Os protestos de estudantes universitários em Díli, Timor-Leste, intensificaram-se ao final desta manhã de terça-feira com os manifestantes a queimarem pneus e a atirarem pedras contra a polícia, que respondeu com disparos de gás lacrimogéneo.

Os distúrbios estão a afetar a zona do Palácio do Governo, do Banco Nacional Ultramarino, do Páteo, da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL) e do Ministério da Justiça.

Durante o período da manhã desta terça-feira, a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) condicionou a manifestação realizada pelos estudantes em frente à UNTL.

Estudantes de outras universidades tentaram derrubar as barreiras de segurança colocadas pela polícia para alcançar o Parlamento Nacional timorense, mas foram dispersos com gás lacrimogéneo.

Depois de chegarem a um entendimento com as forças de segurança e voltarem ao protesto perto do Arquivo e Museu da Resistência, os estudantes começaram a queimar pneus e a juntar pedras, incluindo as dos passeios, para depois serem atiradas contra a polícia.

As forças de segurança voltaram novamente a dispersar os jovens com gás lacrimogéneo.

Fonte do comando das operações de Díli disse à Lusa que o protesto junta cerca de 500 jovens, que estão agora dispersos em vários grupos ao redor do perímetro da UNTL.

Polícia de Timor-Leste já tinha pedido aos estudantes para porem fim aos protestos

A polícia de Timor-Leste pediu, ao início desta terça-feira, aos estudantes que pusessem fim às manifestações, depois de o Parlamento Nacional ter decidido suspender a compra de viaturas novas para os deputados.

“Hoje temos de encerrar a manifestação. Já não podem continuar porque o parlamento já emitiu uma declaração a cancelar a compra de viaturas”, disse à Lusa o comandante de operações da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), o superintendente-chefe Justino Menezes.

O comandante da PNTL afirmou também que o protesto na capital Díli deve parar porque os deputados se queixam de não conseguir trabalhar devido ao barulho.

Em relação ao protesto dos estudantes de segunda-feira, Justino Menezes explicou que foram registados dois feridos sem gravidade e que quatro viaturas foram danificadas.

“Ontem [segunda-feira] praticaram-se atos criminosos, a PNTL também foi atingida e eles [os manifestantes] também foram atingidos. Houve danos em quatro veículos, nomeadamente duas viaturas da polícia com vidros partidos, uma do parlamento e uma privada”, afirmou Menezes.

Os estudantes de quatro universidades de Timor-Leste iniciaram segunda-feira um protesto contra as regalias dos deputados, que acabou por ser disperso com gás lacrimogéneo pela polícia, depois de os manifestantes atirarem pedras e outros objetos contra o Parlamento Nacional, onde decorria a abertura da terceira sessão da sexta legislatura.

O protesto levou a maioria parlamentar a recuar na decisão da aquisição de novas viaturas para os deputados.

O superintendente-chefe acusou os estudantes de terem iniciado as agressões na segunda-feira, um argumento que utilizou esta terça-feira para pedir o fim da manifestação.

“Já falámos com os porta-vozes dos estudantes e eles cooperaram, mas outros estudantes não quiseram ouvir”, acrescentou.

A polícia timorense voltou a usar gás lacrimogéneo para dispersar estudantes, cujos protestos alargaram-se da a Avenida Cidade de Lisboa, onde se entra para o Parlamento Nacional, para a UNTL e também para o Arquivo e Museu da Resistência Timorense, para a rua onde está situada o supermercado Pátio.

O superintendente-chefe estimou que cerca de 500 jovens estão envolvidos nas manifestações.

Os estudantes reivindicam também o fim das pensões vitalícias para os parlamentares, alterações à lei da manifestação e a afetação de verbas significativas para setores que consideram estratégicos para o desenvolvimento do país.

O porta-voz dos manifestantes, Caetano da Cruz, afirmou esta terça-feira à Lusa que o protesto visa também expressar o descontentamento com o Governo liderado pelo primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

“Como podemos estar satisfeitos com um Governo cujas decisões são, em grande parte, quase inconstitucionais, e com deputados, desde a primeira até à sexta legislatura, que muitas vezes discutem mais os seus interesses particulares e partidários do que os interesses do povo”, afirmou Caetano da Cruz.