A OpenAI está a colaborar com uma produtora e um estúdio criativo especializado para criar uma longa-metragem de animação, denominada “Critterz”, que visa demonstrar as novas capacidades da inteligência artificial generativa (IA).
Os parceiros do projeto pretendem realizar a primeira exibição durante o próximo Festival de Cannes, anunciou esta terça-feira a produtora britânica Vertigo Films, subsidiária da Federation Studios, sediada em Paris.
Os organizadores do Festival de Cinema de Cannes não responderam de imediato a um pedido de reação pela agência France-Presse (AFP).
“Critterz”, que tem lançamento mundial também previsto para 2026, baseia-se no universo da curta-metragem com o mesmo nome, lançada em abril de 2023 e concebida com IA por Chad Nelson, que entretanto se juntou à OpenAI como especialista criativo.
O argumento da longa-metragem foi escrito por dois dos argumentistas do filme de sucesso “Paddington no Peru”, lançado no início deste ano e que arrecadou 171 milhões de dólares nas bilheteiras globais, segundo o site Box Office Mojo.
A Federation Studios está a financiar o projeto, que envolverá cerca de trinta pessoas, com um orçamento de “menos de 30 milhões de dólares” (25,5 milhões de euros, à taxa de câmbio atual), informou a Vertigo, sublinhando um valor “muito inferior ao custo médio dos filmes de animação”.
Por exemplo, a Pixar, subsidiária da Disney, gastou 200 milhões de dólares (170 milhões de euros) em “Divertida-Mente 2”, o filme número um nas bilheteiras globais de 2024 (arrecadando 1,7 mil milhões de dólares ou 1,45 milhões de euros).
“A OpenAI pretende provar que a inteligência artificial generativa pode produzir filmes mais rápidos e baratos do que Hollywood faz hoje”, pode ler-se ainda na nota de imprensa.
A OpenAI está a fornecer à equipa as suas “ferramentas e recursos de computação“.
Conhecida do público em geral principalmente pela sua interface ChatGPT, a startup lançou também um software de geração de imagens com tecnologia de IA, primeiro o Dall-E em 2021 (conversão de texto em imagem) e, de seguida, o Sora em 2024 (conversão de texto em vídeo).
Os parceiros pretendem produzir uma longa-metragem de animação em nove meses “em vez dos três anos que são normalmente necessários”, explicou James Richardson, cofundador da Vertigo Films.
A produção irá contratar artistas para criar desenhos que serão utilizados para alimentar modelos de inteligência artificial generativa.
O filme será “amplamente concebido com IA”, segundo a Vertigo.
Critterz não será a primeira longa-metragem de animação feita com IA generativa.
Em 2024 foi lançada “DreadClub: Vampire’s Verdict”, considerada a primeira longa-metragem de animação com IA e produzida com um orçamento de 405 dólares (344 euros), assim como “Where the Robots Grow”.
Ambos os filmes, bem como a curta-metragem “Critterz”, receberam uma receção bastante fria por parte da crítica e do público, lançando criticas quer pelos gráficos, quer pela narrativa.