Ana Paula Martins está a preparar a mobilização forçada dos obstetras do hospital do Barreiro para a urgência do hospital Garcia de Orta, em Almada, avança o jornal Expresso. O despacho com esta transferência forçada já estará pronto, entregue à equipa de juristas, faltando apenas a assinatura da ministra da Saúde, continua o Expresso.

A medida entrará em vigor “em breve”, garantiu fonte do gabinete de Ana Paula Martins ao jornal, sublinhando que “vai ser feita rapidamente”, assim que as urgências de obstetrícia na margem sul estiveram concentradas em Almada.

Os assessores da ministra sublinham ao Expresso que esta decisão não é passível de negociações mas os sindicatos ouvidos pelo semanário já vieram dizer que a “mobilização dos médicos terá de ser em regime voluntário” e que não será viável transferir as equipas de obstetrícia. “Os acordos coletivos protegem os médicos da deslocação do seu local de trabalho”, recordou ao jornal Joana Bordalo e Sá, presidente da Federação Nacional dos Médicos.

Os sindicatos afastam ainda o paralelismo com o que o Ana Paula Martins executou enquanto presidente do conselho de administração do Hospital de Santa Maria, no verão de 2023, quando Manuel Pizarro era o ministro da Saúde e Fernando Araújo o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde. Na altura, o fecho da maternidade para obras levou a tutela a mudar especialistas e enfermeiros de saúde materna e obstétrica para a urgência do Hospital de São Francisco Xavier, onde estiveram um mês. Mas, Joana Bordalo e Sá sublinha que a transferência forçada só “foi possível entre o Santa Maria e o São Francisco Xavier porque estão no mesmo concelho”. No entanto, também recorda que “os médicos que aderiram à dedicação plena, desde 2024, estão obrigados a garantir urgências que distem até 30 quilómetros do hospital a que pertencem”.