A um ano do oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis, a Itália prepara-se para o voltar a homenagear anualmente. A Câmara dos Deputados italiana aprovou na terça-feira, 23 de setembro, a proposta do Governo de extrema-direita que restabelece o 4 de outubro como feriado nacional em honra do conhecido santo católico. O diploma, apresentado pelo partido Noi Moderati, da parte da coligação centro-direita que integra o executivo de Giorgia Meloni, segue agora para apreciação no Senado, onde deve passar sem problemas de maior, informa a agência de notícias ANSA.
No texto do projeto de lei, aprovado com larga maioria — 247 votos a favor, dois contra e oito abstenções — na câmara baixa do parlamento italiano, lê-se que a recuperação deste feriado pretende homenagear a dedicação de São Francisco “à paz, à fraternidade, à proteção do ambiente e à solidariedade”.
Ainda assim, nem todos se mostraram convencidos. Houve reservas no hemiciclo — mais sobre o impacto do que sobre o símbolo. Deputados dos partidos centristas liberais Italia Viva e Azione (que se abstiveram) questionaram se o país “se pode dar ao luxo” de mais um dia sem trabalho, apontando ao peso da dívida e lembrando que já existem vários feriados obrigatórios. Itália tem 12 feriados nacionais, oito deles religiosos.
“Proclamar São Francisco como festa nacional não é um desperdício nem um capricho da maioria: é uma questão de identidade”, respondeu o deputado Lorenzo Malagola, numa nota publicada pelo partido no poder Irmãos de Itália , explicando que a decisão “devolve à esfera pública um pilar da memória coletiva”.
Não se trata apenas “de adicionar mais um feriado ao calendário – é uma escolha que toca o núcleo da identidade da nossa nação. São Francisco não faz apenas parte da história religiosa, ele é parte integrante da nossa história civil”, acrescentou Lorenzo Malagola. Também Grazia Di Maggio, sua correligionária, saudou a medida: “Será o dia em que Itália se lembrará, novamente, de que é uma terra com uma tradição, uma fé e uma alma que ninguém pode apagar”.
Já presidente da Câmara dos Deputados, Lorenzo Fontana, (da Liga, parte da coligação centro direita que apoia o Governo de Meloni) se congratulou por a câmara baixa ter “dado o sinal verde inicial” à iniciativa legal: “Redescobrir São Francisco também significa reviver a sua mensagem de paz, que é mais atual do que nunca.”
A proposta, que liga a medida às comemorações do oitavo centenário da morte do santo padroeiro de Itália em 2026, para além de instituir o 4 de outubro — data da festa litúrgica de São Francisco de Assis — como feriado, define ainda celebrações institucionais e a respetiva provisão financeira como explica uma nota no site do Parlamento Italiano.
Aliás, a ideia deste feriado partiu primeiro de Davide Rondoni, poeta e presidente da comissão nacional para o “San Francesco 800”, que defendeu a utilidade cívica do feriado ao definir o programa das comemorações.
O texto agora aprovado recupera uma tradição: São Francisco de Assis, que fundou a Ordem Franciscana, já teve um feriado nacional entre 1958 e 1977, ano em que foi retirado do calendário por medidas de austeridade. Conhecido, e venerado, por ter abandonado uma vida de privilégios por um voto de pobreza, dedicando-se ao cuidado dos mais pobres, Francisco, que também era poeta nasceu no final do século XII em Assis, foi canonizado em 1228 e declarado padroeiro de Itália por Pio XII em 1939.