Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido. No Festival Eurovisão da Canção, são estes os Big Five, ou seja, os países que, a par com o país organizador, são apurados diretamente para a final do certame. Porém, em 2026, poderão ser apenas quatro: Espanha confirmou esta terça-feira que não irá participar na 70.ª edição, se Israel estiver presente.

O anúncio já era esperado, dada a posição crítica que Espanha tem assumido contra Israel, devido à ofensiva israelita em Gaza — e que se reflete na oposição da televisão pública, a RTVE, à participação da delegação israelita na Eurovisão. Porém, a decisão só foi formalmente aprovada esta terça-feira pela administração da RTVE, avança o El País.

Espanha é o quinto país a juntar-se ao boicote da edição de 2026: a Eslovénia foi o primeiro país anunciar a sua decisão e, nos últimos dias, Islândia, Irlanda e Países Baixos acompanharam a retirada. Contudo, a decisão de Espanha é mais significativa que a dos seus pares. Afinal, o estatuto de Big Five não é apenas uma atribuição simbólica, mas um reflexo da sua contribuição financeira para a União Europeia de Radiodifusão (EBU), que organiza o concurso: os cinco países são dos maiores financiadores da organização.

Países Baixos juntam-se a Espanha, Irlanda e Eslovénia e ameaçam boicotar Eurovisão caso Israel participe

A decisão da RTVE foi tomada com 10 votos a favor, quatro votos contra e uma abstenção, escreve o jornal espanhol. Entre os votos a favor contam-se o presidente do Conselho de Administração, José Pablo López, que já tinha manifestado este sentido de voto, e os membros do conselho nomeados pelos partidos PSOE, ERC, Sumar, Podemos e PNV. Os votos contra foram apresentados pelos membros nomeados pelo PP, enquanto a abstenção pertenceu ao membro nomeado pelo Junts.

Apesar da lista crescente de países a ameaçar a retirada, a decisão final sobre a participação de Israel só deverá ser tomada no final do ano, durante a assembleia geral da EBU, nos dias 4 e 5 de dezembro. Até lá, outros países podem alinhar-se com este grupo — a posição é esperada de países como a Bélgica ou a Finlândia que têm sido críticos da participação israelita na Eurovisão e ainda não confirmaram a sua presença no final do próximo ano.

Esta semana, os media israelita relataram que a EBU apresentou a Telavive duas opções para a participação em 2026, de forma a evitar a “eliminação humilhante”: ou concorrer sob uma bandeira neutra ou retirar-se da competição por um ano. Nenhuma das opções foi bem recebida por Israel.

As últimas duas edições do festival ficaram marcadas pelas críticas à participação israelita, devido à ofensiva a decorrer na Faixa de Gaza. O boicote é comparável ao que aconteceu em 2022, em relação à participação da Rússia, depois de ter invadido a Ucrânia, quando várias emissoras públicas ameaçaram não participar, se a Rússia marcasse presença. A Rússia acabou por ser expulsa do concurso poucos dias depois.