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Depois de uma manhã em que o vento que não deu tréguas durante a noite parecia ter acalmado finalmente, as condições meteorológicas voltam a complicar o trabalho dos operacionais que combatem as chamas que lavram desde sábado no concelho de Ponte da Barca. “Há duas povoações na linha de fogo, Froufe e Ermida”, mas não há “ainda necessidade de fazer evacuação” destas localidades, resumiu na manhã desta segunda-feira o Comandante da Proteção Civil de Viana do Castelo. Um fogo em Arouca começou esta tarde, com alerta dado às 13h15 pela Proteção Civil.
O combate às chamas provocou, na tarde desta segunda-feira, ferimentos em cinco bombeiros que sofreram um despiste, avançou a RTP e confirmou o Observador junto de fonte dos bombeiros. Os quatro homens e uma mulher seguiam de Vila Nova de Tazem, no distrito da Guarda, para Ponte da Barca, para onde tinham sido acionados. Na A3, em Barcelinhos, o carro despistou-se e capotou, segundo a televisão pública. Os operacionais, todos adultos, foram assistidos no local e levados com ferimentos leves para o Hospital de Viana do Castelo.
Marco Domingues espera um “dia de muito trabalho” fruto das condições meteorológicas, mas mantém o “objetivo ambicioso” de “controlar o incêndio até ao anoitecer”.
Depois do contingente ter sido reforçado durante a noite de domingo — pelas 22h50 chegaram a estar no terreno 267 operacionais —, foi diminuindo durante a madrugada e voltou a aumentar de manhã: às 15h55, estavam no local 378 operacionais, apoiados por mais de 100 veículos e cinco meios aéreos.
Apesar de não saber se Portugal acionou apoio europeu —”não posso confirmar, nem desmentir. Compete ao Comando Nacional” —, o comandante confirma que foi ativado o protocolo de cooperação transfronteiriça, motivo pelo qual já estão a combater as chamas pelo menos quatro aviões espanhóis dos nove mobilizados antes das 10h.
“Dificuldades de acesso não há, porque acessos simplesmente não existem [acessos]”, protesta Marco Domingues. “Temos duas frentes ativas com intensidade” e uma terceira “com trabalho a decorrer favoravelmente”, acrescenta o comandante. Até ao momento, foram registados danos em infraestruturas agropecuárias.
“Ontem [domingo] ao final da tarde, começámos a sentir algum fumo negro e notava-se que estava a arder bem. Ficámos a aguardar para ver como as coisas se desenrolavam”, conta um morador que se dirigiu ao posto do comando no local, onde está montado um teatro de operações, para se sentir “mais seguro”. “Estou assustado”, admitiu também o Presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca.
O incêndio florestal na localidade de Alvarenga, concelho de Arouca, distrito de Aveiro, mobilizou 162 operacionais, 45 viaturas e nove meios aéreos. Fonte da proteção civil afirmou não haver registo de feridos nem de habitações em perigo, assinalando, contudo, que pelas 14h30 o fogo “lavrava com bastante intensidade”.
Em Sintra um outro incêndio em mato encontra-se em fase de resolução, com o alerta dado às 12h17 pela Proteção Civil. Já o de Viseu conta com 70 operacionais acompanhados por 20 meios terrestre e um meio aéreo.
Devido ao aumento das temperaturas e à intensidade do vento, “a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil definiu aumentar o seu estado de prontidão para nível 3 para toda a região Norte, região Centro, para a subregião do Médio Tejo, [da região] de Lisboa e Vale do Tejo, e para [a subregião do] Alto Alentejo, da região do Alentejo”, precisou, citado pela Lusa, em conferência de imprensa, um dos adjuntos de operações da ANEPC, Carlos Pereira.
Carlos Pereira não quis decifrar a origem dos incêndios ocorridos nos últimos dias, remetendo essa investigação para as autoridades competentes, como a GNR. Em Ponte da Barca, onde ainda não houve necessidade de evacuar casas ou aldeias, já estão a ser utilizados meios aéreos espanhóis. Apesar disso, acrescenta, não “está equacionado” pedir apoio aos países europeus, por ainda não ter sido esgotada a “capacidade operacional dos meios nacionais”.
???? Lindoso (Ponte da Barca, Portugal)
• Afecta ao Parque Natural Baixa Limia Serra do Xurés-Gerês.
•Medios españoles e galegos actuando na zona.
-> 2 FOCA ✈️✈️
-> Helicóptero de Coordinación Xunta 2.2 ????
-> Brigada helitransportada Xurés ????
-> Formación ACT Támegas ????️????️ pic.twitter.com/82N4MhhVtd— Incendios Galicia (@LumesGal) July 28, 2025
Autarca considerou três meios aéreos “escassos” para combater chamas em Ponte da Barca
No domingo, Augusto Marinho tinha pedido a mobilização de mais meios, sobretudo aéreos. Em declarações à Lusa, apelou para o reforço dos três meios aéreos a operar cerca das 17h39, que “considerou escassos”.
“Precisamos de mais meios. Este terreno é acidentado e são necessários mais meios aéreos, urgentemente porque o combate apeado é muito difícil”, salientou, referindo que “durante a tarde foram solicitados mais meios aéreos, mas sem resultado”, disse o autarca de Ponte da Barca. “Só quando fogo começou a aproximar-se das casas é chegaram”, acrescentou.
Com o cair da noite, os meios aéreos não podem atuar numa área de acessos difíceis e com ventos fortes. No domingo chegaram a estar operacionais oito meios aéreos de combate a este fogo que está dentro do perímetro do Parque Nacional da Peneda Gerês, no distrito de Viana do Castelo.
Durante o combate, no domingo, uma equipa de sapadores florestais esteve rodeada pelo fogo e um bombeiro foi levado para o Hospital de São João com queimaduras na cara.
Augusto Marinho referiu que o “a Estrada Nacional (EN) 203 está cortada e que o fogo está à porta das casas”, estando a ser ponderada “a retirada das pessoas das suas habitações”. “O fumo é intenso e não consigo entrar no lugar de Parada [Parque Nacional da Peneda-Gerês]. Lanço um apelo para que venham mais meios aéreos socorrer as populações de Parada, no Lindoso”, frisou.
Augusto Marinho indicou que o fogo, que deflagrou às 21h47 de sábado, chegou a estar mais controlado, “mas de um momento para o outro, com o vento e a dificuldade do terreno descontrolou-se”. “Este é o momento de combater o fogo, mas depois não se pode adiar uma reflexão sobre os horários em que deflagram os incêndios florestais e a intensidade que atingem”, disse.
Durante a tarde, o comandante dos bombeiros voluntários de Ponte da Barca, Carlos Veloso, indicou que os operacionais estavam a tentar evitar que as chamas saltassem o rio Lima e atingissem uma área habitacional na outra margem, em Arcos de Valdevez. Em declarações ao JN, Carlos Veloso disse ainda que o objetivo era tentar impedir que as chamas chegassem à serra do Soajo no Alto Minho.
A menos de 50 quilómetros, também na região do Alto Minho, lavrou outro incêndio, em Monção. As chamas deflagraram no domingo, pelas 17h00, e foi dado como concluído na madrugada desta segunda-feira. No local ainda permanecem 66 operacionais e 21 veículos de prevenção.
Contudo, esta madrugada, o fogo não deu tréguas no Norte de Portugal, registando-se novo incêndio, que deflagrou pelas 4h00, em Valpaços, distrito de Vila Real, em Trás-os-Montes. De momento, combatem as chamas 11 operacionais, apoiados por quatro veículos.
O fogo que lavrou com intensidade em Aviz no distrito de Portalegre numa zona de pasto e agrícola entrou em resolução.
[Notícia atualizada pelas 12h3o com nova informação sobre o número de meios no incêndio de Ponte da Barca; as declarações da Proteção Civil; novos dados sobre as chamas em Monção e sobre o fogo em Valpaços]