Durante as últimas três semanas, o cientista Fred Ramsdell esteve numas férias nas montanhas do noroeste dos EUA em detox digital. Esta segunda-feira, longe da civilização e parado para reparar o todo-o-terreno onde viajava, o investigador assustou-se quando a sua mulher gritou, após ligar o telemóvel e receber centenas de mensagens: “Acabaste de ganhar o Prémio Nobel!“.
Ramsdell, investigador do laboratório Sonoma Biotherapeutics, é um dos três vencedores do Nobel da Medicina anunciados na segunda-feira em Estocolmo pelo Comité Nobel do Instituto Karolinska, partilhando o louvor com a investigadora norte-americana Mary Brunkow do Instituto de Biologia de Sistemas e o japonês Shimon Sakaguchi, da Universidade de Osaka.
O prémio foi lhes atribuído, segundo o site do comité, pelas suas “descobertas inovadoras sobre a tolerância imunitária periférica, que impede o sistema imunitário de prejudicar o corpo”.
Devido a esta “ausência” comunicacional, o comité demorou 20 horas a conseguir contactar Ramsdell. Segundo o New York Times, a chamada feita pelo comité às 2h00 de segunda-feira (hora no Montana, 9h00 em Lisboa) não chegou sequer ao seu telemóvel, que estava em modo de voo durante as férias.
Incrédulo, Ramsdell falou mais tarde ao jornal norte-americano a partir de um hotel, onde disse que, durante o seu tempo desligado da rede, não esperava receber uma notícia destas. “Certamente não esperava ganhar o Prémio Nobel“, afirmou o investigador, admitindo que essa possibilidade nunca tinha passado sequer pela sua cabeça.
“Fiquei muito grato e honrado por receber o prémio, super feliz pelo reconhecimento do trabalho em geral e ansioso para partilhar isso com os meus colegas também”, acrescentou.
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Só quando chegou ao hotel às 22h15 no Montana (5h15 na hora de Lisboa, 6h15 em Estocolmo) é que o cientista conseguiu falar com o secretário-geral da Assembleia Nobel, Thomas Perlmann. Uma primeira chamada tinha sido tentada no meio das montanhas, porém Perlmann já estava a dormir.
Sobre a conversa, Perlmann disse que o cientista, a sua mulher e os dois cães “ainda estavam na natureza” quando receberam a notícia, onde “há muitos ursos pardos”. “Então ficou bastante preocupado quando ela soltou um grito“, continuou.
Para além do comité, nem sequer família, amigos e colegas conseguiram chegar ao contacto para dar os parabéns. Antes de Ramsdell reaparecer, o co-fundador da Sonoma Biotherapeutics, Jeffrey Bluestone, disse à AFP que ele também estava a tentar contactá-lo mas que achava que estava “a caminhar de mochila às costas nas montanhas do Idaho”. Já um porta-voz do seu laboratório disse à agência que o investigador estava “a viver a sua melhor vida“.