Há 28 dias, o Benfica estava nos Estados Unidos a defrontar o Chelsea nos oitavos de final do Campeonato do Mundo de Clubes. Quatro semanas depois, defrontou o Fenerbahçe no primeiro e único jogo aberto ao público, numa pré-temporada atípica, com pouco mais de duas semanas de trabalho, depois do período de férias mais curto de sempre da história dos encarnados. O objetivo era claro e passava por ter a equipa na máxima força para um exigente arranque de temporada, desde logo com a Supertaça Cândido de Oliveira, frente ao Sporting, na quinta-feira, e com o arranque das pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, com o Nice. Pela frente, na 13.ª edição da Eusébio Cup e num dia marcado pelas homenagens ao Pantera Negra, as águias tinham pela frente o Fenerbahçe de José Mourinho, que marcou presença na Eusébio Cup pela terceira vez, sempre com equipas diferentes (Inter Milão, em que venceu e até levou o troféu para a sua casa, Real Madrid e os turcos).

No que respeita ao conjunto vermelho e branco, a últimas semanas serviram para Bruno Lage, em conjunto com o diretor desportivo, Rui Pedro Braz, e o presidente, Rui Costa, arrumar a casa, com destaque para a saída de Álvaro Carreras para o Real Madrid, por 50 milhões de euros. Para além do lateral, Casper Tengstedt, Orkun Kökçü, David Jurásek e Soualiho Meité também deixaram a Luz em definitivo, com André Gomes e Adrian Bajrami a saírem por empréstimo. Em sentido inverso, chegaram a Lisboa Richard Rios (número 20), Amar Dedic (17), Rafael Obrador (3) e Enzo Barrenechea (5), sendo que Henrique Araújo (3) regressou de empréstimo e Samuel Dahl foi contratado em definitivo. Eminentes estavam, ainda, as contratações de João Félix e Franjo Ivanovic, segundo as informações que correm na imprensa desportiva nacional.

Dois e meses e meio depois do dérbi frente ao Sporting, o Benfica regressou ao Estádio da Luz com diversas novidades, a começar desde logo pelo novo relvado e a nova lotação do anfiteatro encarnado, que tem agora capacidade para 68.100 espectadores. Antes do jogo, as águias repetiram a receita do ano passado e trocaram, aquando da chegada do autocarro, a rotunda Cosme Damião pela Praça Centenário, com os jogadores a serem recebidos pelos adeptos junto à estátua de Eusébio. Com Florentino Luís, Manu Silva, Tomás Araújo e Alex Bah de fora por problemas físicos, Lage lançou de início três dos quatro reforços — Dedic, Enzo e Ríos — e contou com apenas um extremo — Kerem Aktürkoglu, o novo 7. Destaque ainda para a presença de Gonçalo Silva (80) no banco, jovem guarda-redes de 19 anos. Do outro lado, sem Anderson Talisca, que falhou o regresso à Luz por lesão, e reforços, Mourinho manteve o onze habitual, com Irfan Kahveci, Oguz Aydin e Youssef En-Nesyri no ataque.

Com o apito inicial de Hélder Carvalho confirmou-se o 4-3-3 da turma portuguesa, com Aursnes a atuar na meia-direita e Veloso a juntar-se a Barrenchea no miolo, permitindo a mobilidade de Ríos. O Benfica entrou com mais bola e dispôs da primeira ocasião, com António Silva a cabecear ao lado na sequência de um canto de Aktürkoglu (6′). Pouco depois, Nico Otamendi obrigou Dominik Livakovic a aplicar-se, na conclusão de mais um canto (12′). Na resposta, En-Nesyri entrou com perigo na área, driblou o capitão e atirou para uma defesa apertada de Anatoliy Trubin (13′). As águias voltaram a reagir de bola parada, com Vangelis Pavlidis a atirar por cima (17′). O Benfica continuou por cima perante um Fenerbahçe defensiva e talhado para a transição rápida, e nem a pausa para hidratação inverteu essa tendência. Já na reta final da primeira etapa, Veloso descobriu Pavlidis a meio-campo, o grego atraiu os centrais, rodou e isolou Aktürkoglu, que aguentou a pressão de Archie Brown e atirou a contar para o golo inaugural (37′).

Os canários amarelos não tiveram reação ao golo sofrido e, pouco depois, Dahl tirou um cruzamento para o remate de Richard Ríos, Livakovic defendeu e, na sequência do lance, Dedic cruzou rasteiro para o desvio do colombiano e de Pavlidis, com a bola a embater na perna de Brown e a terminar no fundo das redes (42′). Logo a seguir, o Benfica concedeu espaço à entrada da área e António Silva perdeu a bola, com Irfan Kahveci a recebeu na meia-lua e a atirar um remate colocado, de pé esquerdo, para o 2-1 (45′). O resultado não sofreu mais alterações até ao intervalo, que chegou depois de uma toada mais quezilenta (2-1).

Para a etapa complementar, Bruno Lage colocou em campo Samuel Soares, Leandro Santos, Leandro Barreiro e Bruma, retirando Trubin, Dedic, Enzo e Veloso, com José Mourinho a lançar Irfancan Egribayat, Yusuf Akcicek e Jhon Durán. Com Bruma na direita e Aursnes na sua posição de origem, os encarnados voltaram a entrar bem e, em mais uma combinação com Pavlidis, Aktürkoglu atirou para uma defesa com o ombro do recém-entrado guarda-redes turco (48′). A resposta do Fenerbahçe saiu dos pés de Durán, que recebeu solto de marcação à entrada da área e desferiu um grande remate que só parou no poste esquerdo da baliza de Samu (53′). Depois da ameaça, os canários amarelos voltaram a aproveitar o espaço, com Sebastian Szymanski a isolar En-Nesyri com um passe antes do meio-campo e o avançado, depois de ganhar as costas a Silva e aproveitar a má abordagem de Otamendi, a fazer o empate frente a Samu (60′).

Depois do golo, Aktürkoglu voltou a colocar à prova Egribayat, de livre, mas o guarda-redes voltou a levar a melhor (64′). Para a fase final do desafio, Lage voltou a mexer e deixou apenas os centrais em campo, colocando Obrador, Diogo Prioste, Andreas Schjelderup, Gianluca Prestianni e Araújo. Nos turcos, entraram Alexander Djiku e Bartug Elmaz. O ritmo do jogo caiu, por conta das muitas alterações, que continuaram a surgir, já que Bruma sofreu uma entorse num lance em que estava sozinho e teve de ser rendido por Tiago Gouveia. Pouco depois, Schjelderup cobrou um livre na meia-direita para o segundo poste, Otamendi apareceu sozinho a desviar para o meio, com Henrique Araújo a completar para o 3-2 (82′). Depois do golo, entraram ainda Gonçalo Oliveira e Joshua Wynder, bem como Levent Mercan, Ognjen Mimovic e Cenk Tosun. Nos descontos, Araújo ainda bisou, mas o lance acabou anulado por fora de jogo de Wynder (90+5′) e Rafael Luís e João Rego ainda entraram.

Desta forma, o Benfica conquistou a Eusébio Cup pela quinta vez, virando agora a bitola para a Supertaça, contra o Sporting (3-2). Inter Milão, Tottenham, São Paulo, Ajax, Monterrey, Torino e Lyon são os outros vencedores do troféu do Rei, todos com uma conquista.