Era e ainda é um dos poucos recordes que Cristiano Ronaldo tem por alcançar, mas está cada vez mais perto. Ao assinar o segundo golo de Portugal na vitória desta terça-feira contra a Hungria, em Budapeste e de grande penalidade, o avançado português marcou pela 39.ª vez em apuramentos para o Campeonato do Mundo e igualou Carlos Ruiz, da Guatemala, que era até aqui o recordista absoluto.

Os húngaros foram tudo menos um doce, mas com Cancelo ninguém faz farinha (a crónica do Hungria-Portugal)

Ronaldo chegou aos 141 golos pela Seleção Nacional, o terceiro nesta fase de qualificação, e marcou com Portugal pelo quinto jogo consecutivo — um registo que alcançou pela terceira vez na carreira e que não acontecia desde 2019. Por fim, o capitão português juntou a Hungria à lista de maiores vítimas no que diz respeito a seleções, com sete golos marcados e igualando Suécia, Lituânia e Arménia, sendo que o Luxemburgo segue destacado com 11.

Já João Cancelo, que chegou aos 12 golos pela Seleção Nacional e também marcou de forma consecutiva, tornou-se o defesa português mais goleador de sempre: superou Bruno Alves, que registou 11, e distanciou-se de Fernando Couto (oito), Pepe (oito) e Humberto Coelho (seis). Em termos coletivos, Portugal somou a segunda vitória em duas jornadas na fase de qualificação para o Campeonato do Mundo, algo que não tinha alcançado nos últimos dois apuramentos (2018 e 2022).

Depois do jogo, na zona de entrevistas rápidas, Roberto Martínez disse que “todos os jogos são diferentes”. “Mas encontrámos as soluções que acho importantes. A Hungria tem um contra-ataque muito bom, defendemos muito bem em geral, controlámos o jogo. A posse de bola foi muito boa. Dois remates, dois golos. É difícil quando damos dois golos. Adorei a atitude, o foco. Faltou em momentos controlar o jogo melhor, levar o jogo onde queremos porque a Hungria tinha ataques rápidos. É um jogo perfeito para melhorar e ajustar aspetos. Em geral, o foco foi incrível. Os jogadores que entram ajudam, fazendo a diferença. Uma vitória importante”, explicou o selecionador nacional, que está agora na liderança destacada do Grupo F com seis pontos e à frente de Arménia, Hungria e Irlanda.

“Mostrámos uma personalidade incrível, quando sofremos um golo contra a Alemanha mudámos a mentalidade, agora podemos sofrer e acreditamos naquilo que podemos fazer. Aconteceu com a Espanha também. Temos uma resiliência que é muito importante para construir o resto do jogo. Conhecemos a Hungria, a Alemanha e os Países Baixos não marcaram aqui em bola corrida. Marcámos dois golos em bola corrida. Foi um desempenho muito bom. Não controlámos o ritmo na primeira parte, continuámos a tentar contra-atacar e isso ajudava a Hungria. Ajustámos o ritmo e algumas posições. A polivalência foi mais uma vez importante neste estágio, poder utilizar jogadores em posições diferentes e poder controlar o jogo faz com que seja difícil para o adversário. Há aspetos que precisamos de avaliar e melhorar”, acrescentou.

Por fim, o treinador espanhol rejeitou a ideia de Portugal ter sofrido dois golos em transição rápida devido à presença de médios de raiz na linha defensiva. “Acho que a Hungria teve um canto e dois remates. A Hungria tem qualidade, tem um jogador como Szoboszlai que ajuda a equipa, se nós no aspeto defensivo foi um canto e dois remates é porque defendemos bem. Ter o Rúben Neves ajudou muito. Em geral, se a Hungria só teve um canto e dois remates é porque a equipa defendeu bem, mas num espaço diferente que os comentadores podem avaliar”, terminou.

Já Bernardo Silva, na zona de entrevistas rápidas, sublinhou que este foi um jogo “muito importante”. “Tinha dito que talvez fosse o mais importante, por ser fora. Mostraram que são uma equipa difícil, muito forte no contra-ataque. Cometemos alguns erros, há algumas coisas em que temos de melhorar, mas estamos muito felizes”, explicou o internacional português.

“É sempre difícil encontrar o equilíbrio contra uma equipa que defende baixo. Acho que podíamos em algumas situações tê-lo feito melhor, mas é complicado encontrar isso. Somos uma equipa ainda em crescimento, uma equipa jovem, mas que mais uma vez neste estágio deixou notas muito positivas, com seis pontos. Isso é o mais importante e demos um passo gigante para garantirmos a nossa qualificação para o Mundial”, acrescentou. No próximo duplo compromisso, em outubro, Portugal recebe a Irlanda (dia 10) e a Hungria (dia 14) em Alvalade.