Carlos Moedas começa a fechar a equipa com que vai a votos nas próximas eleições autárquicas. Para já, a grande surpresa é mesmo a aposta em Joana Baptista, que ocupa, atualmente, o cargo de vereadora das Obras Municipais, Ambiente e Qualidade de Vida no executivo liderado por Isaltino Morais, em Oeiras. O objetivo assumido, apurou o Observador, é mesmo revitalizar uma das áreas que mais críticas tem motivado na gestão de Moedas: a recolha do lixo e a organização dos espaços da cidade.
Joana Baptista será a número três da lista de Moedas. Ao Observador, fonte da candidatura de Carlos Moedas contextualiza esta escolha e diz não ter dúvidas: “Não há melhor pessoa do que Joana Baptista para pôr a cidade num brinco“. Aos olhos de Moedas, Joana Baptista foi a grande responsável pelo reforço substancial dos investimentos em limpeza urbana e em recolha de resíduos urbanos em Oeiras, seja através da aquisição de novas viaturas e de maquinaria, seja também através da reabilitação dos edifícios das secções de limpeza e da contratação de novos recursos humanos.
Além disso, Moedas reconheceu em Joana Baptista a capacidade de sensibilizar os munícipes para a separação de resíduos e para o cuidado da limpeza com o espaço público, essencialmente através de campanhas nesse sentido, mas foi igualmente responsável por uma maior aposta em soluções tecnológicas de monitorização e de apoio às atividades de gestão de espaços verdes e de limpeza urbana e recolha de resíduos. Vereadora em Oeiras desde 2017, Joana Baptista tem ainda experiência na requalificação de equipamentos públicos, criação e manutenção de espaços verdes, e na reabilitação dos jardins históricos e dos parques urbanos.
Tudo isto pesou na escolha de Moedas para ter Joana Baptista como número três da lista que vai apresentar a votos. Ainda na terça-feira, em entrevista ao portal Sapo, Carlos Moedas já tinha apontado a questão da higiene urbana e do espaço público como a grande prioridade do segundo mandato. Nessa altura, o atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa prometia apresentar alguém com créditos firmados nessa área.
“Quero ter um grande ou uma grande vereadora para o espaço público, para a higiene urbana, para tudo o que são estes problemas da cidade. Tem de ser alguém com mão nisso, com experiência, por isso estou a analisar quem pode ter essa incumbência sempre de pôr a cidade a brilhar. Isso para mim é muito importante, porque são essas pequenas grandes coisas que fazem a cidade. Fizemos um grande caminho, difícil, mas agora precisamos aqui de um empurrão, e para isso é preciso ter um grande fazedor“, contextualizou Carlos Moedas.
Atualmente, esta vereação é ocupada pelo social-democrata Rui Cordeiro, que veio substituir Ângelo Pereira, líder da distrital do PSD/Lisboa e apoio importante de Moedas, obrigado a suspender o mandato na Câmara Municipal depois de ter sido acusado do crime de recebimento indevido de vantagem no âmbito da Operação Tutti-Frutti.
A lista definitiva só ficará oficialmente apresentada para a semana, a 18 de agosto. Mas existirão necessariamente muitas alterações face ao atual elenco que acompanha Carlos Moedas. Desde logo porque, depois de assinar o acordo de coligação com a IL e com o CDS, o social-democrata está obrigado a ceder o quarto e quinto lugares (elegíveis) aos liberais e aos democratas-cristãos.
Oficial: Gonçalo Reis será número dois
Tal como o Observador tinha avançado ainda em fevereiro, está confirmada a escolha de Gonçalo Reis como número dois da lista de Carlos Moedas. Administrador executivo do Conselho de Administração da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), antigo presidente da RTP, militante do PSD, antigo deputado e ex-vereador em Lisboa, Gonçalo Reis é uma figura muito próxima de Moedas — foi, aliás, presença assídua na campanha de 2021.
De resto, chegou a ser apontado como uma hipótese sólida de Rui Rio para liderar essa campanha até Carlos Moedas ser convencido de facto a avançar. Além da EGEAC e da RTP, Gonçalo Reis foi ainda administrador financeiro da Infraestruturas de Portugal, vice-presidente da HAVAS Portugal, CEO do Grupo IPG, presidente da Auto-Estradas do Atlântico e presidente da Globalvia Portugal. Gonçalo Reis tem ainda a particularidade de ser irmão de Pedro Reis, até há pouco tempo ministro de Economia de Luís Montenegro.
Todavia, ainda não é claro como é que Carlos Moedas vai distribuir as peças caso venha a ser reeleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O facto de Gonçalo Reis ser número dois na lista, por exemplo, não significa necessariamente que venha a ser vice-presidente da autarquia. Qualquer decisão só será tomada depois das eleições autárquicas — em caso de vitória, o social-democrata terá de perceber quantos vereadores consegue eleger e, só depois, distribuir os vários pelouros.
[Um homem desobedece às ordens dos terroristas e da polícia e entra sozinho na embaixada. Momentos depois, ouve-se uma enorme explosão. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto a embaixada turca em Lisboa e uma execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o quarto episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui]
Recentemente, a sondagem do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e do ISCT para o Expresso/SIC apontava para uma diferença curta entre Carlos Moedas e Alexandra Leitão, 30 contra 28%. Depois da redistribuição de indecisos a vantagem do social-democrata aumentava (41 contra 36%), mas a margem de erro (3,5%) indicia que a corrida eleitoral na capital pode estar em aberto.
Apesar de tudo, a equipa de Carlos Moedas relativiza aquele estudo de opinião, na medida em que o social-democrata parece ter uma margem de crescimento à direita que Alexandra Leitão não terá à esquerda. Além disso, Moedas quer evitar sofrer do efeito Medina: há quatro anos, os socialistas partiram para a campanha com a forte convicção de que a vitória estava no bolso, o que pode ter contribuído para a forte desmobilização que existiu; manter a ideia de que a luta será renhida, ajudará a manter toda a gente mobilizada em torno do social-democrata.
PSD prepara limpeza em Lisboa e Moedas começa a escolher equipa. Gonçalo Reis na calha