O jogo do reencontro. Poucas semanas depois de se ter despedido do Manchester City, Kevin de Bruyne regressou àquela que foi a sua casa durante dez temporadas e onde apontou 108 golos em 392 partidas. Agora com 34 anos e com o número 11 nas costas da camisola do Nápoles, o médio foi a grande figura de um dos jogos mais aguardados desta ronda inaugural da fase de liga da Liga dos Campeões, já para lá de se ter assumido como uma grandes figuras do novo clube, apesar de ter chegado a Itália no último mercado de transferências. Contudo, havia outro aperitivo a pautar este duelo entre os cityzens e os azzurri: o embate entre Pep Guardiola e Antonio Conte, dois dos treinadores mais reputados do futebol mundial.

Chegou a hora do primeiro adeus num mercado que se espera agitado: Kevin de Bruyne confirma saída do City uma década depois

“Claro que é bom para ele [De Bruyne] voltar. Estou animado para vê-lo depois do jogo. Não me surpreende [o início dele em Itália]. Ele joga a esse nível. Foi absolutamente rápido e jogadores desse nível não precisam de se adaptar. O que ele oferece ao Nápoles? O seu talento incrível, visão de jogo, passes, assistências e golos no último terço do campo. Ele é único. Temos que começar bem esta competição. Há mais jogos do que em temporadas anteriores, mas se começas com um mau resultado, fica sempre mais difícil. Empatámos, na temporada passada, contra o Inter Milão e espero que possamos conseguir um resultado melhor. Temos de aproveitar apenas o momento, a caminhada. Estamos felizes por estar aqui. A prioridade é sempre a próxima partida e sempre foi assim desde que aqui cheguei”, analisou Guardiola.

“Estamos em Manchester com grande orgulho e desejo de fazer bem, mas também com a humildade e a consciência de estar à frente dos mestres da Liga dos Campeões. Voltar a Inglaterra agrada-me. Tive duas experiências maravilhosas no futebol de alto nível, como é o caso da Premier League [no Chelsea e no Tottenham]. Voltar com o Nápoles à principal competição europeia, depois de ter ganhado o Campeonato, é um grande orgulho. Enfrentamos uma equipa cuja história fala por si. É um clube de topo com um treinador fantástico que já ganhou muito. Abordamos este jogo com entusiasmo, mas também com muita humildade. Queremos perceber até que ponto somos capazes de nos comparar com estas realidades. Será também uma forma de compreender como está a decorrer o crescimento e o desenvolvimento do nosso caminho”, perspetivou Conte.

Com Gigi Donnarumma de pedra e cal no onze depois de uma estreia sem sofrer golos frente ao Manchester United, Guardiola lançou Rúben Dias e Bernardo Silva de início, mantendo Nico O’Reilly no lado esquerdo da defesa, perante a ausência de Rayan Aït-Nouri. Sem portugueses do outro lado, Conte lançou de início De Bruyne, Scott McTominay e Rasmus Hojlund, trio que regressou ao Etihad, embora por razões diferentes. Com o Man. City a assumir o controlo das operações e o Nápoles a defender em 5x4x1, o primeiro remate da partida saiu dos pés de Dias que, de fora da área, atirou ao lado (4′). Pouco depois foi a vez de Tijjani Reijnders tentar de longe, mas o remate saiu para o centro da baliza e Vanja Milinkovic-Savic sacudiu para canto (9′). Na primeira vez que chegou à área adversária, o campeão italiano quase marcou, valendo Donnarumma, que impediu o golo de cabeça a Sam Beukema após um canto (17′).

No lance seguinte, Haaland apareceu isolado nas costas dos centrais e, quando tentava chegar à bola, acabou por ser derrubado por Giovanni Di Lorenzo, à entrada da área. Após ver as imagens do lance, o árbitro Felix Zwayer assinalou a falta e expulsou o capitão italiano, que falha assim a receção ao Sporting (20′). O internacional neerlandês continuou em grande plano no meio-campo dos sky blues e quase assistiu Haaland para o golo, mas o cabeceamento do norueguês saiu por cima (24′). Conte respondeu à desvantagem numérica ao colocar Mathias Olivera no lugar de De Bruyne, que não teve um bom regresso a Manchester, embora tenha jogado apenas 26 minutos. Já na parte final do primeiro tempo, Beukema afastou um cruzamento de Bernardo mas, na sequência da jogada, Josko Gvardiol apareceu à entrada da área a desferir um remate traiçoeiro que obrigou Milinkovic-Savic a aplicar-se (38′). O português repetiu a jogada logo a seguir, mas o guarda-redes voltou a travar os cabeceamentos de Gvardiol (42′). Na última jogada de perigo, Matteo Politano impediu o golo de Reijnders com um corte clamoroso (45+2′).

A toada do desafio manteve-se na etapa complementar e, no primeiro lance, Phil Foden recebeu de Jérémy Doku dentro da área, mas o remate, na passada, saiu ao lado (50′). Já com Juan Jesus em campo, o Manchester City desbloqueou o jogo, com Foden a receber em zona central e a picar para Haaland que, de cabeça, inaugurou o marcador, chegando ao golo 50 na Liga dos Campeões, em… 49 jogos (56′). Pouco depois, Doku recebeu de Reijnders à entrada da área, arrancou para a área, furou a defesa e, perante a saída de Milinkovic-Savic, atirou rasteiro para o 2-0, estreando-se a marcar na presente temporada (65′). Essa foi a última amostra do belga no desafio, sendo depois rendido por Savinho. Seguiram-se as entradas de Eljif Elmas, Billy Gilmour e do ex-Benfica David Neres, bem como de Rico Lewis, Nathan Aké e Oscar Bobb, mas o resultado não sofreu mais alterações (2-0). Na próxima jornada, os cityzens vão a casa do Monaco, ao passo que os azzurri recebem o Sporting.