A Bugatti já produziu várias centenas de hiperdesportivos com base no Chiron, mas nenhum tão extravagante quanto o Bolide, em que tudo foi modificado e optimizado para o tornar mais eficaz e rápido em pista, o único local em que pode circular. Mas agora que o modelo com 1600 cv começou a ser entregue aos primeiros 40 clientes que o conseguiram encomendar e pagar 4 milhões de euros pelo prazer, começamos finalmente a conhecer alguns dos segredos do Bolide.

O “cicerone” para esta visita guiada ao mais desportivo dos modelos da Bugatti é Manny Khoshbin, um iraniano que chegou aos EUA em 1984, com 14 anos, tendo começado por dormir dentro de um automóvel com a sua família. Hoje é presidente e CEO da sua imobiliária californiana Khoshbin Company. Além de bilionário, Manny é um youtuber com mais de 1,75 milhões de seguidores, e foi a partir do seu canal que tivemos acesso às surpresas (boas e más) que a sua mais recente aquisição, o Bolide, lhe trouxe.

A maior surpresa para Khoshbin foi o facto de os quatro pneus do Bugatti, que custam “apenas” 8.000€, não aguentarem mais de 60 km em pista, antes de entregarem a alma ao criador e comprometerem a segurança do piloto e do carro. Mas é preciso ter em conta que o Bolide não monta uns pneus quaisquer ou até mesmo pneus de estrada, por muito bons que sejam, pois estes tendem a aquecer em demasia e degradam-se rapidamente. Este Bugatti de pista recorre a slicks (pneus de competição sem rasto e específicos para piso seco) da Michelin, mas talvez por serem demasiado macios, para não obrigarem a um certo de período de aquecimento antes de andar a fundo, deterioram-se ao fim de 60 km. Isto significa que numa pista curta, como o autódromo do Estoril, o condutor consegue “torrar” 8.000€ em apenas 14 voltas, mas se o objectivo for rodar numa pista mais extensa, como o Nürburgring, não consegue realizar três voltas ao ataque. Tudo devido a um cocktail explosivo de elevada potência (1600 cv), um peso de 1450 kg e um apoio aerodinâmico que permite aplicar uma força descomunal nos pneus. Menos mal que a Bugatti desistiu de puxar pelo W16 com oito litros e quatro turbocompressores até aos 1850 cv, como estava inicialmente previsto, pois nesse caso os slicks teriam uma vida ainda mais curta…

Manny Khoshbin, que foi dos primeiros norte-americanos a receber um Bolide, verificou ainda que se os pneus durassem mais, então seria a falta de gasolina que o obrigaria a interromper a “brincadeira” em pista. Isto porque o Bolide monta um depósito com apenas 72 litros, em vez dos 100 litros do Chiron, e num ritmo vivo em pista, o consumo do motor com 16 cilindros ronda 80 l/100 km, o que significa que, por exemplo no Nürburgring, o Bolide seria apenas capaz de dar mais uma volta ao circuito — além das três que os pneus aguentam — antes de o motor começar a falhar. Veja o vídeo do youtuber e descubra que mais surpreendeu Khoshbin.