Os construtores europeus de veículos, uns mais do que outros, estão a sentir algumas dificuldades em lidar com a nova realidade do mercado, pois se por um lado as novas regulamentações europeias os obrigam a investir nos veículos eléctricos — apesar de os chineses terem adoptado os eléctricos antes, o que lhes conferiu grande vantagem —, por outro lado, as necessidades dos clientes e a maior concorrência estão a impedi-los de escoar a produção e a prejudicar a rentabilidade. Há excepções e, entre elas, a Bugatti é o melhor exemplo, com este construtor do Grupo Volkswagen a orgulhar-se de ter toda a produção vendida até 2029, algo que todos os fabricantes invejam.
Bugatti mostra Tourbillon, um PHEV sucessor do Chiron com 1800 cv
A Bugatti é um construtor muito especial e, desde que passou a integrar o colosso germânico (em 1998), concebe de cada vez apenas um só veículo. O primeiro foi o Veyron (2005), de que foram produzidas 450 unidades, a que se seguiu o Chiron (500 unidades) em 2016 e o Tourbillon, revelado em 2024, começará a ser entregue em 2026. A base (chassi e mecânica) de cada um é utilizada para produzir um sem-número de versões especiais e séries limitadas que, por serem consideravelmente mais caras devido à sua maior exclusividade, fazem disparar a rentabilidade da marca localizada em Molsheim, França.
Quando a Bugatti anuncia que tem a produção esgotada para os próximos quatro anos não deixa de parecer estranho, pois todos os Chiron já foram fabricados e entregues aos seus clientes, tendo o último saído da linha de produção em final de 2024. Hoje a marca francesa está apostada em fabricar os dois últimos modelos de produção limitada com base no Chiron, todos eles já com comprador, ou seja, o Tourbillon, o primeiro modelo que troca o tradicional motor W16 pelo novo V16 híbrido plug-in de que o construtor vai produzir 250 unidades, e o Bolide, o mais ousado e desportivo dos Bugatti que apenas se pode utilizar apenas em pista e de que vão fabricar 40 unidades.
Este Bugatti Bolide gasta 80 l/100km e destrói um jogo de pneus em 60 km
Mas se tudo está garantido até 2029, as dúvidas que pairam no ar têm a ver com os anos seguintes, uma vez que antes do final da década a marca tem de ter definido e prestes a iniciar a produção o seu primeiro modelo 100% eléctrico. Para o conseguir, o Grupo VW já “ofereceu” a gestão da Bugatti à Rimac, um pequeno especialista croata em superdesportivos eléctricos, que viu mesmo o seu fundador, Mate Rimac, ser nomeado CEO do construtor francês. A instalação de mecânicas 100% eléctricas em superdesportivos está já a provocar suores frios a construtores como a Ferrari e a Lamborghini, pelo que o sentimento não deve ser muito diferente na Bugatti. Apesar desta poder contar com a ajuda da Rimac.