Oito forças políticas vão disputar nas eleições autárquicas de 12 de outubro a Câmara de Leiria, liderada pelos socialistas desde 2009, quando o PS ganhou o município ao PSD.

Gonçalo Lopes, que em agosto de 2019 assumiu a presidência do município, é, de novo, a aposta do PS.

O candidato, de 49 anos, disse que a sua missão passa por “promover o crescimento sustentável de Leiria, melhorar, de forma transversal, a qualidade de vida da população e continuar a afirmar” o concelho como um dos mais dinâmicos e atrativos do país.

Licenciado em Economia, Gonçalo Lopes integra o executivo municipal desde 2009 e é presidente da Federação Distrital de Leiria do PS.

Outro repetente é o deputado da Assembleia da República Luís Paulo Fernandes, empresário de 48 anos, presidente da distrital do Chega, que afirmou ter “a determinação suficiente para corrigir, principalmente, o desrespeito que tem acontecido perante os leirienses, perante os empresários”.

Luís Paulo Fernandes, membro da Assembleia Municipal, declarou que “a segurança e a saúde, principalmente”, são as prioridades e garantiu “conhecer bem a política que tem sido feita no concelho” e que não o satisfaz.

Também deputada é a candidata do PSD, Sofia Carreira, de 51 anos, licenciada em História e técnica superior de Museologia na Câmara da Leiria, que apontou o desenvolvimento económico, mobilidade e segurança como algumas das prioridades.

“Quando falamos em mobilidade, quando falamos em segurança, não podemos não cuidar outras áreas que lhes estão relacionadas”, explicou Sofia Carreira, dirigente da concelhia do PSD, concretizando com o desenvolvimento económico, habitação, fixação de jovens ou apoio às famílias.

Já o CDS-PP candidata a vereadora Branca Matos (eleita pelo PSD, mas que se desfiliou), de 48 anos, licenciada em Ciências da Educação, com um percurso na área da geriatria e na educação.

Salientando ter um “real conhecimento de Leiria”, Branca Matos acredita que pode contribuir para melhorar o concelho em áreas como a saúde, segurança, educação e multiculturalidade.

Muito preocupada com a falta de serviços de saúde, a candidata admitiu também que “o crescimento de Leiria trouxe algumas fragilidades”.

A CDU, coligação dos partidos Comunista e Ecologista Os Verdes, tem como cabeça de lista o professor de História Nuno Violante, de 48 anos, para quem “Leiria precisa, urgentemente, de um novo projeto que rompa com anos de imobilismo e má gestão”.

O candidato anunciou áreas de intervenção que exigem “urgentes respostas em rutura com as opções da atual gestão municipal”, apontando o centro histórico e a periferia urbana, a habitação, o ambiente, a educação ou a mobilidade.

Por sua vez, a Iniciativa Liberal candidata Paulo Ventura à presidência da Câmara da capital de distrito com a intenção de apresentar um “projeto com uma visão a longo prazo para o concelho”.

Licenciado em Economia, Paulo Ventura, de 42 anos, conselheiro nacional do partido, elencou, como “áreas que vão ser relevantes a nível autárquico”, a “mobilidade, a atração de empresas para a criação de postos de trabalho qualificado”, a habitação e o ambiente.

Ao município de Leiria concorre mais uma coligação, denominada “Avançar Leiria”, que junta Bloco de Esquerda, Livre e PAN — Pessoas-Animais-Natureza, e apresenta como cabeça de lista o antigo delegado de informação médica José Peixoto, de 67 anos, que considera a unidade da esquerda como uma necessidade cada vez mais premente na sociedade.

“Temos o problema da habitação, o problema da mobilidade, que é muito grande, e o problema ambiental, que terá de estar presente em tudo aquilo que fazemos”, assim como a saúde, adiantou José Peixoto.

Já a lista da Alternativa Democrática Nacional (ADN) é liderada por Nuno Henriques Barroso, de 48 anos, político, músico, autor e compositor, que defendeu a necessidade de tentar melhorar a economia local, assim como apoiar as pequenas e médias empresas, a educação e a juventude.

Nuno Henriques Barroso afirmou que foram diversas as motivações que o levaram a aceitar ser cabeça de lista, como “a identidade, a cultura”, assim como “defender as tradições, a história, a portugalidade”.

No concelho de Leiria, estão recenseados 113.895 eleitores, segundo a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.

Desde as primeiras eleições autárquicas, em 1976, o PSD conquistou por sete vezes o município capital de distrito, primeiro naquele ano, repetindo em 1979, 1989, 1993, 1997, 2001 e 2005.

O CDS-PP liderou a autarquia após ganhar eleições nos anos de 1982 e 1985, com Lemos Proença (1928-2015). Foi também Lemos Proença, mas pelo PSD, a vencer o município nas duas eleições seguintes, 1989 e 1993.

Nas autárquicas de 1997, Lemos Proença concorreu pelo PPM, mas foi Isabel Damasceno (atual presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro) como cabeça de lista do PSD a manter nos sociais-democratas a Câmara e à frente da qual esteve até 2009.

Nesse ano, com Raul Castro — que tinha sido presidente do Município da Batalha eleito pelo CDS-PP três mandatos — a encabeçar a lista do PS, os socialistas derrotaram o PSD e passaram, pela primeira vez, a governar a Câmara de Leiria.

Em 2009, os socialistas ganharam as eleições autárquicas sem maioria absoluta, alcançando cinco mandatos, o mesmo número dos do PSD, enquanto o CDS-PP obteve um. No sufrágio seguinte, em 2013, o PS passou a ter maioria absoluta (sete mandatos), enquanto o PSD sentou na Câmara quatro vereadores. Nas autárquicas de 2017, o PS aumentou a bancada para oito mandatos e o PSD diminuiu para três.

Em agosto de 2019, quase 10 anos depois de ter tomado posse para o primeiro mandato, Raul Castro (a terminar agora o mandato como presidente da Câmara da Batalha por um movimento independente) deixou o município, para integrar a lista do círculo de Leiria às eleições legislativas pelo PS. Nesse mês, passou a liderar a Câmara Gonçalo Lopes, que foi cabeça de lista nas autárquicas de 2021 e é recandidato agora no sufrágio do dia 12 de outubro.

Nas autárquicas de 2021, o PS, que também lidera na Assembleia Municipal, manteve oito mandatos na Câmara, enquanto o PSD três.

Em janeiro de 2023, os vereadores eleitos pelo PSD Daniel Marques e Álvaro Madureira (este, então, cabeça de lista ao município pelos sociais-democratas) anunciaram a desfiliação do partido, passando a independentes. O mesmo sucedeu em junho de 2025 com Branca Matos, que vai ser a cabeça de lista do CDS-PP à Câmara de Leiria nas próximas autárquicas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o concelho de Leiria, com 565 quilómetros quadrados, tinha 136.006 habitantes em 2024 (eram 128.603 nos censos de 2021). Em 2024, os habitantes com 65 ou mais anos eram 31.790 (em 2021 esse número era de 28.635).

O município tinha 29 freguesias, reduzindo, após a reforma administrativa, em 2013, para 18. Nestas eleições, passam a ser mais duas freguesias, num total de 20.

Conhecido pela dinâmica empresarial, o concelho é atravessado por quatro autoestradas (1, 8, 17 e 19) e linha ferroviária do Oeste, e tem projetada uma estação da futura linha de alta velocidade que vai ligar Lisboa ao Porto. A sua economia é diversificada e vai desde a indústria extrativa, à indústria transformadora, construção, serviços, comércio, turismo e agricultura.

No caso da indústria transformadora, destaque para áreas como os moldes, os plásticos, a cerâmica e o agroalimentar. Ao nível dos serviços, além dos mais tradicionais, ligados à educação e saúde, existe no território uma forte implantação de empresas de áreas mais emergentes como tecnologia, software e serviços digitais.

Como sede do distrito, Leiria acolhe entidades relevantes para o tecido empresarial, como o Politécnico de Leiria, a Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria, a Startup Leiria ou a Leiria Business School.

De acordo com o INE, o ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem era de 1.334,86 euros em 2023 (no país 1.460,81 euros).