A temporada passada do Real Madrid foi vazia. Os merengues ficaram no segundo lugar da La Liga, não foram além dos quartos de final da Liga dos Campeões, perderam as finais tanto da Supertaça como da Taça do Rei e existiu uma clara ideia de fim de ciclo. Carlo Ancelotti saiu, Xabi Alonso chegou — e o que era uma ideia tornou-se uma certeza.

Com quatro vitórias nas quatro jornadas iniciais do Campeonato e a liderança isolada da classificação já assegurada, o Real Madrid começava esta terça-feira um novo assalto à Liga dos Campeões em pleno Santiago Bernabéu e contra o Marselha. Nos últimos dias, porém, o tema principal no universo merengue foi outro: a clara quebra de protagonismo de Vinícius a partir do momento em que Xabi Alonso assumiu a liderança da equipa.

O avançado brasileiro não foi titular contra o Oviedo, mostrou-se claramente desagradado com o facto de ter sido substituído na segunda parte do jogo contra a Real Sociedad e em Espanha constrói-se a ideia de que Vinícius perdeu mesmo o estatuto de titular indiscutível — algo corroborado pelo jornalista Gustavo Hofman, da ESPN. “O que eu sei dos bastidores, a partir de pessoas próximas a Vinícius e que eu apurei, é que a impressão atual e evidente é de que o Xabi Alonso não confia nele como o Ancelotti confiava. Deixou de ser um jogador fundamental para o Real Madrid”, explicou.

Ora, esta terça-feira e contra o Marselha, a titularidade ou não de Vinícius era a principal dúvida na hora de olhar para o onze inicial do Real Madrid — e Xabi Alonso mostrou que não tem receios. O avançado brasileiro começava mesmo no banco, com Franco Mastantuono, Arda Güler e Rodrygo no apoio a Mbappé e o ex-Benfica Álvaro Carreras a aparecer na esquerda da defesa. Do outro lado, num Marselha que leva duas vitórias em quatro jornadas na Ligue 1, Roberto De Zerbi apostava em Aubameyang como referência ofensiva, com Tim Weah, Mason Greenwood e Matt O’Riley nas costas do gabonês.

O Real Madrid entrou a toda a velocidade e quase abriu o marcador logo nos instantes iniciais, com Mbappé a atirar ao lado com um pontapé de bicicleta (2′). Ainda assim, a primeira contrariedade também apareceu logo nos primeiros minutos: Trent Alexander-Arnold sentiu uma aparente lesão muscular e pediu para ser substituído, com Dani Carvajal a render o lateral inglês. Ainda assim, a superioridade merengue mantinha-se.

Mastantuono acertou no poste (6′), Rodrygo rematou duas vezes para defesas atentas de Gerónimo Rulli (8′ e 10′) e também Mbappé (10′) e Dean Huijsen testaram o guarda-redes argentino (11′). O Real Madrid pressionava alto e de forma muito agressiva e provocava erros na linha defensiva do Marselha, que demonstrava muitas dificuldades para fugir à asfixia implementada pelos espanhóis. A reação francesa apareceu a partir do quarto de hora inicial e através de um pontapé ao lado de Tim Weah (14′) e a verdade é que, em pleno Santiago Bernabéu, deu-se a surpresa.

Logo depois de Mbappé falhar mais uma oportunidade com um remate que Rulli defendeu (21′), Mason Greenwood lançou-se numa transição rápida e assistiu Tim Weah para o primeiro golo do jogo (22′). O avançado norte-americano poderia ter bisado logo a seguir, valendo Courtois ao Real Madrid (26′), mas a verdade é que o empatou chegou depressa: Kondogbia fez falta sobre Rodrygo na área francesa e Mbappé, com uma conversão exemplar da consequente grande penalidade, marcou (28′).

Ambas as equipas tiveram várias ocasiões para marcar até ao fim da primeira parte, destacando-se um remate de Aubameyang à malha lateral (39′) e um pontapé que Rulli defendeu quando Mastantuono estava sozinho (45+3′), mas continuava tudo empatado ao intervalo. Nenhum dos treinadores fez alterações no início do segundo tempo e a lógica mantinha-se, com o Marselha a forçar o Real Madrid a um equilíbrio pouco expectável.

Mastantuono deu seguimento às boas indicações que tinha deixado na primeira parte e protagonizou um dos primeiros lances de perigo, com um remate de fora de área que Rulli defendeu (54′), e Aubameyang respondeu do outro lado com um pontapé forte que Courtois também parou (57′). Xabi Alonso ensaiou a primeira substituição à passagem da hora de jogo, com Brahim Díaz a tirar o colete para render Mastantuono — mas arrependeu-se e voltou a mandar o marroquino aquecer, mantendo o argentino em campo.

Ainda assim, Brahim Díaz entrou minutos depois e acompanhado por Vinícius, precisamente para as saídas de Mastantuono e Rodrygo, e De Zerbi respondeu com Igor Paixão e Vermeeren. A cerca de 20 minutos do fim, porém, os merengues ficaram em inferioridade numérica: Carvajal deixou-se ir na cantiga de Rulli, deu uma leve cabeçada no guarda-redes e foi expulso com cartão vermelho direto depois de o árbitro ser chamado ao VAR, obrigando Xabi Alonso a abdicar de Arda Güler para fechar com Raúl Asencio.

De Zerbi tentou ir atrás dos três pontos com Amine Gouiri e Michael Murillo, mas a verdade é que o Real Madrid cresceu depois de ficar a jogar com dez, numa reação louvável à adversidade, e conseguiu mesmo chegar à vantagem: Facundo Medina tocou com o braço na bola no interior da área francesa e Mbappé, novamente de grande penalidade, bisou (81′). Greenwood ainda teve uma boa oportunidade para empatar, com um remate forte que Courtois defendeu (86′), mas já nada mudou.

Mesmo em inferioridade numérica, o Real Madrid venceu o Marselha no Santiago Bernabéu e entrou na Liga dos Campeões com o pé direito — respondendo ao apelo dos adeptos, que antes do apito inicial soltaram uma enorme tarja onde se lia “só te peço uma coisa, que este ano sejas campeão”. Nos outros jogos da noite desta terça-feira, já depois de o Union St. Gilloise vencer o PSV nos Países Baixos (1-3) e de o Arsenal bater o Athl. Bilbao no San Mamés (0-2), Juventus e Borussia Dortmund empataram em Turim numa batalha épica com oito golos (4-4) e o Tottenham ganhou em Londres frente ao Villarreal (1-0).