Praias de areia branca, falésias escarpadas, mantos de verde até perder de vista e aldeias de pescadores recônditas que prometem fascinar com o seu charme rústico para lá de lagos e do castelo de Durobin . Esta é apenas uma das formas de descrever a rota turística North Coast 500 (NC 500), de paisagens costeiras “deslumbrantes”. Porém, ao fim de 10 anos, e apesar de todas as vantagens que o fluxo turístico trouxe, há quem fale de desrespeito pela população, poluição e destruição de património.
As opiniões dividem-se entre o sonho do fantástico percurso de 830 quilómetros e os que vêm a NC 500 como uma porta escancarada que traz as piores facetas do setor às comunidades rurais das Terras Altas. Contudo, é impossível negar que a rota cumpriu o seu objetivo original: um estudo da Glasgow Caledonian University, publicado em 2020, aponta uma receita de 22,8 milhões de libras (equivalente a cerca de 26,3 milhões de euros) para a economia local só no ano de 2018.
Não obstante, as queixas continuam a amontoar-se. Em entrevista ao The New York Times, Robin Pettigrew, residente da aldeia de Lochcarron, recorda que a situação “começou a ficar descontrolada em 2020”. O também administrador da página de Facebook “NC 500 the Dirty Truth” concorda que “o turismo responsável e sustentável é bom para a economia das Terras Altas”, mas lamenta que “alguns grandes negócios promovam demasiado a NC 500 e não se responsabilizem pelos seus danos colaterais”.
“Vi uns idiotas a cortar espinheiros antigos para fazer fogueiras”, declara Pettigrew, que disse ainda ter visto condutores de autocaravanas a despejar resíduos em sistemas de drenagem de águas pluviais e motociclistas a defecar no seu quintal. A estas queixas acrescem outros casos sérios, como o bloqueio de veículos de emergência médica ao longo do trajeto por causa do aumento do trânsito, como se lê no The Press and Journal.
O The Scotsman enumera as várias críticas dos habitantes, sobretudo no que diz respeito ao autocaravanismo, e avança que as comunidades ao longo do trajeto circular —a North Coast 500, que com 830 quilómetros, foi desenhada em 2015, começa e acaba na cidade de Inverness e dá à volta à costa do norte do país — não foram consultadas quanto à sua criação.
Por sua vez, a agência nacional de turismo, VisitScotland, admite que “a atenção global para a rota criou alguns desafios”. Citada pela CNN, a empresa diz que está a tentar alcançar um “equilíbrio entre os benefícios que o turismo traz e garantir que as comunidades se sentem confortáveis e capazes de receber visitantes”. Desde 2018, a VisitScotland alocou 20 milhões de libras (equivalente a cerca de 23 milhões de euros) ao desenvolvimento de infraestrutura de turismo rural. Nesta iniciativa estão incluídos vários projetos na NC 500 — a que alguns já chamam a Route 66, numa alusão à icónica estrada dos Estados Unidos da América —, como parques de estacionamento, casas de banho públicas e parques de autocaravanismo.
Texto editado por Dulce Neto