Depois da queda e consequente abandono no Tour, João Almeida começou a Vuelta onde surge como um dos favoritos com um tranquilo 71.º lugar, sendo que Jasper Philipsen venceu a etapa inaugural ao sprint e tornou-se o primeiro a vestir a tão pretendida camisola vermelha.

“É um momento especial, porque traz a camisola vermelha. Os companheiros colocaram-me perfeitamente, ganhei vantagem e consegui ganhar. Já estreei a camisola amarela no Tour, vou recordar sempre esta vitória”, explicou o belga da Alpecin-Deceuninck depois de subir ao pódio em Novara, ainda em Itália, recordando que chegou a liderar a classificação geral da prova francesa antes de desistir devido a uma queda.

Hugo foi um herói até Philipsen encontrar a sua Calle: sprinter vence primeira etapa da Vuelta, João Almeida chega no pelotão

Este domingo e ainda em território italiano, a segunda etapa ligava Alba e Limone Piemonte ao longo de 159,6 quilómetros com 1.884 metros de ascensão total. Apesar de maioritariamente plano, o percurso contava com subidas na ponta final, com quilómetros com inclinação de 5% em direção à estação de esqui de Limone e a meta no fim de uma contagem de montanha de segunda categoria. Ou seja, muito resumidamente, era quase certo que Jasper Philipsen iria perder a camisola vermelha ainda este fim de semana.

“Não podemos esquecer-nos do João Almeida. Ele tem-se preparado especificamente para isto também. É uma subida perfeita para ele desde que caiu no Tour. Estava numa forma incrível. Quando acontece um problema que não é muito grave estando em ótima forma, normalmente voltas extremamente bem. Recupera-se mais rápido porque já se está em boas condições. Sim, o Almeida também é candidato. Alguém me enviou no Instagram uma citação de que não gostei, de que ele ficou dez dias sem correr depois da queda no Tour. Parece mau, acho eu, mas se considerarmos que ele estava em excelente forma antes… Talvez uma pausa de uma semana e meia em julho antes de aumentar o ritmo para a Vuelta não seja a pior coisa. Mas vamos ver”, disse Johan Bruyneel, antigo ciclista belga, no podcast The Move.

Já o próprio ciclista português, antes da etapa desde domingo, reconhecia que era “diferente” abordar a Vuelta depois da queda no Tour. “Claro que recuperar de um problema nunca é fácil, mesmo se a preparação não seja nada de especial. Pelo menos no ano passado não tive estes obstáculos. Mas acho que é ok, acho que vai correr tudo bem. Vamos dia a dia e ver como corre. Ficar com a camisola vermelha hoje? Quem sabe? Acho que não, mas nunca se sabe! Claro que vou dar o meu melhor e tentar pelo menos não perder tempo para os outros candidatos. Vamos ver como corre”, atirou o atleta natural de A-dos-Francos.

Assim, este domingo e numa etapa com média de velocidade de cerca de 42 km/h, Jonas Vingegaard deixou uma clara demonstração de força no sprint final e não deu grande hipótese nos últimos 200 metros, acelerando para vencer em Limone Piemonte e ficar com a camisola vermelha. Giulio Ciccone e David Gaudu completaram o pódio, com o italiano da Lidl-Trek a ser o único que ainda tentou perseguir Vingegaard, e João Almeida acabou por ficar no quinto lugar e ainda atrás de Egan Bernal depois de se ter inserido no grupo que chegou primeiro à meta — estando agora no 12.º lugar da classificação geral, a 12 segundos do líder.