Tem sido o exemplo paradigmático da mudança de realidade a que o FC Porto assistiu de uma temporada para a outra. Depois de desaparecer na época passada após ter sido um dos elementos mais importantes da era Sérgio Conceição, Pepê parece ter recuperado a sua melhor versão e está a ser crucial para o sucesso de Francesco Farioli. E o avançado brasileiro já não esconde que viveu dias difíceis depois da saída do treinador português na sequência da vitória de André Villas-Boas nas eleições de abril de 2024.

Em entrevista à ESPN, Pepê explica que esteve perto de sair durante o verão, até pela forma como tinha terminado a temporada e na sequência do processo disciplinar de que foi alvo enquanto Vítor Bruno ainda era o treinador, mas que decidiu ficar depois do período de férias no Brasil, acabando mesmo por renovar contrato no final de agosto. Agora, nas suas próprias palavras, está a viver “o melhor início de temporada desde que chegou ao FC Porto”.

“Não somos aquilo que pensamos ser.” Vítor Bruno diz que Pepê se “autoexcluiu” do jogo e não foi convocado “por vontade dele”

“É um clube espetacular para mim. Desde que cheguei que o clube me abraçou de uma forma incrível. A cidade, os adeptos, tudo. O clube em particular tem-me dado um apoio que é totalmente incrível. Faz-me querer estar aqui, faz-me querer dar o meu melhor para poder retribuir todo esse carinho, tudo aquilo que eles fizeram e fazem por mim, seja dentro ou fora de campo. É inexplicável. É um clube que abraça todos e os adeptos também têm um carinho enorme por mim, por todos os outros jogadores que chegam. É uma sensação que faz com que queiras estar aqui, queres mostrar que mereces fazer parte disso tudo”, começou por dizer.

Mais à frente, Pepê não fugiu aos problemas da temporada passada, entre o período comandado por Vítor Bruno e a passagem de Martin Anselmí no Dragão, e explicou que até mudou a própria personalidade. “Muitas coisas aconteceram na temporada passada, coisas que acabaram por influenciar o facto de não ter tido um bom ano. Procurei limpar a minha cabeça para voltar a ser o Pepê de sempre, alegre, espontâneo, brincalhão, que ama jogar futebol. Acho que isso tudo foi fundamental para que pudesse retomar e fazer aquilo que tanto amo, que é jogar futebol com muita alegria. Está tudo a refletir-se agora dentro de campo e os números mostram isso”, acrescentou o avançado, que leva dois golos e uma assistência.

Ainda assim, o brasileiro garante que os motivos da quebra da temporada passada estiveram mais relacionados com o que se ia passando dentro de campo do que com os fatores extra-futebol. “Eu estava um pouco mais fechado na temporada passada, não sei explicar ao certo os motivos, mas sentia que as coisas não estavam a correr muito bem para mim. Não fiz uma boa pré-temporada, os primeiros jogos também não me ajudaram. Isso tudo afetou a minha cabeça. Fiquei mais fechado, passei a não ser eu mesmo. No geral, estou sempre bem disposto e pronto para ajudar. Como as coisas não estavam a acontecer da maneira que queria, acabei por me fechar. Claro que isso me prejudicou bastante”, indicou.

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“Sou alguém que se cobra bastante, principalmente quando as coisas não correm bem dentro de campo. Querendo ou não, isso acabava por me afetar, acabava por me atrapalhar. Acho que limpar a cabeça foi fundamental para mim. Não posso cometer os mesmos erros e, se vier a acontecer, agora sei como agir de maneira diferente. Da forma como correu, não quero nunca mais que isso se repita”, adiantou o jogador de 28 anos.

Sobre o processo disciplinar de que foi alvo na temporada passada, com Vítor Bruno a defender que o brasileiro se “autoexcluiu” das opções e este a responder nas redes sociais, Pepê só tem uma versão: a do arrependimento. “Foi mesmo o meu pior momento no FC Porto. As coisas aconteceram de uma forma que eu não imaginava e acabei por agir muito pela emoção. Sinto muito por tudo aquilo, não devia ter agido como agi. Arrependo-me muito do que fiz. Agora isso é passado. É olhar para a frente, porque acho que isso nunca mais volta a acontecer”, garantiu, acrescentando que recuperou o “sorriso no rosto, de orelha a orelha”.

Por fim, Pepê falou ainda sobre tudo o que aprendeu com Sérgio Conceição. “Ele é muito exigente, é um tipo que me ajudou muito aqui. Foi o melhor treinador com quem já trabalhei. Ensinou-me a ver o futebol de uma maneira totalmente diferente, ensinou-me a entender o jogo de uma maneira incrível. É um treinador que ama o desporto, ama o que faz, ama viver nesta atmosfera. Vive o futebol com muita paixão e intensidade”, terminou, defendendo ainda que o treinador iria “dar muito certo” no Brasil.

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