.

Por outro lado, “ela só começou a assinar depois da morte do pai [Baltazar Gomes Figueira] e nos últimos dez anos da sua vida”.

A notoriedade do pintor Baltazar Gomes Figueira (1604-1674) só começou a ser valorizada no final do século XX, após estudos em pintura antiga portuguesa, para os quais contribuiu, em 1985, Charles Sterling, que descobriu a sua “Natureza Morta com Laranjas, Cebolas, Peixe e Caranguejo” (1645), exposta no Museu do Louvre.

Josefa de Óbidos (1630-1684) aprendeu o ofício com o pai, com quem trabalhou na sua oficina, e recebeu educação religiosa no Convento de Santa Ana, em Coimbra, entre 1644 e 1646, passando a residir em Óbidos a partir desse ano.

A pintora, à semelhança de seu pai, está representada no Museu do Louvre, em Paris, com o quadro “Maria Madalena”, também conhecido por “A Penitente Madalena Consolada Por Anjos”.

Ambos fazem parte de coleções dos museus portugueses, como o Museu Nacional de Arte Antiga que em 2015 teve patente a exposição “Josefa d’Óbidos e a Invenção do Barroco Português”.

Esta mostra reuniu 130 peças de pintura, escultura e artes decorativas, vindas de várias instituições nacionais e internacionais, como os museus do Prado e de Bellas Artes de Sevilha, o Mosteiro do Escorial e diversas coleções privadas, portuguesas e estrangeiras.

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