A última manutenção mensal feita ao Elevador da Glória realizou-se no dia 1 de setembro, dois dias antes do descarrilamento que provocou a morte a 16 pessoas. É esta a informação que a Carris disponibilizou num documento a que o Expresso teve acesso.
De acordo com o relatório da empresa, a manutenção foi feita pela MNTC — Serviços Técnicos de Engenharia, a empresa contratada pela Carris que fazia há seis anos a manutenção dos ascensores do Lavra e da Bica e do elevador de Santa Justa, em Lisboa.
A revisão feita no primeiro dia de setembro, durou cerca de duas horas e envolveu quatro procedimentos: a lubrificação com óleo do cabo de equilíbrio do elevador (o que, de acordo com o relatório preliminar, cedeu no ponto de fixação), um teste elétrico de funcionamento do cabo e outro da roda volante do ascensor e ainda uma inspeção visual.
Relatório aponta possível causa do acidente: cabo do elevador cedeu no ponto de fixação
Nesta manutenção, segundo o documento, não foi detetada nenhuma anomalia que incluísse “ruído, empenos visíveis, parafusos ou porcas desapertados”.
A empresa externa MNTC, também conhecida por Main, é obrigada a fazer revisões diárias, semanais, mensais e semestrais, sendo que cada uma tem procedimentos diferentes. A operação de manutenção foi externalizada há anos e, há uma semana, o presidente da Carris explicou que isso acontece “porque exige conhecimentos muito específicos” que existem em empresas. Pedro Bogas sublinhou que “não são muitas que existem no mercado” e que são “especializadas e têm pessoas especializadas e certificadas para este tipo de manutenção”.