Carlos Moedas voltou a apelar a mobilização dos eleitores de direita em torno da sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa. Apesar de estar apostado em fazer uma campanha discreta do ponto de vista mediático — o autarca tem prevista uma agenda pública reduzidíssima e vai preferindo incursões no terreno longe do olhar da comunicação social —, o social-democrata tem dramatizado e insistido na ideia de que estas eleições estão reduzidas a uma escolha muito clara: continuar a melhorar a cidade ou voltar aos anos de governação socialista.
“Estamos a meio de um projeto. Não sou presidente da Câmara contra ninguém. Mas é preciso que as pessoas se mobilizem para não voltarmos para trás”, afirmou Carlos Moedas, já na parte final de um almoço organizado pelo International Club of Portugal, no Hotel Sheraton, a sua única ação oficial de campanha do dia — e que não teve direito a perguntas dos jornalistas presentes no evento. Amanhã, quarta-feira, dia de debate com todos os candidatos na RTP, Moedas também não tem qualquer ponto na agenda de campanha.
Apesar de tudo, a intervenção de Moedas neste almoço-debate do International Club of Portugal permitiu ao autarca fazer o balanço dos seus quatro à frente da Câmara Municipal de Lisboa e projetar os próximos quatro, no caso de revalidar a vitória conseguida em 2021. Curiosamente, foi uma das perguntas dos comensais ali presentes que permitiu ao social-democrata subscrever a política seguida pelo Governo de Luís Montenegro e falar da questão da imigração.
“Como sabem, fui o primeiro político a falar sobre imigração e fui atacado de uma maneira desproporcional”, começou por lamentar o social-democrata, antes de defender as posições assumidas pelo atual Executivo da AD. “Um país que não tem políticas de imigração só pode estar a fazer tudo mal. É muito importante o passo que o Governo deu [na Lei de Estrangeiros]. Não tem nada que ver com direita ou esquerda. Tem que ver com humanismo.”
Antes, na sua intervenção inicial, e aproveitando a presença do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, Carlos Moedas voltou a pressionar o Governo a garantir mais agentes da PSP na cidade e a dar um novo enquadramento legal à Polícia Municipal. “Há certos tipo de crime que me preocupam. Sobretudo no caso das violações. Isso [a falta de agentes] só se pode resolver com o Governo e o Governo vai ter de ajudar.”
O candidato abordou também a questão da recolha do lixo e da higiene urbana. Criticando mais uma vez a descentralização que foi feita no passado, o social-democrata garantiu que a gestão será feita de forma centralizada, pela autarquia, e que a recolha do lixo indiferenciado será feita seis dias por semana “Tendo eu melhores condições para governar”, salvaguardou, numa apelo subtil à maioria reforçada que espera ter nestas eleições.
Quanto ao balanço que faz destes últimos quatro anos, Moedas começou com uma nota pessoal. Assumindo ser um “verdadeiro privilégio servir os lisboetas”, Moedas revelou o que sentiu quando foi eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa. “A minha vida estava finalmente a fazer sentido.”
Moedas falou depois do desafio da habitação, recordando o esforço de reabilitação e a entrega de 2.881 chaves, mas também o apoio às rendas que a autarquia concedeu. Para futuro, o social-democrata apresentou os projetos previstos no programa da coligação para a construção de uma “nova cidade”, nos “250 hectares entre o Vale de Chelas e o Vale de Santo António”.
O social-democrata sublinhou ainda as 16 mil pessoas com mais de 65 anos que têm hoje médico de família graças ao plano de saúde criado pela autarquia, mas também a retirada de 500 tendas da cidade de Lisboa, fazendo uma crítica implícita à oposição do PS e dos partidos mais à esquerda. “Não há nada pior do que a ideologia.”
Moedas elegeu ainda a “fábrica de unicórnios” como um dos seus maiores orgulhos, lamentando “os cínicos” que sempre tentaram “ridicularizar” a ideia. “Porque é que os nossos jovens não podem sonhar em ter um unicórnio? Ao contrário de outros políticos, não tenho vergonha de falar de empresas. Os políticos não podem ter medo de falar das empresas. São elas que criam empregos. Não são os políticos.”
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