A Comissão Europeia multou a Google em 2,95 mil milhões de euros esta sexta-feira. Em causa está o negócio de tecnologia de publicidade da tecnológica norte-americana.

A Comissão Europeia considera que a Google abusou da posição dominante no mercado de tecnologia para anúncios (adtech) e que retirou disso uma vantagem em relação às rivais.

“Quando os mercados falham, as instituições públicas devem agir para prevenir que os concorrentes dominantes abusem do seu poder”, diz em comunicado a comissária Teresa Ribera.

A comissária refere que a publicidade digital “é a coluna vertebral da economia online” e que a Google “controla muitas das ferramentas que fazem a indústria funcionar”.

Como resultado desta prática que a Comissão considera ser ilegal os anunciantes enfrentaram custos mais altos de marketing, que “provavelmente foram imputados aos consumidores europeus através de preços mais altos nos produtos e serviços”. Também é considerado que as práticas usadas pela Google “reduziram as receitas para os publishers, o que os poderá ter levado a baixar a qualidade de serviço e a custos de subscrição mais altos para os consumidores”.

A Comissão Europeia salienta que, tendo em conta que “foi a terceira vez que a Google infringe as regras do jogo”, foi aumentada a coima a aplicar. 

Assim, além da multa, a Comissão também “ordenou à Google que pare com as práticas ilegais e ponha um fim ao seu inerente conflito de interesses na indústria de adtech”, diz Teresa Ribera.

Google salva-se da divisão. Juiz decide que empresa pode manter Chrome, mas vai ter de partilhar dados com rivais

A Comissão Europeia deu um prazo de 60 dias à Google para que trace um plano sobre como pretende parar estas práticas. “(…) Se falhar na proposta de um plano viável, a Comissão não vai hesitar em impor um remédio apropriado.”

A Google já revelou que pretende recorrer da decisão e da multa. “Não há nada anticoncorrência em disponibilizar serviços para os anunciantes e há mais alternativas do que nunca aos nossos serviços”, declara Lee-Anne Mulholland, diretora global de temas regulatórios da Google, citada pelo Wall Street Journal.