O arranque de temporada do Arsenal tem permitido aos adeptos criar muitas expectativas sobre os próximos meses. Os ingleses investiram muito no mercado de verão, Mikel Arteta continua a ter uma larga margem de aprovação e existe a ideia de que os gunners são mesmo a única equipa com capacidade para fazer frente ao Liverpool na Premier League. Ainda assim, há um nome que continua a causar divisões: Viktor Gyökeres.

Mesmo tendo já marcado três golos em quatro jornadas da Premier League, o avançado sueco ainda não convenceu o universo do futebol inglês e continua a ser comparado com Mohamed Salah, Alexander Isak ou Erling Haaland. O último comentário pertenceu a Troy Deeney, figura mítica do Watford que está agora na talkSPORT e que defendeu que Gyökeres pode não ser o jogador certo para os jogos mais importantes do Arsenal.

Não foi um hat-trick mas Morgan tinha razão sobre Gyökeres: Arsenal vence com golo do sueco (que sobe ao topo dos melhores marcadores)

“Acho que ele é bom e acho que vai marcar os golos suficientes, mas não vão chegar para bater Haaland, Salah e Isak. Eu nem acredito, para aquilo de que o Arsenal precisa na frente de ataque, que Gyökeres marque mais golos do que o João Pedro [Chelsea] ao longo do ano. Ele não fez nada contra o Liverpool, mas há jogos em que realmente pode aparecer. Mesmo que não marques, tens de ser uma ameaça e deixar os teus adversários a pensar ‘ok, vou ter de lidar contigo’. Tens de abrir espaço para o Saka, o Eze, o Madueke ou quem quer que seja. Penso que vai falhar nesses momentos e acho que nos grandes jogos, quando estiverem todos ao mesmo nível, o Havertz vai ser o escolhido para jogar”, atirou o antigo avançado inglês.

Ora, era neste contexto e depois de uma vitória convincente contra o Nottingham Forest pós-Nuno Espírito Santo que o Arsenal arrancava uma nova caminhada na Liga dos Campeões — depois de na temporada passada ter eliminado o Real Madrid e chegado às meias-finais, caindo apenas contra o futuro campeão europeu PSG. No País Basco, os ingleses defrontavam um Athl. Bilbao que na época anterior chegou às meias-finais da Liga Europa e ficou no quarto lugar da La Liga, mas que vinha de uma derrota em casa contra o Alavés.

Assim, e sem contar com os lesionados Saka, Ben White e Odegaard mas já com o recuperado Saliba no banco, Mikel Arteta mantinha a aposta em Gyökeres como referência ofensiva, com Eze e Madueke no apoio e Zubimendi, Mikel Merino e Declan Rice a ocuparem o meio-campo. Já Ernesto Valverde, que não tinha o também lesionado Nico Williams, lançava Alex Berenguer no ataque, com Iñaki Williams, Roberto Navarro e Oihan Sancet nas costas.

O Athl. Bilbao entrou muito melhor e surpreendeu o Arsenal, dominando durante os 20 minutos iniciais sem permitir que os ingleses ultrapassassem a linha do meio-campo. A reação dos espanhóis à perda da bola era muito acima da média, Declan Rice ficou condicionado por um cartão amarelo desde muito cedo e ficava a ideia de que a equipa de Mikel Arteta não esperava mesmo ter tantas dificuldades para sair a jogar no San Mamés. Ainda assim, este período muito positivo do Athl. Bilbao acabou por ter poucas oportunidades propriamente ditas, sobrando apenas um remate de fora de área de Mikel Jauregizar que passou ao lado (14′).

O Arsenal começou a reagir a partir dos 20 minutos e desde logo com dois lances de perigo: Madueke assistiu Eze na grande área e só Andoni Gorosabel impediu que o remate fosse à baliza (21′) e, logo a seguir, Gyökeres atirou rasteiro para Unai Simón defender depois de uma arrancada na esquerda (21′). O avançado sueco teve de ser assistido à passagem da meia-hora devido a um choque com Gabriel Magalhães, abrindo a cabeça e sangrando abundantemente, e o Athl. Bilbao aproveitou para recuperar algum equilíbrio com um remate ao lado de Alex Berenguer (43′) e um cabeceamento de Oihan Sancet que também falhou o alvo (45+4′). Ao intervalo, contudo, estava tudo empatado.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o jogo regressou equilibrado e muito discutido na zona do meio-campo, com Gyökeres a protagonizar a primeira situação de perigo com um cabeceamento na área que passou ao lado (48′). Iñaki Williams respondeu com um pontapé rasteiro que David Raya encaixou (58′) e os minutos iam passando sem que nenhuma equipa assumisse um verdadeiro ascendente.

Ernesto Valverde foi o primeiro a mexer à passagem da hora de jogo, trocando Robert Navarro por Unai Gómez, e Mikel Arteta respondeu com a entrada de Leandro Trossard para o lugar de Gyökeres — numa substituição que pode indicar que o sueco não ficou a 100% depois do choque com Gabriel Magalhães. Mikel Merino ameaçou o golo com um cabeceamento que Unai Simón defendeu (66′) e Gabriel Martinelli só precisou de 36 segundos depois de substituir Eze para resolver o que parecia cada vez mais difícil.

Numa transição muito rápida e ao primeiro toque, Trossard soltou o avançado brasileiro e este conseguiu segurar, aguentar a carga dos dois adversários que o perseguiam e rematar rasteiro na cara de Unai Simón para abrir o marcador (72′). Os bascos ainda procuraram o empate, com Unai Gómez a cabecear para defesa atenta de David Raya (77′), mas os ingleses fizeram xeque-mate já perto do fim e por intermédio de Trossard, que aproveitou um desvio para finalizar na área após assistência de Martinelli (87′). No fim, o Arsenal venceu o Athl. Bilbao no San Mamés e somou os primeiros três pontos na fase de liga da Liga dos Campeões.