Begoña Gómez, mulher do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, não compareceu este sábado no Tribunal de Instrução n.º 41 de Madrid, depois de ter sido convocada pelo juiz Juan Carlos Peinado na quarta-feira para estar em tribunal, para que acusação e defesa concretizassem as suas alegações no caso de alegado peculato.

Contudo, Begoña Gómez não foi a única suspeita a não estar presente naquela instância, já que a sua assessora, Cristina Álvarez, e o delegado do Governo em Madrid, Francisco Martín, que era superior da assessora na sua passagem pelo cargo de secretário-geral da presidência do Governo, faltaram também à sessão.

Os três suspeitos fizeram-se representar somente pelos respetivos advogados, com a defesa de Begoña Gómez a ser assegurada pelo antigo ministro socialista Antonio Camacho. De acordo com o jornal El Mundo, as defesas dos três suspeitos pediram o arquivamento deste processo de peculato, no qual está em causa a contratação de Cristina Álvarez e a sua alegada prestação de serviços a Begoña Gómez de natureza pessoal quando estaria a ser paga com fundos públicos.

O Ministério Público espanhol também subscreveu esta posição e considerou não existirem indícios de crime, alegando que as duas mulheres não eram as funcionárias responsáveis pelos fundos. Quanto às 121 mensagens trocadas entre a assessora e a Universidade Complutense sobre a cátedra de Begoña Gómez naquela instituição, o MP desvalorizou, lembrando que a maioria é sobre questões de agenda e que não fundamentam o crime de peculato.

Mulher do primeiro-ministro espanhol mais perto de ir a julgamento por peculato

Por outro lado, a acusação foi representada pelo advogado da associação Hazte Oír, que agrega todas as acusações populares (Iustitia Europa, Vox, Manos Limpias) associadas à extrema-direita. O jornal espanhol refere que foram expostos episódios de colaboração da assessora nos negócios privados de Gómez e que essas práticas constituem indícios suficientemente fortes para levar a mulher do primeiro-ministro e os outros dois suspeitos a julgamento por peculato.

Agora as partes têm novo prazo de cinco dias para se pronunciarem e emitirem as suas conclusões relativamente à investigação.

Com essas conclusões será efetuada uma nova audiência preliminar (na qual ainda podem ser apresentadas mais pedidos de diligências), com o juiz a avançar então com uma decisão, igualmente aberta a recurso para instância superior. Em suma, equivale à fase de instrução portuguesa; só então o caso estará em condições de seguir para fase de julgamento, já com tribunal de júri, por decisão de Peinado, embora essa fase passe depois para as mãos de outro juiz.

Begoña Gómez, de 54 anos, está a ser investigada desde abril de 2024 por corrupção e tráfico de influências, na sequência de queixas apresentadas por duas associações reputadas como próximas da extrema-direita: Manos limpias (Mãos limpas) e Hazte oír (Faz-te ouvir). É suspeita de ter utilizado a posição do marido no âmbito das suas relações profissionais, nomeadamente com Juan Carlos Barrabés, um empresário espanhol, além da ligação à Universidade Complutense de Madrid.

Este caso de alegado peculato representa uma segunda linha da investigação, focada na contratação e trabalho da assessora Cristina Álvarez.