Carlos Moedas apresentou esta quinta-feira o essencial do programa com que vai lutar pela vitória nas próximas eleições autárquicas. À cabeça, e enfrentando um tema que tem sido apontado recorrentemente como o seu calcanhar de Aquiles, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa promete um “novo modelo de gestão da higiene urbana” para a cidade.

“Vamos ter de mudar. E vamos mudá-lo de três maneiras muito concretas: quando nos ecopontos tiver lixo e ao lado tiverem sacos, quem vai recolher é a Câmara. Não vai estar à espera da junta de freguesia. Vamos fazê-lo e vamos fazê-lo sem medo. Depois, vamos voltar a ter a recolha do lixo indiferenciado seis dias por semana. Uma cidade como Lisboa não pode ter três dias por semana. E, finalmente, vamos ter aquilo que é a recolha dos grandes volumes também seis dias por semana”, explicou o autarca.

Recorde-se que Moedas foi ‘contratar’ à equipa de Isaltino Morais, em Lisboa, Joana Baptista, que ocupa, atualmente, o cargo de vereadora das Obras Municipais, Ambiente e Qualidade de Vida. O objetivo assumido, como explicava aqui o Observador, é mesmo revitalizar uma das áreas que mais críticas tem motivado na gestão de Moedas: a recolha do lixo e a organização dos espaços da cidade.

Com três ministros a assistir à apresentação do programa — António Leitão Amaro, Joaquim Miranda Sarmento e Miguel Pinto Luz fizeram questão de estar no CCB — Carlos Moedas aproveitou para voltar a pedir “mais 100 Polícias Municipais” e “mais 500 agentes da PSP”. “Peço ao Governo que me ajude”, interpelou diretamente o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, voltando a falar da questão das competências da Polícia Municipal. “Queremos que a Polícia Municipal possa prender um ladrão. Que o leve à esquadra. Não é que seja órgão de polícia criminal, ela tem que o fazer. E vocês sabem que isso é importante.”

Entre as 15 prioridades apresentadas está, precisamente, adoção um novo plano de segurança para Lisboa, que garante maior policiamento, guardas-noturnos, que já estão a ser treinados pela PSP, e reforço videoproteção, com Moedas a comprometer-se a passar das atuais 95 câmaras para 216.

Diretamente relacionado com a forma como a cidade se organiza, Carlos Moedas voltou a dirigir-se aos membros do Governo ali presentes para pedir a intervenção do Executivo no sentido de acabar com o “licenciamento zero”. “Eu não posso fazer nada”, começou por lamentar o autarca. “Porque tudo é licenciamento zero. Não posso fazer nada quando num prédio há uma livraria que muda para um ginásio e de repente as pessoas não dormem. Mas eu não sei que passou porque nem sequer sou informado. Sou apenas notificado. Isso não pode acontecer”, sublinhou o social-democrata.

Essencialmente, esta proposta servirá não só para responder a este tipo de situações, como também para impedir a proliferação de determinados negócios (lojas de souvenir, por exemplo). Moedas quer ainda um reforço da fiscalização de comércio ilegal.

O atual programa foi coordenado por Lourenço Jardim, consultor em estratégia e inovação, com passagens pela Apple e Amazon, e que colabora com Carlos Moedas desde 2021, mais precisamente na implementação de projetos estratégicos como a Fábrica de Unicórnios, o Conselho de Cidadãos, e a gestão dos fundos europeus. Destaque também para as presenças de Leonor Beleza e Teresa Morais, do PSD, e de João Cotrim Figueiredo, candidato presidencial da Iniciativa Liberal, e Bernardo Blanco, também ele liberal, no CCB. Da sociedade civil, marcaram presença Álvaro Covões, Pedro Couceiro, Bruno Bobone e Adriano Jordão.

Carlos Moedas comprometeu-se ainda a investir em 12 novos equipamentos para os lisboetas, nomeadamente quatro novas creches, cinco escolas e três centros de saúde. Ainda em matéria de Saúde, o autarca quer garantir o rastreio gratuito do cancro do pulmão e do cancro do cólon.

No que respeita à Habitação, outro dos grandes desafios da cidade, Moedas anunciou esta quinta-feira o objetivo de criar novos bairros e parques em Lisboa, numa área total de mais 25o hectares. Em concreto, apontou para o projeto existente para as zonas de Vale de Santo António, que terá 2.400 novas, e Vale de Chelas, onde já estão a ser construídas 1.400 novas casas.

“É um projeto absolutamente incrível e é um projeto que vai mudar a cidade. Vamos criar novos bairros, vamos continuar a apostar nessa nossa identidade dentro dos muros da cidade. Há poucas cidades no mundo que tenham a oportunidade de fazer isto e nós vamos fazê-lo”, assegurou Moedas, cumprimentando em particular Vasco Moreira Rato, até aqui adjunto do gabinete de Filipa Roseta e que será, muito provavelmente e em caso de vitória, o vereador de Moedas para a Habitação e Obras Municipais.

No programa apresentado esta quinta-feira, o autarca prevê ainda a adoção do programa “De Volta ao Bairro”, com promessa de assegurar habitação acessível para os jovens nos bairros históricos.

Na vertente da mobilidade, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa quer assegurar que 100% da frota da Carris será elétrica até 2030, um Metrobus Lisboa-Oeiras e o novo elétrico Lisboa-Loures.

Na Cultura, Moedas quer fazer da Baixa Pombalina a Património Mundial da UNESCO uma realidade (a candidatura foi apresentada formalmente em 2023) e fazer de Lisboa a Capital Europeia da Arte Contemporânea.