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Presidente da Venezuela chama "bruxa demoníaca" à vencedora do Nobel da Paz

Este artigo tem mais de 1 ano

Maduro afirma que "90% da população rejeita a bruxa demoníaca da 'sayona'", referência ao espírito vingativo das lendas venezuelanas. A líder da oposição diz que Maduro tem "os dias contados".

epa12444143 (FILE) Maria Corina Machado speaks to supporters during a caravan to promote the vote for the presidential candidate of the main opposition alliance in Venezuela, Edmundo Gonzalez Urrutia, ahead of the presidential elections, in Maturin, Venezuela, 20 July 2024 (reissued 10 October 2025). The Norwegian Nobel Committee has announced at the Norwegian Nobel Institute in Oslo, Norway, 10 October 2025, to award the Nobel Peace Prize for 2025 to Venezuelan opposition leader Maria Corina Machado.  EPA/Henry Chirinos
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▲O Comité Nobel norueguês, com sede em Oslo, anunciou na sexta-feira Machado como a vencedora do Prémio Nobel da Paz 2025

Henry Chirinos/EPA

▲O Comité Nobel norueguês, com sede em Oslo, anunciou na sexta-feira Machado como a vencedora do Prémio Nobel da Paz 2025

Henry Chirinos/EPA

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chamou “bruxa demoníaca” à líder da oposição María Corina Machado, que na sexta-feira foi distinguida com o Prémio Nobel da Paz 2025.

Sem mencionar nem o nome de Machado, nem o prémio, o Presidente disse no domingo que “cerca de 90% da população rejeita a bruxa demoníaca da ‘sayona'”. O Governo utiliza frequentemente esta expressão, “sayona”, um espírito vingativo presente nas lendas venezuelanas, para se referir à líder da oposição.

No sábado, María Corina Machado elogiou a postura dos Estados Unidos, que classificou como um fator-chave no isolamento do governante venezuelano, frisando que “a posição firme” do Presidente Donald Trump e do Governo norte-americano “de desmantelar os cartéis de droga mudou completamente a dinâmica”.

Os Estados Unidos enviaram navios para o mar das Caraíbas, alegadamente para combater o tráfico de droga através da Venezuela. Washington acusa ainda Maduro de liderar um cartel ligado ao tráfico. “Queremos a paz e tê-la-emos, mas uma paz com liberdade, com soberania”, respondeu Maduro.

O Presidente ordenou a formação de “brigadas de milícias” de povos indígenas da América do Sul para defenderem “se necessário”, a Venezuela, face aos movimentos militares dos Estados Unidos no mar das Caraíbas, que Maduro descreveu como uma ameaça”

O chefe de Estado, que liderou um evento em Caracas no Dia da Resistência Indígena, afirmou ter “recebido cartas de vários povos indígenas” das Américas que estão “dispostos a lutar para defender a República Bolivariana da Venezuela”.

Maduro ordenou a Orlando Romero, comandante-chefe da Milícia Bolivariana, partes das forças armadas venezuelanas, que aprofunde e acelere “a expansão” da “milícia indígena em todos os territórios do país”. “Se querem a paz, preparem-se para a conquistar com unidade popular-militar-policial, com unidade nacional permanente. A ordem está dada: conquistem a paz, exerçam a soberania permanente no nosso território e mares e defendam o direito à vida”, acrescentou Maduro.

No sábado, María Corina Machado disse que o “próximo prémio será a liberdade” do país, depois de dedicar aos compatriotas o Prémio Nobel da Paz 2025. Num vídeo que partilhou nas redes sociais, a ex-deputada afirmou que o prémio é “para aqueles que nunca desistem” e “escolhem a liberdade como caminho para a paz, quando tudo os empurra para o ódio”.

Machado, que permanece há mais de um ano na clandestinidade, dedicou também o prémio àqueles “que resistem sem ódio, que suportam a fome, o medo e o silêncio, mas nunca deixam de acreditar”.

Numa entrevista ao jornal argentino La Nación, a líder da oposição afirmou que o prémio “tem um impacto muito importante” no regime de Caracas, que percebeu “que Maduro está absolutamente isolado e tem os dias contados”.

O Comité Nobel norueguês, com sede em Oslo, anunciou na sexta-feira Machado como a vencedora do Prémio Nobel da Paz 2025 “pelo trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano e pela luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

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