O ator António Capelo está a ser acusado nas redes sociais de alegadas práticas de assédio sexual com alunos e antigos alunos. Confrontado, o ator nega todas as acusações. O Bloco de Esquerda, que teve Capelo como mandatário em duas ocasiões, “repudia” atos alegadamente cometidos pelo ator, que, em junho, participou num vídeo de campanha de Manuel Pizarro à Câmara Municipal do Porto.

Nos últimos dias surgiram nas redes sociais relatos que visam o ator de 69 anos em alegadas práticas de assédio ao longo de várias décadas com alunos e ex-alunos da Academia Contemporânea do Espectáculo (ACE) do Porto. A notícia, avançada pelo Notícias ao Minuto, refere que Capelo se diz “alvo de acusações anónimas e difamatórias” e que avançou mesmo com uma queixa-crime por difamação. O Observador confirmou com a Procuradoria Geral da República a existência da queixa, que foi encaminhada para investigação.

O BE — partido pelo qual o ator foi mandatário nacional às europeias em 2019 e às presidenciais em 2015 — emitiu um comunicado esta terça-feira no qual manifesta “repúdio pelos atos atribuídos ao ator António Capelo”, ressalvando que “nunca foi aderente do Bloco de Esquerda, participou com visibilidade em campanhas eleitorais passadas do Bloco”. O BE diz que a direção do partido recebeu na última semana “o relato presencial de atos muito graves cometidos por este professor de teatro” e que “é consistente com outros, citados publicamente nos últimos dias, que apontam para uma conduta que o Bloco repudia absolutamente”.

Em junho, o ator surgiu num vídeo de campanha de Manuel Pizarro, o candidato socialista à Câmara do Porto. “Um homem de caráter, generoso”, diz o ator num vídeo que à data de publicação deste artigo está disponível na página de Facebook de Pizarro. Contactado pelo Observador, a campanha do candidato socialista não comenta o assunto.

Vídeo publicado a 8 de junho na página de Facebook de Manuel Pizarro, candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal do Porto

Num comunicado enviado a vários órgãos de comunicação social, o ator diz que as acusações que lhe são imputadas “são graves e totalmente distorcidas da realidade” e que põem em causa a sua “honra, vida profissional e até vida privada”. “Não me revejo em práticas de denúncia anónima nem em linchamentos públicos, que em nada contribuem para a justiça ou para a verdade”. “A minha conduta sempre se pautou pela exigência profissional, pelo respeito e pelo cuidado com os alunos. Gestos de proximidade, de afeto ou de apoio — como abraços, empréstimos de livros, partilha de refeições ou acolhimento em momentos de necessidade — nunca tiveram outro propósito senão o de educar, apoiar e formar seres humanos e profissionais”, diz na mesma nota. “Continuarei, com serenidade e firmeza, a defender a minha honra, reputação e imagem e os valores que sempre guiaram a minha vida, bem como a dignidade da instituição”, conclui. O Observador tentou contactar António Capelo, sem sucesso.

A instituição a que se refere é a Academia Contemporânea do Espectáculo (ACE), escola que o ator fundou e onde lecionou durante vários anos. Pedro Aparício, diretor da ACE, garante ao Observador que António Capelo “já não leciona na ACE há 3 anos” e que “está reformado, não exercendo qualquer cargo nesta instituição”. Por e-mail, o responsável pela ACE garante que a escola não recebeu qualquer queixa relativa ao alegado comportamento de António Capelo e reforça que “todas as alegações são anónimas”. “Estamos e estaremos totalmente disponíveis para esclarecer a situação, garantindo a transparência e justiça em todo o processo. Reforçamos que a nossa prioridade continua a ser o bem-estar da nossa comunidade escolar e a continuidade do trabalho pedagógico qualificado que caracteriza esta instituição”, rematam.