O Presidente da Ossétia do Sul, Alan Gagloyev, vai nomear Marat Kambolov, ex-vice-ministro da Educação e Ciência da Rússia, como próximo primeiro-ministro da região. A decisão, anunciada pelo Governo, surge após o pedido de demissão do atual chefe do executivo, durante uma reunião do Conselho de Ministros.
A primeira tarefa do novo primeiro-ministro — cargo ocupado interinamente pelo vice-primeiro-ministro — será “assegurar a efetiva implementação das disposições do acordo assinado [entre a Ossétia do Sul e a Rússia] e de todos os demais acordos russo-sul-ossetos“, conforme o comunicado do Governo da região.
A 9 de maio, Moscovo e a Ossétia do Sul assinaram um acordo de cooperação económica, comercial — sobretudo no domínio do gás natural — e de “harmonização das normas jurídicas” entre as duas partes. Segundo o projeto de lei apresentado às duas câmaras do Parlamento russo, citado pela agência de notícias russa Interfax, o acordo pretende “criar um ambiente favorável à livre circulação de capitais, bens, serviços e mão de obra”. O acordo foi ratificado pela câmara baixa do Parlamento russo a 13 de maio e pela alta no dia 20 de maio, tendo sido aprovado pelo Parlamento sul-osseto a 22 de maio.
Alan Gagloyev, citado pelo jornal russo Kommersant, celebrou o acordo como o “início da reunificação do povo osseta“, algo reafirmado na reunião de Conselho de Ministros desta segunda-feira.
A Ossétia do Sul é uma região da Geórgia que declarou a independência do país em 1992, tendo sido posteriormente ocupada por Moscovo, em 2008, durante a guerra russo-georgiana. Apenas é reconhecida pela Rússia, Nicarágua, Venezuela, Nauru e Síria.
Em 2022, o então presidente sul-osseto, Anatoly Bibilov, chegou mesmo a defender a realização de um referendo para se juntar à Rússia, algo que acabou por não acontecer, e que iria permitir a unificação com a República da Ossétia do Norte-Alânia, que integra a Federação Russa.
O primeiro-ministro indigitado, Marat Kambolov, é natural da República da Ossétia do Norte-Alânia, e ocupou o cargo de vice-ministro da Educação e Ciência da Rússia entre 2010 e 2014, tendo sido também presidente do centro de investigação nuclear Instituto Kurchatov, de acordo com as notas biográficas noticiadas pelo Kommersant.