Os pais de Giorgi Bachiashvili, antigo assessor do ex-primeiro-ministro da Geórgia, Bidzina Ivanishvili, viram as suas contas serem congeladas depois de terem acusado publicamente o oligarca de perseguir o filho, que, atualmente, está a cumprir uma pena de 11 anos de prisão.

O Ministério Público agiu contra Marina e Alexander Ramazashvili depois de o The Guardian ter publicado uma entrevista com a mãe de Giorgi, na qual criticava Bidzina Ivanishvili, alegando estar a tratar o seu filho como o seu “prisioneiro pessoal” e que “não tinha humanidade, não tinha empatia”.

Giorgi Bachiashvili foi condenado a 11 anos de prisão por roubar 42 milhões de dólares (cerca de 35 milhões de euros) em criptomoedas de Ivanishvili. A meio do julgamento fugiu da Geórgia mas em maio foi encontrado em Abu Dhabi por homens que alegavam ser da Interpol e levado de volta para a capital georgiana de Tbilisi. O governo emitiu depois um comunicado no qual afirmava ter encontrado e detido Bachiashvili perto da fronteira da Geórgia com a Arménia e o Azerbaijão.

Este sábado, depois de ter congelado as contas, o Ministério Público afirmou que a medida faz parte de uma investigação criminal sobre lavagem de dinheiro. “A investigação apreendeu as contas bancárias dos pais do condenado Giorgi Bachiashvili e os bens adquiridos por Giorgi Bachiashvili durante e após a prática do crime. Durante o julgamento, ficou inequivocamente provado que, após se apropriar indevidamente de 8.986,86 bitcoins, Giorgi Bachiashvili, a fim de encobrir a origem ilegal dos bens apropriados indevidamente, escondeu e disfarçou a verdadeira fonte de sua origem por meio de várias transações e ações financeiras, permitindo-lhe assim dispor e usar livremente os bens obtidos ilegalmente.”

Segundo o The Guardian, Bachiashvili alega que está a ser punido por Ivanishvili pelas críticas abertas que fez à invasão da Ucrânia pela Rússia, e sugere ainda que o oligarca pode ter concluído que Bachiashvili era um espião ocidental.

Já o seu advogado afirmou que a apreensão dos bens dos pais ilustrava a natureza pessoal da perseguição ao seu cliente: “O congelamento dos bens dos pais do Sr. Bachiashvili — que nunca foram acusados de qualquer irregularidade — demonstra como a investigação está a ser usada como arma. Ao alargar as medidas punitivas à sua família, as autoridades minam os princípios fundamentais da justiça e impõem uma forma de punição coletiva”, defendeu.

“Estas pessoas viram as suas poupanças pessoais, acumuladas ao longo de uma vida de trabalho honesto na área médica, serem arbitrariamente apreendidas. Tais ações vão muito além da aplicação legítima da lei e constituem uma pressão motivada politicamente, em vez de um processo legal justo”, continuou

“Parece estar relacionado com a recusa de George e da família em desistir, incluindo as atividades da Sra. Marina, como a sua recente entrevista ao The Guardian, na qual ela expôs várias violações cometidas contra Giorgi. Ela é uma mãe determinada, a sua arma é a verdade e ela não vai desistir. Ela permanece inabalável na sua busca pela justiça”, acrescentou.