A consulta pública do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da nova linha do Metro do Porto entre o Estádio do Dragão, no Porto, e o Souto, no centro de Gondomar, terminou com 84 participações, consultou esta quarta-feira a Lusa.

De acordo com a informação disponível no portal público participa.pt, a consulta aberta entre os dias 5 de agosto e 15 de setembro recebeu 84 participações, estando agora a aguardar uma avaliação ambiental por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

A análise será relativa ao estudo, podendo depois ser lançado o concurso público de conceção-construção pelo Metro do Porto, tendo o projeto de execução de ser novamente validado pela APA numa etapa posterior, já depois de elaborado pela empresa ou consórcio vencedor.

A viagem de metro entre o Souto, no centro de Gondomar, e o Estádio do Dragão, no Porto, vai demorar 20 minutos, incluindo paragens de 30 segundos nas estações, disse fonte do Metro do Porto à Lusa em agosto.

A mesma fonte indicou que a linha deverá consistir numa “ligação comercial a uma linha já existente”, ou seja, “será uma linha que ligará Gondomar a todo o tronco comum [Senhora da Hora – Estádio do Dragão, servido pelas linhas A, B, C, E e F] e ao centro do Porto, por consequência”, sucedendo o que já acontece com a linha Laranja (F), que liga o Senhor de Matosinhos a Fânzeres.

A nova linha, que contará com as novas estações São Roque, Cerco, Parque Oriental (as três no Porto) e Lagoa, Valbom, Hospital Fernando Pessoa, Cosme Ferreira Castro, Oliveira Martins e Souto, em Gondomar, prevê ainda captar 10,3 milhões de passageiros “no primeiro ano do período cruzeiro”, “sendo que destes 4,2% advêm da procura de indução”.

“Relativamente aos modos concorrenciais, verifica-se uma diminuição nos utilizadores de transporte individual, de 1,4 milhões de passageiros, em paralelo com uma redução nos utilizadores de transporte público (considerando os passageiros da STCP, operadores privados e comboio) de 3,3 milhões de passageiros”, pode ler-se no estudo de procura realizado pela Trenmo, de Álvaro Costa.

Estes números representam ainda um “aumento de 9,0% nos passageiros na rede do Metro do Porto” no total, e para um ganho de tempo estimado no primeiro ano de operação, de 247.539 horas por ano ao transporte individual e de 661.390 horas aos restantes meios de transporte público.

Quanto à taxa dos novos utilizadores do sistema do Metro do Porto, estima-se, por estação (o estudo incluía uma estação a menos – Cosme Ferreira Castro – e nomes diferentes), 13% em São Roque, 98% no Cerco, 8% no Lagarteiro (agora designada Parque Oriental), 4% em Lagoa, 92% em Valbom, 73% no Hospital de Gondomar (Hospital Fernando Pessoa), 24% em Oliveira Martins e 10% no Souto.

O custo de construção da nova linha pode ir de 146,9 milhões de euros a 163,8 milhões de euros, e vai implicar a remoção de até 533 árvores, número que pode ser reduzido para 394, e ainda a demolição de 24 edifícios.

Quanto à análise custo-benefício, esta conclui que “o projeto gera benefícios económicos, sociais e ambientais superiores aos seus custos, levando a um aumento de bem-estar social tal que justifica a sua implementação”, mesmo que o projeto de investimento apresente “do ponto de vista financeiro, um Valor Atualizado Líquido negativo e uma Taxa Interna de Retorno inferior à taxa de desconto financeira”.

Estima-se “que o projeto da linha Campanhã – Souto, via Valbom, apresente um retorno económico positivo, com um VALe [Valor Atualizado Líquido económico] de 11 milhões de euros e uma TIRe [Taxa interna de retorno económico] de (5,15%) superior à taxa de desconto social (5%)”.

A linha terá 6,9 quilómetros e a sua construção deve demorar três anos, tendo já financiamento assegurado através do programa de fundos europeus Sustentável 2030, que tem 225 milhões de euros para esta linha e para a da Trofa.