Tyler Robinson foi acusado de sete crimes pela morte de Charlie Kirk. O anúncio foi realizado esta terça-feira por um procurador do Utah, que anunciou a intenção de pedir pena de morte para o atirador responsável pelo homicídio do aliado de Donald Trump.

“Não tomo esta decisão de forma leve”, confessou Jeff Gray, procurador responsável pela acusação, sobre o pedido de pena de morte, que foi decidido “individualmente”.

Além das acusações inicialmente previstas — homicídio qualificado, uso indevido de arma de fogo e obstrução de justiça —, Tyler Robinson também foi acusado de dois crimes de adulteração de testemunho, por tentar convencer o seu colega de casa a não colaborar com as autoridades.

No entanto, o procurador fez questão de frisar: Robinson é inocente até prova em contrário e a decisão quanto à sua culpa caberá ao tribunal.

Os sete crimes de que foi acusado:

  1. Homicídio qualificado;
  2. Uso indevido de arma de fogo;
  3. Obstrução de justiça — por esconder a arma;
  4. Obstrução de justiça — por esconder a roupa utilizada;
  5. Adulteração de testemunho — por pedir a um colega de casa para apagar mensagens;
  6. Adulteração de testemunho — por pedir a um colega de casa para não falar;
  7. Crime na presença de crianças.

A cronologia da noite do homicídio de Charlie Kirk, segundo o procurador

Na conferência de imprensa, Jeff Gray recordou os episódios do dia em que Kirk foi baleado, com horários aproximados. Às 8h29 locais (14h29 em Lisboa), Robinson chegou de carro ao campus da universidade.

Quatro horas depois, a bala alegadamente disparada pelo jovem de 22 anos terá passado perto de outras pessoas, incluindo crianças. Após o disparo, continuou Gray, um segurança da universidade examinou os telhados à procura de um atirador, tendo corrido em direção a um telhado a 140 metros de distância, onde teve uma “clara linha de visão” para o local onde Kirk foi baleado. No chão estariam marcas da posição do atirador.

As imagens de videovigilância, verificadas no próprio dia pelos investigadores, mostravam Robinson — com uma camisola preta com a bandeira norte-americana ao centro, um boné de beisebol e óculos de sol — a andar no campus com o rosto escondido. Além disso, descreveu o procurador, estaria a andar de forma incomum (a mancar de uma das pernas), o que seria consistente com a ideia de que estaria a esconder a arma dentro das calças.

Quando saltava do telhado, a pessoa captada pelas câmaras deixou cair a arma e pegou nela antes de sair do campus em direção a uma zona com árvores — onde foi encontrada a arma utilizada, envolvida numa toalha, com vários invólucros com diferentes mensagens, entre as quais: “Hey fascista! Apanha!”; “Oh bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao” e “Se leres isto, és gay kkk”.

Tanto nos invólucros como na toalha, detalha Gray, foi encontrado DNA consistente com o de Robinson. Como não conseguiu encontrar o suspeito, a polícia acabou por divulgar as imagens ao público.

As mensagens trocadas entre o suspeito e o colega de casa com quem mantinha uma relação

O procurador leu mensagens essenciais para a investigação trocadas entre Robinson e o seu colega de casa, um homem que estava num processo de mudança de género e com quem mantinha uma relação amorosa — e que terá sido pressionado para não falar com as autoridades. “Para o que estás a fazer e vê debaixo do meu teclado”, escreveu Robinson. Debaixo desse teclado estaria uma mensagem com uma alegada confissão: “Eu tive a oportunidade de matar o Charlie Kirk e vou aproveitá-la”.

“O quê? Estás a gozar”, reagiu o namorado. “Já estou farto do ódio dele. Algum ódio não pode ser negociado”, terá acrescentado Robinson, que manteve o contacto com o colega de casa.

“Para ser honesto, eu queria manter isto um segredo até morrer de velho. Desculpa envolver-te”, assumiu o suspeito. “Não foste tu a fazê-lo certo????”, enviou o namorado. “Fui, desculpa”, confessou.

Depois do namorado ter dito que achava que o suspeito tinha sido detido, Robinson respondeu: “não, eles apanharam um velho maluco, depois interrogaram alguém com roupa parecida”.

Gray diz que Robinson discutiu, sempre por mensagem, com o parceiro a intenção de abandonar a cidade e recuperar a arma, com medo da reação do pai. “Estou preocupado com o que o meu velho fará se eu não devolver a arma do meu avô”, escreveu, antes de pedir ao colega para apagar as mensagens. “Desde que o Trump assumiu funções que o meu pai se tornou um fã obcecado do MAGA [Make America Great Again]”, assumiu o suspeito, antes de pedir ao namorado para não falar com a comunicação social e pedir um advogado.

Terminada a leitura das mensagens (fornecidas pelo namorado), o procurador disse que não havia informação sobre mais suspeitos envolvidos no homicídio, apesar de Kash Patel, diretor do FBI, ter admitido que poderiam estar envolvidas mais pessoas.

Mãe viu imagens de suspeito e reconheceu filho. Pai identificou arma utilizada

Antes de Robinson se entregar às autoridades, Gray detalha que a mãe do alegado atirador viu as imagens divulgadas pela polícia e achou que a figura do suspeito era semelhante à do seu filho. Por isso, ligou ao filho, que disse que tinha ficado em casa por estar doente nos últimos dois dias.

A mãe reconheceu às autoridades que o seu filho estava mais politizado — com pendor para as ideologias de esquerda, descreve Gray, nomeadamente os direitos dos homossexuais e dos transexuais — e confirmou a relação amorosa com o colega de casa, que está em processo de transição de género.

A posição política do suspeito motivou várias discussões com o próprio pai que, no dia seguinte ao homicídio, concordou com as semelhanças entre a imagem divulgada pela polícia e o próprio filho, como tinha sido apontado pela mãe.

O pai admitiu às autoridades que Robinson tinha abordado a ida de Kirk à universidade de Utah, classificando a escolha da instituição para o local do evento como “estúpida”, acusando o aliado de Trump de espalhar ódio.

Por notar semelhanças entre a arma captada pelas câmaras de videovigilância e uma arma dada ao seu filho, enviou uma mensagem a Robinson a pedir uma fotografia da espingarda. Como não teve resposta, ligou ao filho que sugeriu a intenção de se suicidar em vez de assumir o homicídio.

No entanto, explica Gray (que se baseia nas declarações do suspeito às autoridades), Robinson terá mudado de opinião depois de falar com um amigo da família — um polícia reformado que o aconselhou a apresentar-se na esquadra com todas as provas, tendo o suspeito admitido que tinha descartado a roupa utilizada.

Detido 33 horas depois do homicídio

A interceção de Tyler Robinson, anunciada por Donald Trump na sexta-feira, colocou um ponto final numa caça ao homem que durou dois dias — passaram precisamente 33 horas entre o disparo a detenção) — e começou com um falso suspeito e descoordenação entre as autoridades.

O primeiro erro surgiu assim que Charlie Kirk foi baleado, com a Utah Valley University a comunicar a detenção de um suspeito. Pouco tempo passou até que a própria instituição de ensino retificou: o detido não era o suspeito — tendo sido preso por “obstrução à justiça”. A informação ganhou tração nas redes sociais, com vários utilizadores a partilharem imagens em que se via um idoso a ser controlado por populares e, depois, a ser transportado por polícias.

Já depois da morte do jovem aliado de Donald Trump, uma conferência de imprensa com líderes de diferentes forças de autoridades gerou mais dúvidas do que certezas sobre o suspeito. O FBI disse que tinha sido detido um forte suspeito, com a instituição confiante de que este seria o atirador. No entanto, apesar de acreditarem que esteve envolvida apenas uma pessoa, pediram às pessoas para denunciar qualquer suspeita numa linha de apoio especializada.