A controvérsia em torno do Boeing 747 oferecido pelo Qatar aos EUA parece estar longe de chegar ao fim. Depois das preocupações levantadas com a segurança do avião e com a eventual violação da Constituição norte-americana, o New York Times avança que o Pentágono poderá estar a preparar-se para renovar o aparelho por um valor que poderá ascender aos 800 milhões de euros, de forma a satisfazer a pretensão de Donald Trump de poder utilizar o avião antes do final do seu mandato, em janeiro de 2029.
Em causa está uma verba que foi incluída, nas últimas semanas, no orçamento do Pentágono, destinada a um projeto classificado. Segundo os analistas, essa verba — de 934 milhões de dólares (cerca de 804 milhões de euros) — deverá ser utilizada para renovar o Air Force One oferecido pela família real do Qatar, em maio. Segundo o New York Times, os fundos para renovar o avião foram desviados de um programa do Pentágono destinado a atualizar os mísseis nucleares terrestres dos EUA.
O ministro da Defesa do Qatar e o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, assinaram um memorando de entendimento há algumas semanas, abrindo caminho para que a renovação do avião pudesse começar em breve numa instalação militar no Texas, conhecida por albergar projetos secretos de tecnologia. O Boeing 747 está estacionado há semanas no aeroporto de San Antonio, precisamente no estado do Texas.
Os sistemas de comunicação do avião e os motores precisam de ser melhorados, sendo que o Boeing 747 (avaliado em 400 milhões de dólares) também terá de ser equipado com sistemas anti-mísseis, de forma a poder ser usado por Trump. Os EUA também terão de verificar a existência de qualquer equipamento de espionagem que o Qatar possa ter colocado no avião, de forma a preservar a segurança do Presidente e da sua equipa. A renovação total do avião poder demorar entre um e dois anos.
A oferta do Qatar surgiu depois que Trump se ter queixado por diversas vezes dos atrasos da Boeing para fornecer dois novos aviões Air Force One para substituir os modelos atuais, que estão envelhecidos. Os dois novos aviões têm um custo estimado de 5,3 mil milhões de dólares (cerca de 4,5 mil milhões de euros) e podem não estar prontos antes de Trump deixar o cargo. Confrontado pelos jornalistas, o Presidente dos EUA justificou o facto de ter aceitado a oferta do emirado com os atrasos da Boeing para fornecer estes novos aviões para uso presidencial.
Trump disse ainda que seria “estúpido” não aceitar o avião, isto já depois de ter sido alvo de críticas por alegada violação de uma das cláusulas do I Artigo da Constituição norte-americana, que estabelece que nenhum presidente deve aceitar um presente de um “Rei, Príncipe ou Estado estrangeiro” sem a permissão do Congresso. Em maio, o Pentágono saiu em defesa de Donald Trump, afirmando que o avião foi aceite “de acordo com todas as regras e regulamentos federais”.
Além de questões legais e éticas, a utilização de um avião doado por uma potência estrangeira levanta igualmente sérias preocupações em matéria de segurança, que agora terão de ser resolvidas pelas autoridades norte-americanas.
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