O Ministério das Finanças inscreveu na proposta de Orçamento do Estado para 2026 um valor próximo de 1.700 milhões de euros com a venda do Novo Banco, que está previsto concretizar-se no início de 2026. Este é um valor que conta para a redução da dívida pública mas não para o saldo orçamental (que se prevê ser de um superávite de 0,1% do PIB no próximo ano).

Num dos mapas da receita e despesa do Estado, anexos à proposta de Orçamento do Estado para 2026, preveem-se 1.686 milhões de euros relacionados com a “alienação de partes sociais de empresas” que, apurou o Observador, dizem integralmente respeito ao valor que se espera receber com a venda do Novo Banco.

Os franceses do BPCE aceitaram pagar um total de 6.400 milhões de euros pelo Novo Banco, 25% dos quais vão para o Estado. Esses 25% dividem-se entre uma participação da Direção-Geral do Tesouro e Finanças (que vale quase 750 milhões) e outra que vale mais de 850 milhões e pertence ao Fundo de Resolução (um organismo que é público e cujas contas consolidam na conta geral do Estado).

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Os quase 1.700 milhões de euros que se prevê receber do Novo Banco não são, no entanto, um valor que tenha influência na execução orçamental – não é algo que ajudará o Estado a obter o superávite de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), porque não se trata de uma receita corrente mas, sim, de uma operação financeira. Porém, o valor irá servir para ajudar Joaquim Miranda Sarmento a baixar a dívida pública para menos de 88% do PIB, como também está nos planos do Governo.

O equilíbrio entre despesas e receitas, que conta para o défice/superávite, irá, no entanto, ser muito facilitado pelo dividendo recorde que se espera receber da Caixa Geral de Depósitos, que deverá superar os 1.000 milhões de euros.

Tal como acontece com a receita com a venda do Novo Banco, a apresentação do Orçamento não destacou, como era habitual, a expectativa de dividendos entregues pela Caixa Geral de Depósitos. Mas uma fonte confirmou, ao Observador, que corresponderia à CGD a totalidade dos mil milhões inscritos como previsão de receita com dividendos de empresas do setor financeiro incluídos num dos mapas.