A Global Witness denunciou, numa nova investigação, que, no Reino Unido, o TikTok sugere termos de pesquisa sexualmente sugestivos a crianças de 13 anos, direcionando-os para conteúdo pornográfico, violando o Online Safety Act (OSA), a nova lei britânica de segurança online.

A organização não governamental (ONG) decidiu em julho criar contas falsas na rede social TikTok, com datas de nascimento também fictícias, fazendo-se passar por menores de idade. Os perfis foram criadas em telemóveis novos, sem qualquer histórico de utilização. Já na aplicação, os investigadores escolheram o “modo restrito”, que, segundo o TikTok, é uma configuração de proteção de crianças, que pode ser ativada pelos utilizadores, incluindo pais, no sentido de limitar o tipo de conteúdo a que são expostos na plataforma, como “temas adultos ou complexos e conteúdo sexualmente sugestivo”.

Posteriormente, ao iniciarem a pesquisa na aplicação, os investigadores perceberam que o TikTok, na secção de “podes gostar”, apresenta temas sexualmente sugestivos, que, após alguns cliques, conduz a conteúdo pornográfico. Entre os vídeos, encontram-se mulheres que mostram partes íntimas, que se masturbam ou até atos sexuais que incluem penetração.

Esta investigação aconteceu já depois de um novo conjunto de leis ter entrado em vigor a 25 de julho deste ano: o Online Safety Act (OSA que pretende proteger adultos e, principalmente, crianças em contexto digital. O objetivo passa pela regulação do conteúdo online, impondo deveres legais a plataformas e serviços online para que se tornem mais responsáveis pela segurança dos seus utilizados.

No entanto, esta não é a primeira vez que a Global Witness observa algo semelhante. Numa primeira investigação, antes destas novas leis entrarem em vigor, em janeiro de 2025, os investigadores tiraram as mesmas conclusões, com o mesmo tipo de sugestões no TikTok. A ONG diz, no relatório divulgado na sexta-feira passada, que, na altura, denunciou o caso à rede social, tendo a plataforma respondido que iria “remover recomendações de pesquisa globalmente”. Em maio, depois da denúncia, realizaram nova pesquisa e obtiveram os mesmos resultados.

Estas conclusões foram um “grande choque” para os investigadores, disse Ava Lee, da Global Witness, à BBC, “O TikTok não está apenas a falhar em impedir que estas crianças acedam a este tipo de conteúdo inapropriado. Ele próprio o sugere, quando elas criam uma conta”, afirma.

Texto editado por Dulce Neto