“Não nos trataram bem”. A mensagem é comum nas cartas da deputada Mariana Mortágua e da atriz Sofia Aparício, duas dos quatro portugueses detidos após serem intercetados pelas autoridades israelitas a bordo da flotilha humanitária a caminho de Gaza.
Fizeram chegar as mensagens através da embaixadora portuguesa em Israel, Helena Paiva, com quem se encontraram esta sexta-feira na prisão no deserto de Negev, no sul do país. A dirigir-se à mãe, Mortágua escreveu à mão que está sem “água nem comida há 48 horas”. “Mas está tudo bem e não fui parar à solitária“, acrescentou. Apela ainda: “Convoquem manifestações.”
Noutra mensagem partilhada por Joana Mortágua, irmã de Mariana Mortágua, informa-se ainda que o cônsul português revelou que a líder do partido está numa cela com 12 pessoas.
Sofia Aparício também escreveu uma carta à família, que enviou pela embaixadora, enquanto está detida em Israel. “Estou bem. Não nos tratam bem. Nem água ainda nos deram. Para comer só pimentos crus com iogurte”, lê-se na mensagem.
E acrescentou: “Fomos postas numa jaula para o ministro dos negócios estrangeiros desta terra vir ser filmado como propaganda.”
“Já estamos com a embaixadora de Portugal aqui em Israel e espero regressar em breve”, escreveu ainda Sofia Aparício.
Ainda na manhã de sexta-feira, a dirigente bloquista Marisa Matias disse ter recebido do Ministério dos Negócios Estrangeiros a informação de que a embaixadora portuguesa em Israel, Helena Paiva, estava a caminho do centro onde estão detidos os portugueses em Israel.
“Infelizmente não há muitas informações novas, a informação que nos chega neste momento a é de que a embaixadora de Portugal em Israel está a aproximar-se do centro de detenção para entrar em contacto com os tripulantes que estão detidos mas pouco se sabe além disso”, disse, pedindo uma “mão firme” do Governo português.
Horas depois, sabia-se através da embaixadora que realizou a visita que os quatro portugueses da Flotilha Global Sumud detidos em Israel estão “bem de saúde, apesar das condições difíceis”. Helena Paiva recebeu “queixas várias” que motivaram um “protesto imediato” da embaixadora portuguesa em Israel.
A diplomata “pôde confirmar que todos se encontravam bem de saúde apesar das condições difíceis e duras à chegada ao porto de Ashdod e no centro de detenção”, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), numa nota enviada à Lusa.
“Não foram sujeitos a violência física, não obstante queixas várias – queixas estas que levaram a um protesto imediato por parte da embaixadora de Portugal em Israel”, segundo o Palácio das Necessidades.
O primeiro-ministro Luís Montenegro manifestou a expectativa de que regressem a Portugal “o mais rápido possível”. “Estamos a fazer tudo para acompanhar a situação, para contribuir para que eles possam regressar ao nosso território o mais rápido que seja possível”, afirmou.
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