O chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, alertou esta segunda-feira para a possibilidade do tufão Ragasa, que se aproxima da região, provocar inundações, com o nível de água a poder atingir “cerca de cinco metros de altura”.
Já o Centro de Operações de Protecção Civil instou todos os residentes em áreas baixas a prepararem-se para abandonar as respetivas casas e a estarem prontos para, “a qualquer momento”, seguirem os planos de evacuação, de acordo com as diretivas governamentais.
Na “análise conjunta dos serviços meteorológicos, prevê-se uma maior possibilidade do tufão Ragasa de passar a 100 quilómetros a sul de Macau, com uma longa duração” na manhã de quarta-feira, afirmou Sam Hou Fai, que presidiu esta segunda-feira a uma reunião de emergência do Centro de Operações de Protecção Civil, de acordo com uma nota do Gabinete de Comunicação Social do Governo.
O chefe do Executivo da Região Administrtiva Especial de Macau (RAEM) alertou que é esperado que o tufão traga ao território uma Storm Surge [aumento anormal do nível da água do mar durante uma tempestade, medido como a altura da água acima da maré astronómica normal prevista] grave e más condições meteorológicas, “com a eventualidade de surgirem inundações semelhantes ao nível dos tufões Hato e Mangkhut, estimando-se que o nível de água atinja cerca de cinco metros de altura, cerca de dois metros a contar da superfície da estrada” (sic), ainda de acordo com a mesma nota.
Sam Ho Fai manifestou confiança na preparação do Governo da RAEM para responder “à ameaça do tufão Rasaga”, assente na “forte capacidade de coordenação interdepartamental e de controlo de inundações”.
No entanto, alertou a população para evitar qualquer atitude de complacência face à tempestade tropical.
O chefe do Executivo de Macau sublinhou igualmente que as estruturas públicas devem “mobilizar-se antecipadamente, permanecer vigilantes e preparar-se cuidadosamente para o pior cenário“.
“O objetivo principal será envidar todos os esforços para proteger a vida e os bens de todos os residentes e turistas de Macau”, acrescentou.
O Corpo de Polícia de Segurança Pública pediu à população que armazenasse água engarrafada suficiente para três dias, “além de suprimentos domésticos de água e alimentos não perecíveis”.
A polícia talertou que podem ocorrer cortes de energia durante o tufão, pelo que recomendou à população que carregasse antecipadamente telemóveis, baterias externas e outros dispositivos eletrónicos, “para garantir o acesso oportuno às informações mais recentes sobre o tufão e emergências”.
Residentes de Macau enchem supermercados antes do tufão Ragasa
Os supermercados de Macau encheram-se esta segunda-feira de gente em busca de bens essenciais, antecipando a passagem do supertufão Ragasa pela região e seguindo as recomendações das autoridades, que alertaram para a possibilidade de causar grandes inundações.
A polícia apelou à população, no domingo, para que “fizesse provisões antecipadamente” de água e alimentos suficientes para três dias. Em supermercados, como o San Miu e o Royal, no centro da cidade, algumas prateleiras estavam parcialmente vazias, com os funcionários a trabalhar em permanência para as reabastecer com os stocks.
“Temos idosos e crianças em casa, venho abastecer-me para me preparar para o tufão”, disse à Lusa Kitty Ma, uma professora com 40 anos, com os olhos postos numa prateleira com opções limitadas de noodles instantâneos.
“Já escolhi muitos legumes, agora vou comprar noodles, comida enlatada e carne congelada”, acrescentou, com o cesto já cheio de mantimentos, suficientes para dois ou três dias.
Um funcionário do mesmo supermercado, que reabastecia continuamente a secção dos noodles, disse que o movimento de clientes é o típico de quando um tufão se aproxima.
“As pessoas vêm sempre comprar massa, pão e comida instantânea, e a fila na caixa é sempre longa”, disse, observando que não via desta vez nada de “incomum”.
No supermercado rival, San Miu, o movimento era mais intenso, mas a Lusa não observou aí nenhuma prateleira vazia.
Também nem toda a gente ali estava especificamente por causa do tufão. Um funcionário público de 30 anos, de sobrenome Chan, que estava a escolher legumes, disse que a sua presença ali não estava relacionada com a tempestade e que não tinha “nenhuma intenção de encher a despensa de alimentos”.
“Estou a comprar comida como em dias normais. São apenas dois ou três dias. Depois, tudo voltará ao normal”, afirmou, admitindo também que tinha armazenado cinco garrafas de água em casa.
Mandy Chan, uma funcionária de 35 anos que acabara de sair do emprego, partilhou uma opinião semelhante, quando passava pelo corredor das conservas de peixe.
“Compro o que compraria normalmente. Compro pão, ovos e conservas de peixe”, disse. Ainda assim, no cesto das compras seguia já uma quantidade de comida suficiente para os dois ou três dias aconselhados pelas autoridades.
O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou esta segunda-feira, através de um comunicado, que o abastecimento de alimentos frescos continua “abundante” em Macau, reconhecendo que a procura “continua a aumentar”, à medida que o Ragasa se aproxima.
“O IAM continua a coordenar e a manter uma comunicação estreita com os fornecedores de importação de alimentos em Macau para garantir a qualidade, a segurança e o abastecimento estável de produtos agrícolas, como vegetais e carne, bem como alimentos frescos”, garantiu.
“O transporte de alimentos frescos para Macau continua inalterado, com quantidades suficientes fornecidas para manter a estabilidade da vida quotidiana dos residentes de Macau”, acrescentou.
Em setembro de 2018, o tufão Mangkhut provocou 40 feridos e inundações graves no território. Um ano antes, o Hato, considerado o pior tufão em mais de 50 anos a atingir Macau, causou dez mortos e 240 feridos.
Devido à tempestade tropical, as aulas dos ensinos infantil, primário, secundário e especial ficam suspensas terça e quarta-feira. Os serviços públicos, com exceção das urgências e proteção civil, serão igualmente encerrados.