A administração Trump deu ordens para que sejam removidas placas e exposições relacionadas com as consequências da escravatura e do racismo e que se encontrem atualmente visíveis nos parques nacionais dos EUA, avança o jornal Washington Post, citando quatro fontes próximas do tema.

A remoção do material alusivo ao período esclavagista vai ao encontro da ordem executiva assinada em março deste ano pelo presidente norte-americano Donald Trump, que ordenava ao Departamento do Interior a eliminação de informações que refletissem uma “ideologia corrosiva” que menosprezasse os americanos.

Desta forma, e fazendo uma interpretação ampla da ordem executiva de Trump, o Departamento do Interior deu ordens aos funcionários do Serviço Nacional de Parques para que seja retirado o material em exposição ou visível ao público que esteja relacionado não só com a escravatura, mas também com temas como racismo, sexismo, direitos dos homossexuais ou perseguição de povos indígenas.

A porta-voz do Serviço de Parques, Rachel Pawlitz, confirmou que todos os materiais expostos estão agora a ser alvo de uma revisão. “Os materiais interpretativos que enfatizam desproporcionalmente aspetos negativos da história dos EUA ou de figuras históricas, sem reconhecer o contexto mais amplo ou o progresso nacional, podem distorcer involuntariamente a compreensão em vez de a enriquecer”, disse Pawlitz.

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O Departamento do Interior também deu indicação aos funcionários dos cerca de 60 parques nacionais dos EUA para que reportem situações em que as novas normas não estejam a ser cumpridas. A administração Trump pede também aos visitantes dos parques nacionais (espaços que recebem anualmente mais de 160 milhões de pessoas) que sinalizem a exposição de materiais ofensivos.

Entre os materiais que poderão vir a ser removidas ao abrigo da nova política está uma fotografia — denominada “The Scourged Back” [costas chicoteadas] — que mostra as sequelas deixadas num homem negro, que tentou fugir à escravatura no estado do Louisiana, no século XIX.

Também deverão ser retirados vários materiais relacionadas com o período esclavagista do Parque Histórico Nacional Harpers Ferry, na Virgínia Ocidental, onde o abolicionista John Brown liderou um ataque com o objetivo de armar escravos para uma revolta. Entre os materiais já sinalizados no Harpers Ferry estão placas que fazem referência à discriminação racial e à hostilidade de brancos em relação a pessoas que foram escravizadas.