A exposição “Laboratório do Atlântico” celebra a independência de São Tomé e Príncipe, transformando-o num entreposto cultural onde a juventude, a arte e a história se unem para refletir sobre o passado e construir o futuro, segundo o curador.
“Nós estamos a transformá-lo [São Tomé e Príncipe] num entreposto cultural através das artes” disse o curador e presidente da Roça Mundo, João Carlos Silva, em declarações à Lusa, descrevendo a iniciativa como um “Laboratório do Atlântico”, nome da exposição, sendo um espaço de experiências culturais e artísticas para o futuro.
João Carlos Silva ressaltou ainda a importância da juventude são-tomense, que constitui “mais 60% da população”, como a força motriz para o desenvolvimento do país em várias áreas.
Já a historiadora Isabel Henriques descreve a exposição, que se encontra na galeria de exposições da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), como um meio de consciencializar o público sobre o passado, mas também de incitá-lo a refletir, tratando-se de “uma arte que fala, intervém e que diz coisas”.
Isabel Henriques afirmou que a exposição tem um papel fundamental por coincidir com um momento histórico para São Tomé e Príncipe, que são os 50 anos da sua independência (12 de julho de 1975).
Segundo a investigadora, a exposição estabelece um diálogo profundo entre o passado, presente e futuro através de diversas linguagens artísticas, dando como exemplo a escultura dos pés de Eduardo Malé, que representa não apenas “a escravatura e os barcos negreiros”, mas também a realidade dos migrantes atuais que procuram atravessar o Mediterrâneo.
A exposição, que inclui obras de artistas locais e internacionais, reflete a fusão cultural que define São Tomé e Príncipe.
Questionada sobre se a exposição retrata o país como um entreposto de artes, Isabel Henriques responde afirmativamente, explicando que a história são-tomense, “ao longo de muitos séculos, foi um espaço de construção constante de situações novas”.
“São Tomé foi um espaço de cruzamento”, que deu “origem a uma identidade, a um imaginário que se foi sempre reconstruindo“, declarou a historiadora, sublinhando que “o imaginário é fundamental na criação artística”.
O desenvolvimento cultural do país não seria possível sem o apoio de parceiros internacionais como a Direção-Geral das Artes, a Cooperação Portuguesa, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Instituto Camões, enfatizou o curador.
João Silva revelou que o Tchiloli — forma de teatro, música e dança — está em processo de ser classificado como Património Imaterial Mundial da Organização das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e Cultura (UNESCO) e que a nível do património material seis roças estão na lista da agência da ONU. A nível do património gastronómico das cidades criativas da UNESCO espera-se a classificação da Ilha do Príncipe.