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O rei de Espanha qualificou esta terça-feira como “crise humanitária insuportável” a situação em Gaza, sublinhando a “total devastação” do território e as “incontáveis vítimas”, após dois anos de ofensiva militar israelita em resposta ao “brutal ataque terrorista” do Hamas.

Felipe VI, chefe de Estado de Espanha, falava no Cairo, no arranque de uma visita oficial ao Egito, acompanhado pela rainha Letizia, que acontece, sublinhou, “num momento convulso e trágico na região” do Médio Oriente.

“Partilhamos um desejo que apoiamos com convicção, de convivência pacífica, diálogo e reconciliação no Médio Oriente que permita finalmente um contexto de estabilidade para o desenvolvimento dos povos com dignidade e justiça. Por enquanto, parece uma utopia, mas deve ser possível e todos devemos contribuir para que assim seja”, afirmou, num encontro com cerca de 300 pessoas da comunidade espanhola no Cairo.

O rei de Espanha considerou que “o último episódio deste conflito”, desencadeado por um “brutal ataque terrorista” do grupo islamita radical Hamas, que controla a Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023, “estendeu demasiado a sua sombra”, ao “provocar uma resposta com incontáveis vítimas, que degenerou numa crise humanitária insuportável, o sofrimento indizível de centenas de milhares de inocentes e na total devastação de Gaza”.

“Os nossos países caminham juntos na procura dessa paz duradoura e corajosa“, acrescentou o monarca, referindo-se a Espanha e ao Egito.

O Egito foi o primeiro país árabe que assinou a paz e estabeleceu relações com Israel, em 1979, e é, juntamente com o Qatar e os Estados Unidos, mediador nas negociações entre Israel e o Hamas.

As referências do chefe de Estado de Espanha à situação em Gaza ocorrem num contexto de agravamento de trocas de acusações entre os governos de Madrid e Telavive.

O Governo espanhol, liderado por Pedro Sánchez, anunciou na semana passada mais nove medidas para tentar “travar o genocídio em Gaza e perseguir os seus executores”, incluindo o embargo total e efetivo ao comércio de armas com Israel ou a proibição de entrada no país a pessoas “que participem de forma direta no genocídio, na violação dos Direitos Humanos e nos crimes de guerra na Faixa de Gaza”.

Israel acusou o Governo espanhol de ser antissemita e anunciou que duas ministras de Espanha estão proibidas de entrar no país.

Esta terça-feira, a televisão pública espanhola (RTVE) anunciou um boicote de Espanha ao Festival Eurovisão da Canção em 2026 se Israel participar, depois de Pedro Sánchez ter reiterado por diversas vezes que este país devia ser excluído de competições desportivas e culturais, como aconteceu com a Rússia depois do ataque à Ucrânia em 2022.

No domingo, 100 mil pessoas, segundo as autoridades locais, ocuparam o circuito da última etapa da Volta a Espanha em Bicicleta no centro de Madrid, impedindo a realização da prova, em protesto contra a situação em Gaza e a participação de uma equipa israelita na competição.

O chefe de Governo elogiou os manifestantes e disse ter “profunda admiração pela sociedade civil espanhola, que se mobiliza contra a injustiça”.