Mais um ano marcado pelo sucesso desportivo, não só no futebol (que pertence à SAD) mas também nas modalidades, mais um ano de recordes em algumas rubricas como a quotização ou as inscrições, mais um ano em que o Relatório e Contas do Sporting deveria passar por larga maioria neste novo modelo de reunião magna que permite que os associados passem pelo Pavilhão, votem e saiam como se fosse uma Assembleia Geral Eleitoral. Este domingo não deveria ser exceção, com a receção dos leões ao Sp. Braga a “ajudar” a uma maior afluência para apreciar as contas apresentadas depois da aprovação por larga maioria do Relatório e Contas da SAD ao final da tarde desta sexta-feira, com 99,99% de votos favoráveis.
Em traços gerais, o Sporting apresentava um lucro de 1,577 milhões de euros, bem abaixo dos 21,1 milhões do exercício anterior que se justificou pela reestruturação da dívida acordada com o Novo Banco, com pontos positivos como o aumento do valor de quotização para 14,6 milhões de euros (179.453 associados, dos quais 119.139 pagantes) e do incremento da receita por inscrição nas modalidades para 2,6 milhões, naquele que foi o quarto ano seguido a crescer com quase oito mil praticantes (7.952). Em contrapartida, o passivo cresceu cerca de sete milhões de euros para 233,8 milhões, justificado sobretudo pelo aumento da conta corrente da SAD, e os custos operacionais também subiram quase 10%, com mais 3,2 milhões de euros nos gastos com pessoal “pelo aumento da remuneração base e encargos sociais”. “É fruto da transferência que o clube tem efetuado de contratos de prestação de serviços para contratos de trabalho desportivo, assim como de um crescimento das remunerações fixas e variáveis dos colaboradores”, justificava o Relatório.
Em paralelo com isso, e na “notícia” que acabou por ser mais destacada depois de ser conhecido o Relatório e Contas do clube no exercício de 2024/25, a Direção do Sporting levava a sufrágio a possibilidade de haver um “prémio excecional” para todos os colaboradores, neste caso cerca de 220, no valor de 278,75 mil euros “a título de participação nos lucros”. Esse devia ser um dos pontos do discurso de Frederico Varandas, líder da formação de Alvalade, no arranque da Assembleia Geral, numa época em que todas as modalidades ganharam títulos à exceção do basquetebol em paralelo com o bicampeonato e a dobradinha do futebol.
????Relatório e Contas aprovado por 93,5% dos sócios e dos votos
"A Assembleia Geral apurou 1.670 sócios votantes, a que corresponderam 9.871 votos. Quer em termos de sócios, quer em termos de votos, a percentagem a favor foi de 93,5%. Portanto, a proposta do Conselho Diretivo do… pic.twitter.com/BH4ZvoD5Ny
— Universo Sporting (@Universo_scp) October 5, 2025
Antes, sem que se esperasse depois da longa intervenção que teve no aeroporto antes da partida para Nápoles onde respondeu às acusações do Benfica sobre benefícios de arbitragem ao Sporting, o líder dos leões voltou a falar à entrada para a Assembleia Geral, neste caso apontando não só a Rui Costa mas ao próprio Luís Filipe Vieira, que entre elogios aos seus mandatos falou num “manto verde” que cobria a Federação.
“Já esclareci as questões de arbitragem mas essa do manto verde ainda não. Muito se tem dito que o Sporting controla os órgãos do futebol e gosto de fazer estes exercícios… Pensem comigo: o atual presidente da FPF, é conhecido por toda a gente, é benfiquista; o presidente da Liga… o que me disseram antes, quando fiz o trabalho de casa, é que era uma pessoa séria e íntegra mas que era benfiquista. Se olharmos para elementos mais abaixo, de elementos da Direção, encontramos grandes sportinguistas como Domingos Paciência, Toni… Rui Caeiro é sportinguista mas tem um passado curioso, foi vice de Bruno de Carvalho e proposto, pelos nossos órgãos sociais, que fosse suspenso de sócio. Podemos ver como é tudo verde…”, ironizou.
“Estive há pouco tempo com o presidente da FPF que me disse estar perplexo com esta situação e revelou-me que faz o mapeamento das afinidades clubísticas dos órgãos socais: 38% são afetos ao Benfica e 25% ao Sporting. O presidente do Sporting não se preocupa com isso porque votou num projeto de pessoas sérias e para que não haja o que aconteceu nos últimos 40 anos. Isso acabou, já não há senhores do futebol e isso está a fazer alguma confusão a algumas pessoas. Vejo muitos preocupados, até obcecados com o Sporting. O presidente do Benfica, os candidatos às eleições do Benfica… Fica o conselho: sejam mais competentes, trabalhem mais, isso ajuda muito. Desde que estou na Direção, já houve épocas desportivas mal sucedidas mas nunca o presidente do Sporting desculpou a época com a má arbitragem”, acrescentou.
O facto de haver jogo de futebol às 19h15 acabou por “esvaziar” a reunião magna, com vários associados a passarem pelo Pavilhão João Rocha para votar e sair. Ainda assim, o Relatório e Contas foi votado por 1.670 associados num total de 9.871 votos, merecendo a aprovação de 93,64% (9.243) e apenas 5,1% de votos contra (502). Houve ainda mais 0,92% de votos brancos (91) e 0,35% de votos nulos (35).
“A proposta do Conselho Diretivo do Relatório e Contas do ano de 1 de Julho de 2024 a 30 de Junho de 2025 foi aprovada por esta larga maioria de associados. Queria sublinhar o momento de união que o Sporting vive. Foi, ainda, um número significativo de votantes, tendo em conta o histórico de pessoas que por norma participam nas Assembleias Gerais. Nesse sentido, foi uma boa votação, com números expressivos. Tirando os votos nulos e os brancos, que também houve alguns, houve de facto muito poucos votantes contra”, apontou João Palma, presidente da Mesa da Assembleia Geral, após serem conhecidos os resultados.
“Significa que o Sporting está unido, a viver uma fase fantástica, reconhecida por todos. Quer no futebol masculino sénior, porque ganhámos, fomos bicampeões nacionais e estamos a bater-nos pelo tricampeonato, como o presidente Frederico Varandas sublinhou há dias, mas também nas modalidades, onde temos obtido grandes resultados. Portanto, a Mesa da Assembleia Geral queria sublinhar o grande momento que o clube vive, sobretudo com as perspetivas de afirmação do Sporting como a maior potência nacional”, acrescentou ainda o número 1 da Mesa, em declarações aos meios do clube de Alvalade.