A Casa Branca divulgou esta segunda-feira um longo plano para alcançar um cessar-fogo em Gaza, que inclui 20 pontos formulados pelos EUA para pôr fim à guerra e para o futuro do território palestiniano. O comunicado foi apresentado minutos antes de Donald Trump começar a falar na Casa Branca sobre a proposta, que ainda não foi aprovada pelo Hamas, mas que já teve sinal verde de Israel.
Na conferência de imprensa, após estar reunido com o Presidente dos EUA, Benjamin Netanyahu confirmou que tinha aceitado os termos do plano, mas não ficou claro se todos os pontos, em específico, foram aprovados pelo primeiro-ministro israelita.
Antes de ser libertado o documento oficial, com os 20 pontos, foi noticiado que o documento continha um ponto extra. Neste lia-se que o Israel concordaria em “não realizar futuros ataques no Qatar” e que os EUA e a comunidade internacional “reconhecem o importante papel de mediação de Doha no conflito de Gaza”. O ponto caiu do documento, depois de Netanyahu, a partir da Casa Branca, ter ligado ao primeiro-ministro do Qatar durante a reunião desta segunda-feira, pedindo-lhe desculpa pelo ataque com mísseis de Israel em Doha.
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Eis o texto completo da proposta, fornecido pela Casa Branca:
- Gaza será uma zona livre de terrorismo, a e que não representa uma ameaça para os seus vizinhos.
- Gaza será reconstruida em benefício do povo de Gaza, que já sofreu mais do que o suficiente.
- Se ambos os lados concordarem com esta proposta, a guerra terminará imediatamente. As forças israelitas retirarão para a linha acordada para se prepararem para a libertação dos reféns. Durante este período, todas as operações militares, incluindo bombardeamentos aéreos e de artilharia, serão suspensas, e as linhas de batalha permanecerão congeladas até que as condições para a retirada completa sejam cumpridas.
- No prazo de 72 horas após a aceitação pública deste acordo por parte de Israel, todos os reféns, vivos e mortos, serão devolvidos.
- Assim que todos os reféns forem libertados, Israel libertará 250 prisioneiros condenados a prisão perpétua, para além de 1.700 residentes de Gaza que foram detidos após 7 de Outubro de 2023, incluindo todas as mulheres e crianças detidas neste contexto. Por cada refém israelita cujos restos mortais forem libertados, Israel libertará os restos mortais de 15 residentes de Gaza falecidos.
- Assim que todos os reféns forem devolvidos, os membros do Hamas que se comprometerem com a coexistência pacífica e a desmantelar as suas armas serão amnistiados. Os membros do Hamas que pretendam sair de Gaza receberão uma passagem segura para os países recetores.
- Após a aceitação deste acordo, toda a ajuda será enviada imediatamente para a Faixa de Gaza. No mínimo, os montantes de ajuda serão consistentes com o que foi incluído no acordo de 19 de janeiro de 2025 em relação à ajuda humanitária, incluindo a reabilitação das infraestruturas (água, eletricidade, esgotos), a reabilitação de hospitais e padarias e a entrada dos equipamentos necessários para remover escombros e abrir estradas.
- A entrada de distribuição e ajuda na Faixa de Gaza ocorrerá sem interferência das duas partes, através das Nações Unidas e das suas agências, e do Crescente Vermelho, para além de outras instituições internacionais não associadas de forma alguma a nenhuma das partes. A abertura da passagem de Rafah em ambos os sentidos estará sujeita ao mesmo mecanismo implementado pelo acordo de 19 de janeiro de 2025.
- Gaza será governada sob a governação transitória temporária de um comité palestiniano tecnocrático e apolítico, responsável pela administração diária dos serviços públicos e dos municípios para a população de Gaza. Este comité será composto por palestinianos qualificados e especialistas internacionais, com supervisão e supervisão de um novo órgão internacional de transição, o “Conselho da Paz”, que será liderado e presidido pelo Presidente Donald J. Trump, com outros membros e chefes de Estado a serem anunciados, incluindo o ex-primeiro-ministro Tony Blair. Este organismo estabelecerá a estrutura e administrará o financiamento para a reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestiniana conclua o seu programa de reformas, tal como delineado em várias propostas, incluindo o plano de paz do Presidente Trump em 2020 e a proposta franco-saudita, e possa retomar o controlo de Gaza de forma segura e eficaz. Este organismo recorrerá aos melhores padrões internacionais para criar uma governação moderna e eficiente que sirva o povo de Gaza e seja propícia à atração de investimento.
- Um plano de desenvolvimento económico de Trump para reconstruir e dinamizar Gaza será criado através da convocação de um painel de especialistas que ajudaram a dar origem a algumas das prósperas cidades modernas e milagrosas do Médio Oriente. Muitas propostas de investimento ponderadas e ideias de desenvolvimento interessantes foram elaboradas por grupos internacionais bem-intencionados e serão consideradas para sintetizar as estruturas de segurança e governação para atrair e facilitar estes investimentos que criarão empregos, oportunidades e esperança para o futuro de Gaza.
- Será estabelecida uma zona económica especial com tarifas preferenciais e taxas de acesso a negociar com os países participantes.
- Ninguém será forçado a deixar Gaza, e aqueles que desejarem sair serão livres de o fazer e regressar. Incentivaremos as pessoas a ficar e oferecer-lhes-emos a oportunidade de construir uma Gaza melhor.
- O Hamas e outras fações concordam em não ter qualquer papel na governação de Gaza, directa, indirecta ou de qualquer forma. Toda a infra-estrutura militar, terrorista e ofensiva, incluindo túneis e instalações de produção de armamento, será destruída e não reconstruída. Haverá um processo de desmilitarização de Gaza sob a supervisão de monitores independentes, que incluirá a desativação permanente de armas através de um processo acordado de desmantelamento, apoiado por um programa de recompra e reintegração financiado internacionalmente, todos verificados pelos monitores independentes. A Nova Gaza estará totalmente empenhada na construção de uma economia próspera e na coexistência pacífica com os seus vizinhos.
- Os parceiros regionais fornecerão uma garantia para assegurar que o Hamas e as fações cumprem as suas obrigações e que a Nova Gaza não representa qualquer ameaça para os seus vizinhos ou para o seu povo.
- Os Estados Unidos trabalharão com parceiros árabes e internacionais para desenvolver uma Força Internacional de Estabilização (FIS) temporária a ser imediatamente destacada em Gaza. A FIS irá formar e prestar apoio às forças policiais palestinianas em Gaza, que já foram avaliadas, e consultar a Jordânia e o Egipto, que possuem uma vasta experiência nesta área. Esta força será a solução de segurança interna a longo prazo. A FIS trabalhará com Israel e o Egipto para ajudar a proteger as zonas fronteiriças, juntamente com as forças policiais palestinianas recentemente formadas. É fundamental impedir a entrada de munições em Gaza e facilitar o fluxo rápido e seguro de mercadorias para reconstruir e revitalizar Gaza. Será acordado um mecanismo de resolução de conflitos entre as partes.
- Israel não ocupará nem anexará Gaza. Para estabelecer o controlo e a estabilidade, as Forças de Defesa de Israel (FDI) retirarão com base em padrões, marcos e prazos ligados à desmilitarização, que serão acordados entre as FDI e a FIS, os garantes e os Estados Unidos, com o objetivo de uma Gaza segura que deixe de representar uma ameaça para Israel, o Egito ou os seus cidadãos. Na prática, as FDI entregarão progressivamente o território de Gaza que ocupam à FIS, de acordo com um acordo estabelecido com a autoridade de transição, até serem completamente retiradas de Gaza, excepto uma presença no perímetro de segurança que permanecerá até que Gaza esteja devidamente protegida de qualquer ameaça terrorista ressurgente.
- Caso o Hamas adie ou rejeite esta proposta, as medidas acima referidas, incluindo a operação alargada de ajuda humanitária, prosseguirão nas áreas livres de terrorismo entregues pelas FDI à FIS.
- Será estabelecido um processo de diálogo inter-religioso com base nos valores da tolerância e da coexistência pacífica para tentar mudar as mentalidades e as narrativas dos palestinianos e dos israelitas, enfatizando os benefícios que podem ser obtidos com a paz.
- À medida que a reconstrução de Gaza avança e o programa de reforma da Autoridade Palestiniana é fielmente executado, podem finalmente estar reunidas as condições para um caminho fiável para a autodeterminação e a criação de um Estado Palestiniano, que reconhecemos como a aspiração do povo palestiniano.
- Os Estados Unidos estabelecerão um diálogo entre Israel e os palestinianos para chegar a acordo sobre um horizonte político para uma coexistência pacífica e próspera.