A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) concluiu que o Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM não atendeu as chamadas de pedido de socorro nem ligou de volta (o chamado callback), no caso de um idoso que morreu em Matosinhos durante a greve do INEM de 2024. Apesar de os inspetores sublinharem que esta situação atrasou o socorro à vítima, dizem também que não foi encontrado um nexo de causalidade entre o atraso e a morte.

“Concluiu-se que o CODU não atendeu as chamadas de pedido de auxílio e não efetuou callback, o que atrasou o auxílio à vítima. Não obstante, não é possível o estabelecimento de nexo de causalidade entre esse atraso e o desfecho fatal, tendo a peritagem médica referido que numa paragem cardíaca, em doentes com idade superior a noventa anos, a taxa de sobrevida é reduzida e o desfecho seria provavelmente semelhante mesmo em condições otimizadas”, refere a nota do IGAS, enviada ao Observador.

O caso remonta a novembro de 2024, quando a família de um homem de 92 anos, residente em Matosinhos, contactou o INEM perante um quadro de paragem cardiorrespiratória. À RTP, o comandante dos bombeiros voluntários de Matosinhos-Leça relatou na altura que “terá havido dificuldade” no contacto com o INEM”. “Estiveram perto de 30 minutos a ligar ao INEM. O desfecho não poderia ser outro”, disse António Amaral. Agora, a IGAS confirma que as chamadas não foram atendidas, num dia em que decorria uma greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, responsáveis pelos atendimentos nos CODU.

A IGAS adianta que o relatório com as conclusões relativas a este caso foi remetido ao conselho diretivo do INEM, à Unidade Local de Saúde de Matosinhos, ao Ministério Público (comarca do Porto) e ao gabinete da ministra da Saúde, para conhecimento. Este é já o décimo — dos 12 relatórios relativos a mortes que ocorreram durante a greve no INEM—  a ser concluído pela IGAS. Em dois dos casos, as falhas no socorro tiveram relação direta com as mortes.

A 4 de novembro de 2024 coincidiram duas greves que originaram atrasos no atendimento por parte do INEM: a greve às horas extraordinárias dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (TEPH) e a greve da Função Pública.