Não era pelas melhores razões, podia trazer melhores resultados. Depois do triunfo na receção ao Chelsea, o segundo consecutivo em Old Trafford para a Premier League e que podia ter outros contornos se Casemiro não tivesse também sido expulso após o vermelho direto a Robert Sánchez no início do jogo, Ruben Amorim teve uma semana “limpa” para trabalhar com o grupo tendo em vista o encontro frente ao Brentford. A má campanha na última temporada fez com que falhasse a entrada nas provas europeias, a humilhante eliminação frente ao Grimsby Town fez com que a Taça da Liga deixasse de figurar no calendário e, contas feitas, os red devils teriam uma época de 2025/26 somente focados no Campeonato e na Taça de Inglaterra. Dúvida: poderia ser essa a rampa de lançamento para uma fase melhor da equipa depois da contestação?

Bruno quis deixar a sua marca no dia 200 e foi o Papa que Amorim precisava: capitão marca golo 100 e guia United no regresso às vitórias

“É muito importante alcançar duas vitórias seguidas na Premier. No final do último jogo conversámos sobre isso. É bastante importante termos a sensação de urgência. Precisamos de ganhar a qualquer custo”, tinha destacado o técnico português na antecâmara do encontro, enfatizando essa necessidade à luz de um dos piores registos que acumulou desde que chegou a Inglaterra: desde novembro de 2024 que não somara duas vitórias seguidas na Premier League, algo que aconteceu pela última vez em março deste ano mas com jogos do Campeonato e da Liga Europa. Para a principal prova nacional, a última vez fora com Erik ten Hag.

“Compreendo o sentimento dos adeptos, é normal. Eles não sabem o que vai acontecer no próximo jogo. Para ser totalmente honesto, eu tenho uma ideia mas também não sei como vai ser e sou o treinador da equipa. Isso está relacionado com o momento que atravessamos há tantos meses. A melhor forma de lidar com a situação é encarar cada jogo como se fosse o último”, acrescentara após uma semana um pouco mais calma pelo triunfo diante dos campeões mundiais mas que nem por isso voltou a ter algumas opiniões que colocavam Ruben Amorim mais como problema do que como solução para o futuro dos red devils.

Não caiu o sistema, não caiu a filosofia, não cai o treinador: Ruben Amorim seguro no United (apesar dos vários registos negativos)

“O mais importante é começar o jogo como fizemos com o Chelsea e o Burnley. Neste tipo de jogos, temos de estar realmente focados e ter a sensação de que precisamos de vencer todas as partidas”, colocara como um dos principais objetivos para a partida que abria a sexta jornada, que começava com o Manchester United em 11.º lugar com sete pontos, a três do segundo classificado Arsenal e os mesmos… do rival City. No entanto, parece não haver mesmo volta a dar a quem tudo acontece: Amad Diallo falhou o jogo pela morte de um familiar, os erros individuais voltaram em força, Bruno Fernandes falhou um penálti e, no meio de tudo isto, Frank Ilet, o adepto do Manchester United que há quase um ano prometeu não cortar o cabelo enquanto a sua equipa não conseguisse cinco vitórias seguidas, vai ficar mais uns bons tempos com o novo look…

Apesar de todas essas promessas, e um pouco contra a corrente do que se poderia pensar na antecâmara, o Manchester United foi tentando assumir o controlo da partida mas acabou por cair em erros individuais que se revelaram demasiado pesados em termos de resultado. Logo à cabeça, Harry Maguire: na sequência de um pontapé longo da defesa da defesa, o central deu um passo à frente para tentar colocar Igor Thiago em fora de jogo mas acabou por estender a passadeira ao avançado brasileiro para o 1-0 isolado (8′). Bayindir ainda evitou por duas ocasiões o segundo golo na sequência de bolas paradas, com Sepp van den Berg e Collins a verem o guarda-redes turco desviar em cima da linha aquilo que pareciam ser golos certos (17′), mas o 2-0 não demorou a chegar, com Igor Thiago a combinar com Kevin Schade depois de mais um passe longo para o cruzamento intercetado para a frente e a recarga de forma oportuna na área do brasileiro (20′).

Quando se esperava um United à procura daquilo que ainda não tinha conseguido com Ruben Amorim no comando, aquilo que se via era quase um remake de uma das maiores e mais pesadas goleadas sofridas pela equipa nos últimos anos, quando perdia por 2-0 aos 18′ no Gtech Community Stadium em agosto de 2022 e chegou ao intervalo já com uma desvantagem de 4-0. Foi aí que, numa jogada de insistência, Sesko conseguiu o primeiro golo pelos red devils à terceira tentativa após cruzamento de Dorgu com intervenção de Mbeumo, que defrontava a sua anterior formação, a importunar Caoimhin Kelleher na pequena área (26′). O intervalo chegaria sem mais golos mas com essa “promessa” de que o Manchester United ainda estava no jogo.

Os minutos iam passando, os treinadores mantinham as mesmas opções, as oportunidades continuavam a não aparecer. Bruno Fernandes tentava agarrar um pouco mais no jogo, Matheus Cunha tentava por dentro com um remate para defesa segura de Kelleher, Dorgu era cada vez mais um extremo com chegadas à área contrária. Nada funcionava, Bayindir acabou por salvar de novo a equipa com Diogo Dalot a acusar algumas dificuldades no regresso após lesão, Yoro e Mainoo foram a jogo para tentarem dar mais critério à saída do United mas acabou por ser o lateral português a fazer um passe fantástico para Matheus Cunha cruzar na direita e Mbeumo ser carregado em falta, com Bruno Fernandes a assumir o penálti mas a permitir a defesa de Kelleher, naquele que foi o segundo castigo máximo falhado pelo capitão (76′). Mount e Zirkzee ainda foram a jogo mas a desvantagem não mais seria recuperada, com o United a somar nova derrota por 3-1, com Janssen a aproveitar uma saída rápida com a defesa descompensada para “fechar” o jogo (90+5′).