O antigo Presidente francês Nicolas Sarkozy foi condenado a cinco anos de prisão efetiva, após ter sido considerado culpado do crime de associação criminosa por um tribunal de Paris no caso do financiamento líbio, de acordo com o Le Monde. Até o caso transitar em julgado, haverá uma execução provisória da pena, ou seja, será preso no prazo máximo de um mês que é o tempo que demora a cumprir todos os trâmites burocráticos.

Nicolas Sarkozy foi também condenado a pagar uma multa de 100 mil euros e fica impossibilitado de se candidatar a eleições durante os próximos cinco anos. O tribunal considerou que ficaram provados “factos de gravidade excecional, suscetíveis de alterar a confiança dos cidadãos naqueles que os representam”.

O antigo chefe de Estado francês foi absolvido de outros crimes de que estava acusado, como desvio de fundos públicos e de corrupção passiva. O tribunal explicou que deixou cair as acusações de corrupção, porque não existem elementos concretos que as comprovem. “Não se depreende do processo qualquer ação de Nicolas Sarkozy nesse sentido, após a sua eleição”, acrescentam.

À porta do tribunal, o antigo Chefe de estado francês anunciou que vai recorre da decisão. “Sem dúvida, terei de comparecer algemado perante o tribunal de recurso. Aqueles que me odeiam tanto pensam que me estão a humilhar. O que humilharam hoje foi a França, foi a imagem da França. E se alguém traiu os franceses, não fui eu, foi esta injustiça inacreditável a que acabaram de assistir. Não tenho qualquer espírito de vingança, qualquer ódio, mas que todos compreendam e ouçam bem: lutarei até ao meu último suspiro para provar a minha total inocência”, disse.

Foram também conhecidas as penas de outras figuras-chave do processo. Claude Guéant, antigo ministro e chefe de gabinete de Sarkozy, foi condenado a seis anos de prisão efetiva e a 250 mil euros. O líbio Bechir Saleh, que à altura dos factos era chefe de gabinete de Muhammar Kadhafi, foi condenado a cinco anos de prisão e a uma multa de 4 milhões de euros. O banqueiro suíço Wahib Nacer, que o tribunal considera ter tido “um papel central” na montagem do circuito dos pagamentos, foi condenado a quatro anos de prisão e a uma multa de 2 milhões de euros.

Neste processo judicial, o antigo Chefe de Estado francês era acusado de ter feito um “pacto de corrupção” com o general Muhammar Kadhafi, em 2005. À data dos factos, Sarkozy era ministro do Interior e segundo a acusação aceitou receber financiamento para a sua campanha presidencial de 2007, em troco de apoio público ao governo da Líbia, que estava isolado no cenário internacional.

Sarkozy tem-se declarado sempre inocente e dito que o caso — em julgamento desde janeiro — tem motivação política. A acusação ao antigo Presidente de França (2007-2012) atribui-lhe os crimes de “ocultação de desvio de fundos públicos, corrupção passiva, financiamento ilegal de campanha eleitoral e associação criminosas com o objetivo de cometer um crime”.

O ministério público francês pedia para Sarkozy sete anos de prisão e o pagamento de uma multa de 300 mil euros, assim como cinco anos sem se puder candidatar a eleições. O antigo Presidente denunciou, nas redes sociais, o “excesso” da pena exigida.

Este ano, Nicolas Sarkozy cumpriu pena de prisão domiciliária com pulseira eletrónica, depois de ter sido condenado, em dezembro passado, a três anos de prisão num caso de corrupção e tráfico de influências. Depois de ter cumprido pouco mais de três meses cumpridos, viu o seu pedido de liberdade condicional ser aceite, por ter feito 70 anos.

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