Não é um restaurante de tapas e, muito menos, um restaurante de fine dining. Quase 10 anos depois de ter aberto o espaço original em Madrid, o Fismuler chega a Lisboa, naquela que é a primeira viagem para fora de Espanha. No novo hotel ME Lisbon by Meliá, assume-se, a partir desta sexta-feira, 1 de agosto, enquanto um restaurante de produto, onde o conceito de partilha domina — com o grande escalope no centro.
Com duas casas em Espanha — uma na capital e outra em Barcelona — o Fismuler (lê-se “fizzmuler”) é um restaurante da família La Ancha que foi agora desafiada pela Meliá para se juntar a este projeto que abre portas na esquina da Avenida Fontes Pereira de Melo com a Avenida António Augusto Aguiar. De inspiração escandinava, também o peculiar nome conta uma história vivida pelos restaurantes austríacos: quando os tios do chef Nino Redruello viajaram até à Áustria comeram por lá um schnitzel nos arredores de Viena. No regresso, tanto falaram daquela espécie de panado que Nino Redruello não descansou enquanto não encontrou o restaurante onde o provaram. Sem que se conseguissem lembrar do nome, foi a tia que afirmou ser algo como “fizzmuler”.
▲ O espaço do Fismuler Lisboa tem a cozinha aberta para a sala
JavierPenas
O nome ficou e deu origem ao primeiro Fismuler de La Ancha pela mão do próprio Nino já depois de ter passado pelas cozinhas do Arzak, El Bulli e Lindsay House. Na carta de Lisboa, esse escalope de porco não falta e é mesmo o grande protagonista desta casa. Preparado na mesa junto dos clientes, apresenta um espetáculo de ovo e lascas de trufa (29 euros) cortado depois em quatro e chegando ao prato quase como se fosse uma fina fatia de pizza servida com puré. Mas antes deste escalope, há todo um desfile de pratos que chegam à mesa. Com um menu focado no que as estações têm para oferecer, a lista impressa diariamente muda com regularidade, mas por lá se vão mantendo uns quantos clássicos do restaurante original, como acontece também com a dourada de esteiro (18 euros) que, quase como carpaccio, é servida com amêndoa tostada, uva tinta, azeite virgem extra, azeite fumado e pó de sriracha, e com a bocata de orelha de porco crocante prensada em pão de focaccia com salsa brava (7 euros), que sofre algumas variações, podendo virar bocata de corvina.
No meio de perto de 650 pratos “provados, testados e vendidos” ao longo de quase 10 anos, em Lisboa há espaço para alguma portugalidade: aqui a tortilha é de bacalhau e pimentos assados (19 euros) enquanto que por Espanha já contou com calamares ou tinta de choco. Por entre esta carta, sempre a pensar na partilha, há zamburinha com emulsão de piparras (9 euros), tarte tatin de alho francês e mortadela trufada (21 euros), paella de lentilhas, gambas e agrião (23 euros), lírio, aguachille e espinafres (22 euros) e arroz malandro de choco com algas e caranguejo frito (29 euros).
Curioso será se dissermos que estes últimos pratos são, para o povo espanhol, considerados as entradas. Se o português não ficar bem por aqui, há também principais que partilham a zona da carta com os escalopes. Corvina com couve e kimchi caseiro (27 euros), bochecha de novilho a baixa temperatura com pesto de ervas (28 euros) e bife tártaro fismuler com torrada de massa-mãe (28 euros). A acompanhar, há uma vasta seleção de vinhos maioritariamente portugueses que pode ser consultada tanto na carta como na garrafeira exposta neste grande espaço de ambiente industrial com a cozinha aberta para a sala.
▲ A tortilha de bacalhau e pimentos assados e a paella de lentilhas com gambas e agrião
É de lá que chega também a clássica tarta de queso fismuler (8 euros), trazida também dos restaurantes irmãos, feita com três tipos de queijo: fumado, fresco e azul. Já provada, segue-se para o sundae caseiro com espuma de sésamo negro e arandos (6 euros), a fresca espuma de coco, talharim de manga com gelado de aipo, lima e gengibre (8 euros), a tarta fluida de chocolate (8 euros) e o pudim de leite fumado com ananás dos Açores picante (7 euros).
À frente da cozinha está o chef residente Nuno Dinis — com o chef executivo da família La Ancha, Manuel Villalba, como braço direito — cuja equipa toma ainda conta dos pequenos-almoços que serão servidos tanto aos hóspedes do ME Lisbon by Meliá como a passantes. O Fismuler Lisboa está aberto todos os dias da semana para almoço e para jantar, que, servido a partir das 19h00, é sempre acompanhado por música ao vivo.